blogdosalim
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
terça-feira, 31 de maio de 2016
HOMEM
Reescreva na parede, no guardanapo de papel, no espelho com batom, as frases que você disse um dia aos sussurros, aquelas mesmas que prometeu e um dia esqueceu depois da conquista.
Marque um encontro com ela, beije-a como nos velhos tempos, passeie de mãos dadas, displicentemente como quem não quer nada, só mesmo relembrar como tudo começou.
Puxe a cadeira, olhe nos olhos, busque as boas lembranças. Esqueça por algumas horas as contas, a rotina, faça amor como no primeiro dia.
Se puder leve flores ou palavras doces. O amor não acaba, se esconde. Busque!
Salim Slavinscki
23/05/2016
Alegria, o melhor remédio para combater os chatos
Todos, sem exceção, têm aquele momento ruim, aquele dia em que a calcinha ou a cueca fica desajustada, e que insiste em entrar onde não deve; o calo resolve doer, acorda atrasado para um compromisso, e nada dá certo. Pronto, o dia foi pro saco! O mal humor perdura o dia todo. Mas é só mais um dia. Nada é por acaso, inclusive o mal humor.
Existem pessoas que não conhecem a palavra alegria, bom humor, devem ficar o tempo todo com a peça íntima presa. Cara de carranca de barco, zangadas, reclamonas, se desejamos bom dia, só faltam perguntarem por quê.
Sei lá se são mal resolvidas, mal amadas, mal comidas ou passaram da hora. Também não sei por que associo as suas caras, com rosto de governanta de mansão de filme de terror. Fazem idéia?
Para que não sejamos contagiados por essa energia negativa, vamos semear um pouco de bom humor. É simples, basta lembrar dos nossos mais recentes micos!
"Alegria, o melhor remédio para combater os chatos"
Salim Slavinscki
30/05/2016
terça-feira, 3 de maio de 2016
No tronco do Ipê amarelo em flor, um coração e duas letras sobrepostas em baixo relevo, muito provavelmente entalhadas a canivete. Não faço idéia de quanto tempo aquela prova de amor está ali. O coração, pelo contorno, firmeza e delicadeza, foi feito por mãos femininas; as letras certamente por um homem, tamanha a profundidade e aspereza no traço.
A árvore, por obra e graça da natureza, preservou o desenho, a casca do tronco cresceu ao redor, fazendo com que a pequena obra de arte do amor, se destaque.
Quantos anos terão passados depois desse entalhe? Será que o amor vingou? Se não vingou, as lembranças estão retidas no subconsciente subserviente de um amor juvenil.
Quem não desenhou um coração numa árvore, à tinta de caneta esferográfica num papel de caderno, no pulso ou numa parede, não sabe quão singelo é um primeiro grande amor, que se perdeu na ilusão da vida.
Salim Slavinscki
Numa noite fria de 02/05/2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O TOURO MANIFESTANTE
O TOURO MANIFESTANTE
A desconfiança se fez verdade, contendo a ira, a vontade de cometer um desatino, lhe corroia. Escondido atrás do galinheiro, entre bananeiras e uma amoreira, atento a quem entraria pelo portão da chácara, mal controla a respiração, o suor cobria-lhe o rosto, umidecia o corpo sarado, o coração quase saindo pela boca, batendo mais forte do que bumbo de infantaria em dia de desfile cívico.
O portão é aberto, com cuidado e evitando fazer barulho, um vulto vai tomando forma à medida que avança pelo terreno coberto de grama bem cuidada e aparada. Fausto, do seu posto de observação, se agita, o sangue ferve em suas veias. Espera por longos e quase infindáveis 15 minutos para sair do esconderijo.
Caminha pé ante pé até a porta principal da casa sede. A porta está destrancada, entra. Na mesa de centro da sala de estar, copos com restos de uísque, duas pontas de cigarros recém apagados, uma delas manchada de batom vermelho. Foi tomado por uma dor atroz, tremores nas mãos, era o ódio lhe dominando. Sacou a arma e invadiu o quarto. À meia luz, flagra sua esposa nua, sendo montada por seu comprade Clésio Ricardo. Susto, gritaria, pedidos de calma, não é o que você está pensando, vamos conversar...um tiro espoca, atinge a cabeceira da cama.
O casal amante, treme dos pés à cabeça. Fausto, aponta a arma para a cabeça do Ricardão e brada :
- Seu filho de uma puta, vais morrer!
Com tanta camisa pra usar, pegou logo a amarela da seleção brasileira?
Eu ia usar na manifestação do dia 17/04 na Paulista!
Ninguém morreu, a discussão terminou virando debate sobre o impeachment e onde deixariam estacionado o SUV. Tudo para manter as aparências.
Salim Slavinscki
15/04/2016
quarta-feira, 6 de abril de 2016
"RITUAL"
Preparando o jiló, pouco condimento, cozido em água morna, que deixei descansando por 24 hs. Fazer um gargarejo, dar um traquejo no corpo, enfeitar com a melhor vestimenta, usar o melhor perfume, ficar bem bonito. Caminhar pisando em nuvens, que é pra onde me leva a branca Janete.
Sacudir a moranga, ouvindo jazz, bossa-nova, um samba de raiz, sem me preocupar com que a Dilma diz.
Fazer uma prova de amor, um contrato de fé
Esperar a madrugada passar
O sol raiar, terminar nosso dia no Remenber Café
Dizer a ela, que quero dormir e acordar, vendo o seu sorriso
E que não prometo céus e o infinito
Mas que vou fazer seus dias, mais bonitos!
sábado, 26 de março de 2016
1968 O ano que não acabou - O Judas de um outro tempo
1968 o ano que não acabou - O Judas de um outro tempo.
Não tínhamos uma idéia concreta sobre o Sábado de Aleluia, só sabíamos que Judas havia traído Jesus.
Um trazia uma calça velha, o outro uma camisa, o sapateiro doava um calçado velho, o quintandeiro e o feirante, as palhas para o enchimento do corpo. A mãe do Zé Arnaldo, o Naldo, confeccionava a cabeça do boneco, uma velha gandola militar, seria parte do uniforme do nosso Judas, o tio do Nene, dou um bibico, cobertura para cabeça dos soldados. Medalhas de lata, ornamentava o nosso Judas General.
Era uma festa, a molecada se esmerava na feitura do boneco.
Boneco pronto, amarrado no poste do cruzamento da Rua Batista Pereira com Rua João Guerra, uma corda no pescoço o enforcava, ficava assim exposto até as 11:00 hs da manhã do sábado.
A criançada chegava em levas, pedaços de pau nas mãos, e uma sede enorme de fazer justiça. Eram em torno de sessenta crianças, adolescentes e alguns adultos já encharcados de Yaúca.
Aos poucos, o Jair, tio do Miltinho, soltava a corda que prendia o corpo do nosso Judas, criando uma certa tensão e expectativa.
O boneco desceu às 11 em ponto. O pau comeu, arrastado e malhado pela rua João Guerra, correria, gritos, vaias, e uma ou outra: Abaixo a ditadura.
Era só palha e roupas rasgadas, destroçadas pela horda justiceira.
Jesus e o povo, estavam vingados!
Salim Slavinscki
26/03/2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
"O PATRÃO NOSSO DE CADA DIA, NO FIM DO DIA"
Uma xícara de café quente, recém passado; levado na cama, ou à mesa, balcão de bar, padaria, no canto da sala de trabalho, sorvido aos poucos, pequenos goles, olhando pro nada; somente pensando no que poderia fazer com seu tempo. Divagações, suspiros profundos, a xícara posta de volta à mesa, balcão, mesinha ou o copo plástico descartado no lixo do escritório.
Voltar à realidade, encarar o fato de que mesmas responsabilidades, tem o patrão. A diferença está em quem manda.
Sonhar não paga nada, nem o cafezinho.
"O patrão nosso de cada dia, no fim do dia"
Salim Slavinscki, março 2016
quinta-feira, 28 de maio de 2015
"CANDELABRO DO TEMPO"
domingo, 3 de maio de 2015
TÔ ENTENDO NADA !
sexta-feira, 17 de abril de 2015
" Dona Bibyana, os gatos e os cães"
sob o olhar severo dos olhos verdes da minha mãe. Não precisa dizer palavra, bastava só o olhar
que me fuzilava. E quando passava por mim, já distraído a brincar com os primos e irmãos, ela dizia:
- Depois nós conversamos
O dia acabava ali pra mim, sabia que o couro ia comer.
Os anos se passaram, e muitas e muitas Matronas depois, passando por umas das ruas no centro de São Vicente, me deparei com uma casa antiga, deve ter uns 60 anos ou mais, muro de pedras cinza-chumbo, não muito alto, grades de proteção da mesma cor, garagem à esquerda, portões de ferro do mesmo tom. Um jardim pequeno; roseiras, Marias-sem-vergonhas, onze-horas, azaléias, cravos-vermelhos, um araçarizeiro, pitangueira e gatos, muitos gatos. Pretos, brancos, amarelos, cinzas, marrons, que zanzavam pelo quintal. No que seria uma varanda de piso avermelhado, uma senhora de uns 80 anos ou mais - tez e cabelos branquíssimos, bochechas rosas, rosto vincado, óculos de lentes fortíssimas, destacavam seus lindos olhos azuis, arqueada pela idade, corpanzil, não era uma mulher alta - trazia em uma das mãos um pote de alumínio, com a outra batia com uma colher de pau, no pote, e emitia, com sua voz quase sumida, palavras que para mim soavam familiar, os bichanos atendendo ao chamado, se aglomeravam à frente da velha senhora que caminhava com certa dificuldade, distribuindo o que deveria ser uns biscoitos. Falava com eles como se fossem crianças, sorria feliz. Imediatamente fui remetido ao passado, e lembrei-me dos sons daquelas palavras; eram, em sonoridade, as mesmas de meus avós, tios-avôs, e parentes da velha Rússia, sem me esquecer da parte romena (essa era a herança da minha avó), que me soava mais familiar.
Dias atrás, caminhando pelo centro, parei em frente à velha casa, o jardim estava no mesmo lugar, os gatos e a velha Matrona não. Seu neto, muito educado por sinal, disse-me que ela partira há alguns anos, aos 98 anos, dormindo, sem sofrer, plácida. Era russa, amava o Brasil, plantas, gatos, calor e mar. Seu nome era Nádia, ou como todos a chamavam: Dona Bibyana
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
"UNIDOS DO LARGUINHO" - SÓ PARA ADULTOS
sábado, 7 de fevereiro de 2015
"CARÊNCIA É FODA!"
Jessé, um camarada boa praça, amigo de todos e de todas as horas, bom coração, às vezes ingenuo nas coisas do coração. Apaixonava-se com tamanha velocidade e frequência, que a próxima sempre seria a mulher da sua vida. Era um tolo, e com uma compulsão enorme para ser corno.
Foi numa noite quente de verão, na balada regada a cerveja, caipirinha de cachaça, uísque, tequila e samba, que ele conheceu Maria Júlia; morena de olhos verdes, cabelos pretos, corpo escultural, tinha mais curvas que a antiga Estrada de Santos, tão felina quanto onça criada em casa, carinha manhosa de menina pidona, voz de FM. Foi amor à primeira vista. Saíram do samba direto pro berço. O sexo foi excepcional; Maria Júlia era uma catedrática na arte, deu-lhe uma surra de coisa.
Semanas se passaram, e nada da morena atender às muitas e muitas ligações, mensagens melosas e cheias de romantismo. O desespero tomou conta do Jessé, a todo custo queria quebrar o silêncio e reencontrar a sua musa. Até que um dia descobriu o endereço da sua deusa.
Era um bairro residencial de classe média, uma casa de tijolos à vista, arquitetura dos anos 40, jardim bem cuidado, portão de ferro fundido pintado à esmalte. Entrou sem se anunciar, foi recebido por uma senhora de uns 60 anos, mal acabada, e com resquícios de que um dia tenha sido bela. Recebeu uma senha. Aguardou por cerca de 3 horas. Entrou no quarto, luz âmbar, o lusco-fusco não o impediu de vislumbrar o mesmo corpo escultural dourado vindo em sua direção.
O choro copioso, soluços, lágrimas, tremores, não refrearam o êxtase, a vontade, o tesão; fizeram amor por horas. Dormiram abraçados.
O dia raiou, o dinheiro ficou na cabeceira da cama, não quis tomar o café da manhã a que tinha direito, só uma xícara de café preto e uma bagana do fumo paraguaio fumado na noite anterior.
Carência elevada a terceira potência, se não brochar, dá prejuízo no bolso !
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
"CAMAS REDONDAS, CASAIS..."
A vida passara rápido para os dois; cada um vivendo seu próprio tempo, experiências e vidas. Seus caminhos se entrecruzaram, porém jamais se fundiram. Estavam ali como numa despedida de uma noite morna; pesando a relação.
Não havia fumaça nem odor de fumo, apenas o cheiro forte de álcool dos muitos copos de tequila, uísque, vinho tinto e garrafas de cerveja, recendendo no ar.
Deixaram de dizer um para o outro, em noites anteriores, o fundamental, talvez por saberem que não iriam até o 3º capítulo. Tudo sempre ficava pairando nas dúvidas, nos medos em apostar, em se apossar, e deles sobreveio o tempo exato para desistir, abandonar o barco.
O ventilador ligou automaticamente, girou célere, misturando pensamentos, desfazendo vontades, trazendo os dois de volta à realidade.
Vestiram-se cerimoniosamente pela primeira vez, fecharam a porta do quarto, pagaram a conta. Adeus, boa sorte.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
"DOCES MEMÓRIAS MUSICAIS E OUTROS ROMANCES"
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
"ANGEL II"
uma papo sem ônus, nem bônus
Um querer ganhar e perder
Um dia indo, outro voltando
Um amanhecer, um entardecer,
noites chegando,
madrugadas infindas
Muralhas erguidas,
intransponíveis,
medos e angustias
Sorrisos, risos,
descobertas,
muralhadas rompidas,
portas abertas
Mais vindas do que idas,
A presença certa,
a acolhida
O colo, o ombro
a palavra na hora
e na medida certa
O conforto,
A lagrima dividida,
o choro, o riso, e o gozo
Deu muito,
de tudo um pouco
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
"É HORA DE AGLUTINAR" - (in Um país de bundas lelês)
Ocorreram excessos dos dois lados, do regime ditatorial e dos opositores.
Passados mais de 29 anos desde a restauração do estado de direito democrático, vivemos alguns períodos de incertezas. Crises e mais crises econômicas, vários e vários planos para ajustar a a economia. Chegamos a patamares de mais de 3 dígitos de inflação, e muitos ganharam com tudo isso. Bancos, empresas nacionais e multi nacionais. E o povo, o último na ponta da corda só ficou com prejuízo, como sempre. Começava então, o fenômeno da migração de brasileiros para países estrangeiros; Japão, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, EUA, Canadá dentre outros. Todos iam em busca de melhores salários e oportunidades. Não havia como confiar numa economia tão fragilizada.
Já cansados de incertezas e promessas; em fins da década de 80 elegem F.Collor de Melo para a presidência do Brasil. Com uma oratória inflamada, ufanista, social democracia e populismo, prometendo um choque na economia, na envelhecida e carcomida indústria nacional, abriu os portos para as importações de veículos, e eis que de repente, deu um duro golpe nos poupadores, especuladores e no povo em geral, confisco das contas correntes e poupança. Um governo marcado por escândalos e corrupção, chega ao fim apeado do poder.
Mais saídas pela porta de emergência. Com mais essa decepção, muitos brasileiros saíram do país em busca de trabalho e qualidade de vida. Encontraram o subemprego, e se submetendo a trabalhar como operários em linha de produção, mesmo tendo o chamado canudo universitário.
Era da social democracia "tucana", de Itamar a FHC.
Reestruturação econômica, realinhamento político, deflagração do Plano Real, venda das empresas estatais, estabilização econômica, planos para inclusão social das camadas mais pobres da população, reestruturação da previdência social. Incentivo às montadoras automobilísticas a se instalarem no país, às exportações, etc...
As maiores críticas ao governo tucano, foi a venda das estatais recebendo por elas as chamadas moedas podres, caso até hoje mal explicado, assim como os das empresas que eram estáveis. A compra de votos no congresso nacional para que projetos pudessem receber votações favoráveis. Escândalos de super faturamento, que habilmente foram varridos para debaixo do tapete. E as mudanças na área previdenciária que tiraram dos trabalhadores direitos adquiridos, perdas e achatamento salariais de aposentados até hoje não recuperadas. Política de arrocho salarial através de índices manipulados para a fixação do salário mínimo, ágio na compra e venda de veículos novos e usados, altas taxas de juros.
Com a economia equilibrada, Luís Inácio da Silva, o Lula, assume a presidência...
Próximo capítulo só amanhã !
P.S.: não sou economista, não sou biógrafo, se errei é porque a memória já não é a mesma.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
" Assim, assim..."
noites vividas, tardes divagadas,
manhãs e noites fugidias,
daquilo que em verdade quer,
mas tem medo.
Da vida desregrada,
do dia que será tarde,
da tarde que será noite,
madrugada que vira dia.
As vontades e mentiras, criadas, projetadas, ditas;
das experiências que cobra a si,
que quer vislumbrar, tornar realidade,
um dia-a-dia,
ter uma vida que começa e termina.
Manhã, tarde, noite, um dia,
uma madrugada no meio
De pés frios,
ficar em conchinha
ouvir dizer :
tu és minha
Sem regras, horas, onde,
e quando, se inicia
ou hora que termina
Olhar nos olhos
na noite, na madrugada,
vestida, nua, mas que seja
no dia que se anuncia...
Que seja por horas,
por dias,
que seja na noite,
em que o dia termina...
sábado, 11 de outubro de 2014
"SOBRE AS MULHERES - DIVAGAÇÕES SOBRE O TRAVESSEIRO DE PENAS DE GANSO"
Tentar entendê-las é para poucos, na verdade para nenhum, Inexiste alguém que consiga desvendar todos os seus mistérios, seus escaninhos, pois são absurdamente cheias de segredos, uma teia complexa, um rede de tuneis com muitas entradas, e poucas saídas, mal comparando, seriam como um labirinto, por onde caminhamos sem ter a certeza onde começa ou termina.
Certa vez ouvi de um amigo a seguinte definição:
- Cabeça de mulher, é como cartola de mágico, nunca sabemos o que pode sair dentro dela!
Não estou aqui, mal dizendo as mulheres, longe disso, eu bem as digo, louvo, adoro, amo; sou um aficionado apaixonado por mulheres e, por seu mais intimo, recôndito, ou indecoroso segredo.
Observo a mulher, não só sob um prisma pictórico, a enxergo como uma musa, e assim todas elas são para mim, uma obra de arte viva em profusa evolução.
Estão tão evoluídas, tão à nossa frente, que muitas nem precisam de nós. Infelizmente, não posso incluir uma parcela maior, porque sempre há os porém. Mas disso não cabe falar agora.
E por mais adiante que estejam, tão independentes, auto-suficientes, o fator preponderante no pensamento feminino, ainda é o parceiro ideal. Não, não aquele mantenedor, gestor, aquela figura patriarcal - apesar de que algumas sonham em ter um homem rico, que lhes faça todos os desejos materiais e se possível os sexuais, coisa de livro cinza - o que elas querem, é um homem tão moderno e evoluído quanto elas. Um raridade nos dias atuais. O cara tem de ter algumas qualidades, tais como : ser parceiro, amigo, colega, confidente, bom ouvidor, ombro amigo, conselheiro, cavalheiro, sensível, bom caráter, fiel - dentro daquilo que fica acordado entre os dois- bom amante, que saiba entendê-las e, que quando estiverem na tristeza, as abrace, na louca TPM, se fastem, quando estiverem abrasadas, que a suavidade de uma boa pegada apague seu fogo e, as leve às nuvens.
Algumas não se importam em dividir a conta do bar, restaurante, motel, hotel, mas desde que o prazer também seja bem dividido e nada egoísta.
E para finalizar, devemos entender e também deixar claro para elas, que não existe perfeição dentro e fora das relações, sejam a dois, ou na sociedade. Não se pode exigir, demais, cobrar demais, dar-se demais sem contra-partida, amar incondicionalmente e perceber que ele (o amor) se finda, e que o tempo se encarrega de dar um novo rumo à relação, sem medos dos desafios que virão, não fingir e principalmente compreender que mentir menos, pode !
terça-feira, 7 de outubro de 2014
"ELAS, SEMPRE ELAS"
Belas, ou nem tanto, jovens, maduras, sisudas, simpáticas, atrevidas, daquelas que retribuem o olhar, olho no olho, sorriso maroto, mesmo que eu as observe por de trás das lentes escuras dos meus óculos, ainda assim, com uma leve jogada de cabelos para os lados - artifício da maioria - de soslaio, disparam uma olhadela só para confirmar. Outras param diante das vitrines, observam roupas, sapatos e acessórios expostos, e pelo reflexo dos vidros, também nos observam. Um jogo interessante que faz bem ao nosso ego, o meu e ao delas.
Freqüentemente caminho pelos calçadões, gosto de ver o vai e vem de gente apressada, o
burburinho, a loucura expressa no rosto de alguns passantes, indo ou vindo do trabalho, das filas dos bancos e lojas de departamento, de olhos colados nas telas azuis dos celulares, desligados do mundo exterior, viajando pelas redes sociais. E nessas andanças observo o caminhar das mulheres, a leveza na troca dos passos, a coordenação de mãos e braços, a postura, a altivez, a combinação de cores nas roupas, calçados e adereços; descarto os estandartes ambulantes apenas numa breve olhada. Gosto do balançar das ancas, o rebolado suave, ritmado, a harmonia entre traços, gestos e modos, isso tudo somado e convergindo para um desfilar sensual, e não sexuado, sexista proposital. Elas, as mulheres, são femininamente espetaculares. Eu as amo !
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
"INFÉRTIL"
regicídio do mais profuso
e profundo sentimento
Donde se despregam,
se esfacelam corpo e alma
O amargo fel da vingança,
que envenena, trucida
toda esperança,
matando o coração
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
"Back to back, bags and luggage or boxes"
Talvez seja um estigma, uma sina, ou coisa parecida, as caixas, bagagens, sempre nos acompanham pela vida, no ir e vir, nas mudanças, cheganças, partidas; carregam boas lembranças, traços, lastros, perfumes e cheiros, memórias. Provavelmente, nem precisemos do conteúdo, mas amiúde recorremos às nossas caixas interiores, e delas retirando resquícios de outrora alegrias, risos perdidos, portentosos momentos felizes, mas que se foram no apagar dos tempos. Não como rever álbuns de fotos empoeirados, de poses quase apagadas, ou brevemente ensaiadas, que nos fazem estampar um sorriso, ou soltar um riso, que quase nunca é contido, pois o tempo passou, e aquelas figuras retratadas já não são as mesmas. Muito se foi com o tempo, o viço da pele, a mocidade, a jovialidade, os cabelos, o corpo curvilíneo, a moda nos trajes, e quando não, alguns se foram.
Diferentemente dos álbuns, as caixas resgatam em segundos, tudo que passou, o que ainda ficou,
ou o que está indo para o fundo das lembranças das memórias secretas.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
"TODA MULHER SONHAR TER..."
E, quando forem para o motel, o qual sempre sonhou um dia ter uma noite de amor, deixe que leve de brinde a toalha, os chinelos e shampoos.
Cada uma tem um sonho, e cada uma idealiza seu grande amor, seja ele montado no cavalo branco, numa Lomborghini, Ferrari, SUV branca. Que a leve numa tour por Paris, Nova Iorque, Londres, Alpes Suíços, e que no verão passem num chalé a beira mar.
Mas que nunca as impeçam de sonhar, de idealizar !
terça-feira, 19 de agosto de 2014
"back to back"
Proposital ou não, enterrou o que ainda latejava, vivificava insistentemente, mas que morreu no dia.
E o dia virou noite, a noite madrugou em sonhos ruins, em percepções tristes, insensíveis.
A noite das descobertas, de comemorar uma data, de renovar as esperanças renascidas como Fênix, naquela tarde-noite-madrugada-dia.
Vou enterrando o que sinto a cada dia !
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
"ENSAIO SOBRE CHINELOS...PARTE II - O começo do fim"
domingo, 27 de julho de 2014
"A MORTE, E A QUASE MORTE DA SENHORA CONFIANÇA"
Exemplo de reciprocidade ? Dar e receber ?
Afirmar com convicção que o indivíduo é confiável, seria inocência, purismo, ingenuidade, ou uma demonstração de elevada virtude ?
Os depósitos que fazemos nessa conta, requer a contra partida, os frutos que colhemos hoje da árvore da confiança, antes foram as sementes que plantamos no campo.
Colher o que se plantou.
Confio, ainda que em mim não confiem !
sexta-feira, 18 de julho de 2014
" BUCHADA DE BODE NA CASA DE SERENO"
quinta-feira, 17 de julho de 2014
"AS CRIANÇAS E AS SUAS PERGUNTAS"
Criança é perguntadeira; dos 5 aos 7 anos é quando se lhe desabrocha o interesse em saber como funciona o pequeno universo ao seu redor. Tenho filhos ainda pequenos, netos, sobrinho-neto, e vez ou outra me encostam na parede com perguntas capciosas, quase sempre enredadas
nas brincadeiras da vez.
Não faz muito tempo, meu sobrinho-neto me fez a seguinte pergunta :
- Ô tio ! Avião voa mas não bate asas, né! Porque ?
- Por que céu não tem cabelo onde ele possa se segurar ! (respondi)
Nascemos e vamos nos desenvolvendo de acordo com que nos ensinam, vamos assimilando, aprendendo, crescendo e acumulando lições e exemplos. Aprendemos a engatinhar, falar, andar - não necessariamente nessa ordem - à medida que crescemos, evoluímos, passando por todas as fazes, bebês, criança, pré-adolescentes, adolescência, adulta, maturidade, envelhecemos, nos tornamos idosos, sempre acumulando lições, sendo exemplos, e aí finda-se o ciclo.
Na verdade nós crescemos, evoluímos, ou só nos preparamos para nos tornarmos velhos ?
Aí está uma pergunta de criança !
terça-feira, 1 de julho de 2014
" JANELA INDISCRETA III - PONTO FINAL "
Abriu a pesada porta, por alguns segundos ficou paralisada, fitou todo o ambiente. Alguns passos e adentrou à sala; livros repousando na mesa de centro, copos, cinzeiro abarrotado de guimbas de cigarros, velhos LP's espalhados pelo chão, no ar pairava o forte cheiro de fumo, cerveja e uísque, cortinas semifechadas, dava um aspecto de penumbra à sala. Descerrou as cortinas, abriu as janelas, deixou oxigenar o velho apartamento.
Descalçou as botas, as meias, despiu-se displicentemente, vagou pelos cômodos como se quisera encontrar ou ressuscitar o morto.
Encheu um copo com uísque à cowboy, ligou o velho toca-discos, escolheu um disco de Jobim, deixou que o som de Wave tomasse toda a sala, alto e suave, prostrou-se no sofá puído, e se deixou levar pela música.
Jamais havia confessado seu amor ao velho escritor, mesmo nas horas mais cálidas, nos jantares, nas noites de furor insano de sexo e bebida.
Chorava, as lágrimas de Layla, desciam por seu belo rosto, como água de cachoeira, soluçava e se penitenciava por não haver dito : Eu te amo
Adormeceu bêbada, nua em pele e sentimentos.
A noite caiu, fria, gélida e com ventos.
Os mortos não voltaram
sexta-feira, 20 de junho de 2014
"PARTIU FORA DA HORA COMBINADA"
Quem já foi pai ou mãe de primeira viagem, sabe do que estou falando; ou aquele (a) que aguardou o regresso de um amor, de um filho, parente ou amigo, nas alas de desembarque de aeroportos e rodoviárias. É alta ansiedade ao cubo. Uma euforia incontida, até explodir em sorrisos e muitas vezes em lágrimas de felicidade.
A segunda, a partida, a ida, é dolorosa. Ensejando dúvidas quanto ao regresso, o tempo que não vai passar tão rápido quanto desejado ou planejado; mesmo que saibamos que tudo é uma questão de adaptação daqueles que aqui ficaram, e dos que partiram para novas conquistas, em busca de novos rumos, novos horizontes para a vida; novo trabalho, negócios, turismo, estudos, e até mesmo arriscando-se no incerto, na duvidosa alça da ilusão de terras estrangeiras.
Mas, a partida antes do combinado, é ainda mais surpreendente, triste, avassaladora, chocante,
irremediavelmente danosa aos nossos mais profundos e solitários sentimentos.
Perder um ente querido, um amor, um filho, colega, amigo, chapa, um mano, brother, parceiro,
sem aviso-prévio, é sacanagem.
Estivemos juntos recentemente, conversamos, bebemos, tricotamos, fofocamos, trocamos receitas, mensagens, bebemos uma, falamos mal da vida alheia, dos políticos, troçamos sobre os resultados do futebol, etc... - É assim que reagimos quando recebemos a notícia da morte/passagem de alguém querido.
Buscamos, conscientes ou inconscientemente, nessas reações, uma muleta, um suporte, um anteparo para tentar traze-los de volta à vida, resgatar os bons momentos de convivência que tivemos juntos.
Infelizmente, a cota foi preenchida, a missão chega ao fim, termina, se encerra, se finda, até mesmo pode ser que tenha sido antecipada, mas não sabemos com certeza. E a nossa única
certeza na vida, é a morte.
Ir, sem estar rodeado daqueles a quem amamos, daquela(e) a quem devotamos amor, compartilhamos horas, dias e anos, não está no script. Morrer só, consigo mesmo, é de doer.
Boa viagem Flávio Guerra !!
sexta-feira, 6 de junho de 2014
" A LENDA DA PEQUENA GUERREIRA - PARA FILHOS E PAIS "
Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.
terça-feira, 27 de maio de 2014
" DA TEORIA À PRÁTICA : O homem ideal sob a ótica das mulheres "
Hoje, mais bem informadas e formadas, conquistam a sua independência financeira; muitas ainda
tendo o ônus de ser a chefe de família - sem desmerecimento algum - por assumir de vez a responsabilidade de criar, gerir, sustentar os filhos de casamento(s) desfeito(s).
Senhora de si e dos seus quereres, a mulher moderna e antenada com o seu tempo - na faixa dos 25 aos 55 anos, sem querer ser excludente - viaja mais, sai mais, frequenta bares, shows e boates, se diverte mais, se insere mais na sociedade, é mais participativa.
Dentro desse contexto, partindo do princípio de que hoje, a mulher é mais independente financeiramente, ela pode escolher, à ser escolhida. Sem recalques. Porém, com toda essa evolução e conquistas, ela ainda espera pelo seu homem ideal. Não o perfeito, o príncipe encantado, porque esse não existe - segundo as próprias dizem - Entretanto, buscam no homem idealizado, o amor recíproco, o amigo, parceiro, companheiro; um ser carinhoso, gentil, protetor, ouvidor, conhecedor de seus anseios, das razões das suas dores, lágrimas e tristezas. Pacientes nas suas crises de TPM, que saibam compreender esse estágio passageiro, perceber os códigos em seus olhares quando a menstruação se avizinha, e o seu desejo aumenta ou diminui. Almejam, o ser sensível, porém másculo, com uma boa pitada de pegada, olhar atrevido, uma colher de pele de lobo, uma raspa de canalhice, pitadinhas de homem das cavernas (sempre nas horas apropriadas) uma colher de aventura, sabedoria para conhecer, saber explorar e desvendar o terreno. Misturar tudo com cuidado, mexer ora suavemente, ora com força e tenacidade; parando nos momentos certos, continuando até todos os ingredientes se homogeneizarem. Deixar descansar, sem desandar a mistura.
E nessa busca, elas exigem principalmente, que sejam autênticos, sem falsa modéstia, sem meias verdades, que seus sentimentos sejam respeitados. Fidelidade, cumplicidade, e que o sexo seja o complemento, não a razão.
Nem todas se encaixam na descrição acima, mas vou respeitar as diferenças.
terça-feira, 20 de maio de 2014
" A ROCHA, O LIMO E O LIMBO "
Se escapa, se vai no tempo...
O que era porto seguro
torna-se pedra
ponta de pedregulho
coberto de limo
segunda-feira, 19 de maio de 2014
" MINHA PRIMEIRA LIÇÃO : A pipa e eu "
Perto da esquina, um homem segurava uma pipa, braços esticados, tentando mantê-la acima de sua cabeça, embaraçava-se com a rabiola da pipa, pondo-a ora à sua frente, ora às suas costas. Um menino de uns nove anos, dava-lhe instruções :
- Agora levanta mais ela, pai. Mais alto, mais, assim. Agora não se mexe. Solta, pai, pode soltar !
E o homem obedecendo, soltava a pipa, que insistia em não voar. Repetiram a mesma operação inúmeras vezes; até que a pipa ganhou altura. Era colorida; vermelha, verde e branca. O menino corria pela rua, bochechas vermelhas, cabelos curtos, carinha de satisfação e alegria. A pipa foi ganhando o espaço. Subiu, cortando o céu. A linha fazia uma barriga no ar.
O pai veio caminhando lentamente, se aproximou do menino, pôs seu braço direito sobre o seu ombro, olhou para o céu, mão esquerda protegendo os olhos, e ficou olhando a pipa fazer manobras no ar. E assim permaneceu por alguns minutos, como que hipnotizado.
Volta-se para o filho e pergunta :
- Já posso empinar, filho ?
E do alto dos seus noves anos, e sem tirar os olhos do céu, sentencia :
- Ainda não. O senhor nem aprendeu direito a segurar a pipa !
quinta-feira, 15 de maio de 2014
" DAS PALAVRAS QUE PODIA TER DITO E CALOU-SE "
Dele, o maior temor ainda é cegar-se, sair da vida sem sentir seu respirar, tocar sua pele, seu rosto, saber qual o gosto do beijo que jamais recebeu. E arrependido, por tê-la perdido, procura voltar no tempo, se agarrar no vento que já passou.
A profusa vontade de real de vê-la, é o antídoto à imagem quase holográfica criada em sua mente,
ou nas máquinas insensíveis, que não gravam, não captam os sentimentos, os aromas, os cheiros, perfumes, o toque na pele, a energia, a sinergia que gera, que enlaça, produz, reproduz, conduz os seres a uma dimensão superior.
E assim como a um anjo, ele não a percebeu...perdeu ?
domingo, 11 de maio de 2014
" LEVE "
Não ventava
brisa, nenhuma
Parou o tempo
Da primavera ao verão
Quiçá, para não incomodar
o seu passar
Deixando um aroma leve,
um bom perfume no ar
O olhar, um encanto
E assim passou
Foi caminhando leve e solta
Sem se ater, nem fazer conta
Esvoaçando os cabelos
dando ritmo às ancas
Um bailar fortuito
um pisar cadenciado
O sorriso arguto
Mãos regendo uma orquestra imaginária
Compassados passos
Balançando as ancas
Vai e vem cadenciado
Ombros largos
Sorriso estampado no rosto...
sexta-feira, 9 de maio de 2014
" O SEGREDO "
cozido em água morna,
que deixei descansando por 24 horas
Fazer um gargarejo,
dar ao corpo, um fino traquejo
Enfeita-lo com a melhor vestimenta
Nos pés, um lustroso pisante
No corpo, o melhor perfume,
ficar bonito, ou próximo disso
Caminhar pisando em nuvens,
que é pra onde me leva, a branca Janete
Sacudir a moranga, ouvindo jazz,
bossa-nova,
ou samba de raiz
Sem nem me importar com o que a Dilma diz
Fazer uma prova de amor,
um contrato de fé,
selar com um beijo
Esperar a madrugada passar
O sol raiar, terminar o nosso dia
no Remenber Café
Dizer a ela, que quero dormir e acordar
vendo seu sorriso
E que não prometo os céus
nem o infinito
Mas que vou fazer seus dias, tardes e noites
mais bonitos
E que posso não ser o poeta Vinícius
Mas que letra de samba, poesia e amor,
eu faço e, que é nosso segredo
e não se fala mais nisso
sexta-feira, 2 de maio de 2014
" ENSAIO SOBRE CHINELOS, ARMÁRIOS E COISAS ESQUECIDAS"
De vez em quando, deixo rolar "Esquinas", vou fumando um ou outro cigarro, batendo as cinzas, engolindo um "nacional de boa procedência", rindo sozinho, escrevendo sobre temas do dia a dia,
crônicas da vida. Algumas pontuadas de humor, acidez, crítica mordaz, outras desinteressantes; umas falando de amor e paz, de idas e vindas, encontros, desencontros, reencontro, perdas, mar e terra. A memória ainda funciona, mesmo que às vezes me traia.
As horas vão passando, como um vento de outono, forte, rápido e quando me dou conto, os dias se foram, um após o outro.
"Esquinas" está terminando, vou ouvir Stan Getz, o balanço é outro, ritmo mais lento, suingado, como fazer amor em noite de chuva.
Os chinelos, deixa por aí mesmo, já não vão ser arrastados pela casa.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
" O RIO, A CHUVA E O MAR "
Finda a viagem, se misturam ao mar, águas e águas. O sol causticante, evapora as águas, que sobem aos céus, se condensam, formam novas nuvens, robustas, desenhando nos céus imagens, que logo se precipitam em forma de chuva, caindo na terra, molhando o solo, escorrendo, e indo ao encontro do rio, para dali um novo recomeço, uma nova viagem.
Dedico essa a uma amiga que tem mar no nome, e que entende que sou como ele; acolho as águas dos rios, das chuvas, das tempestades, e sigo na vida, sigo o curso..
domingo, 23 de março de 2014
" AMAR, A CAIXA DE PANDÔRA, ABERTA E FECHADA"
Que medo é esse ? Não crê mais? perdeu a confiança em si, ou a dúvida atroz, te afasta?
Poeticamente amo, intensamente amo, por segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, distintamente de núcleos; separando os joio e os trigos, as rebarbas, as ferpas e, sem medos, sem receios, com ou sem apelos, perdas ou ganhos, como os dedos das mãos, cada um no seu tamanho e importância.
Amar, faz bem para a pele, para os músculos, para os ossos, para o corpo e a mente.
Seja intenso(a), seja todo(a), entre de cabeça, ou não, no jogo do amor, é perder e ganhar. Garantias? 50% é não, e já está garantido.
sexta-feira, 21 de março de 2014
" TEMPESTADES DE UM BREVE OUTONO "
O que estava escrito nas areias, pelos enamorados, o vento apagou. Os anéis, os cordões de ouro, prata e latão, o mar trouxe de volta; deixou-os na areia molhada pela chuva.
O outono chegou, as chuvas vão fechando um ciclo iniciado no verão. Agora são as folhas que caem, desnudando as árvores, expondo seus ramos, galhos retorcidos, troncos marcados por rugas, fincando frestas, marcando o tempo, que passa inexorável.
Novas folhas, novos ramos, novos galhos, novos frutos, renovando a beleza da nossa árvore da vida. Que as dores, as lágrimas, as despedidas, os sonhos desfeitos, o amor perdido, sejam todos como as palavras escritas nas areias das praias : Breve e passageiros, que o vento os leve.
Bem vindo outono !
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
" MENINAS E MENINOS, EM EBOLIÇÃO "
E essa tal de auto sustentabilidade e auto suficiência, também são motes para as inter-relações pessoais. É sério, não é brincadeira, não ! Vida toma rumos numa velocidade tamanha que me surpreende. Parece-me que a sociedade se dividiu em duas castas, os homens e as mulheres. Daí vocês vão responder que desde a criação, sempre foi assim. Eles de um lado, elas do outro. Concordo. Mas hoje, isso é via de regra, eles estagnados, sem evoluir no sentido de ter uma relação mais duradoura, perene, ou vão em busca do aspecto físico, da beleza plástica, da vaidade, onde o que conta é a apenas o alívio do prazer físico e passageiro sem aprofundamento, e vice-versa.
Enquanto as mulheres vão trilhando o caminho que os homens abandonaram há 30 anos atrás, ou seja, investindo em si, estudando, se inserindo no mercado de trabalho, se capacitando cada vez mais, alcançando a sua independência não só financeira, mas social e pessoal. De meras espectadoras, tornaram-se a personagem principal.
Hoje as mulheres deram um passinho á frente dos homens; pois numa sociedade moderna como a que vivemos, competitiva, excessivamente consumista, elas são o Ás do baralho.
Mas tudo isso, toda essa evolução, deixou tanto um, quanto o outro, mais egoístas, um tiquinho individualistas. Como se fossem adversários, ou apenas mantenedores de uma parceira com tempo pré-determinado para acabar, as relações não se aprofundam. Muito mais pelas regras que cada um se impõe, tais como liberdade de ir e vir, de escolhas, de estilo de vida; enfim, cada um quer apenas viver aquilo que buscou, que amealhou, que conquistou, que o fruto do árduo trabalho lhe proporcionou, "sem estresse" !
Nossa sociedade se americanizou.
Ou se enquadra, ou será enquadrado, ele e ela !
I can get no, satisfacion !!!
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
" MUITO PRAZER, MEU NOME É ZÉ...."
engraxados. Mesmo com a noite caindo, os óculos, de lentes e armação pretas, lhe escondiam os olhos. Cobrindo sua cabeça, um autêntico chapéu Panamá, palha fina. Na lapela, um cravo vermelho. Descia a ladeira como que dançando, gingando o corpo, como se fora a qualquer hora aplicar um golpe de capoeira no ar, os braços longos como os de um mestre sala. Na mão direita, um anel grosso de ouro, e uma pedra de rubi encravada. Na esquerda, um anel de ouro branco, cravejado de esmeraldas, encimado por duas letras estilizadas, onde se lia : BG - Bacharel de gafieira.
Noite escura, apenas a luz da lua iluminava aquela figura negra e esguia. Semblante sério, altivo, caminhava sem pressa; os cães da rua, calaram, cabisbaixos como se prestassem reverência. Silêncio na noite.
De frente ao número 107 da rua dos Lírios, ele para. Casa simples, mas de bom acabamento. Luz fraca do alpendre acesa. Bate palmas firmemente. Barulho de fechadura; aos poucos as porta vai sendo aberta. De dentro, uma voz pequena e masculina, pergunta quem é.
A voz grossa feito uma troada de trovão, provoca arrepios no gato cinzento que dormitava na soleira da porta.
- Quero ter com Benício Santos, é ele ?
- Sim, é .
Entre surpreso e amedrontado, um homem de estatura mediana, sem camisa, vestindo calça marrom, cinto carcomido afivelado na cintura, e um par de tamancos lhe calçando os pés, caminha até o portão, fazendo tóc, tóc, tóc, a cada passo que dava. Vislumbra a figura do homem negro, de quase 2 metros, todo vestido de preto. Treme-se todo.
- Meu nome é José Pilintra, mas pode me chamar de "Seo" Zé Pilintra. Venho para lhe dar um aviso - sua voz era firme e forte - se tornares a fazer sofrer mal tratos, tua mulher e filhos, darei fim aos teus dias na terra. O homenzinho viu que de dentro da lentes escuras dos óculos, daquele homenzarrão, saíam duas xispas de fogo .
Suas mãos e pernas tremiam como vara verde, a garganta ficou seca, tal qual língua de papagaio, não conseguia emitir uma só palavra, um único som, nem mesmo balbuciou, emudeceu-se. Olhos esbugalhados pelo pavor, suor lhe tomando a face. Só fitava as xispas nos olhos de Seo Zé.
- Entendeu o que eu disse ? E sem nem ao menos esperar a resposta, mandou Benício se retirar.
Os tamancos ficaram pelo quintal. Nem olhou para trás.
Manhã seguinte. Ao sair para mais um dia de labuta, Benício se depara com um cravo vermelho pendurado no portão. Não era um sonho.
Hoje frequenta a igreja, dá banho nos cachorros, leva as crianças na escola, ajuda a esposa a preparar a janta. Nunca mais bebeu.
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR "
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR "
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
" TRÁZ MAIS UM BLACK E A CONTA "
O coletivo seguia comendo asfalto, lenta e vagarosamente, trânsito caótico na cidade que se acha o umbigo do mundo. Passando pela avenida da praia, seus prédios ora modernosos, ora perdidos nas décadas de 40 e 50, agora ruas estreitas, depois canais poluídos dividindo as avenidas. O céu parece querer desabar. A ansiedade é grande. Confere as horas, liga mais uma vez, e avisa que poderá vir uma grande chuvarada. Ponto final. Percebe que pegou o ônibus errado. Atravessa a rua, e embarca no Circular 61 - Porto - Terminal de passageiros. No caminho vai pensando, no que poderia ter dado certo, que caminho tomar, no que fazer desse dia em diante. Incertezas. Incerto também era o reencontro. Sem saber onde seria o embarque dos passageiros, liga novamente, mais dúvidas e incertezas; ligação falhando, bateria sem carga. Finalmente o encontro/despedida. Vindo mansamente, o mesmo andar, o mesmo sorriso, o beijo bom, poucas palavras. Cada um segue seu caminho. Um embarca e viaja, o outro desembarca no cotidiano.
O itinerário mudou, o calor abafado não. O céu resolveu abrir suas torneiras. A chuva é fina, os passageiros outros, o odor das ruas e do caís impregnam as narinas. A zona portuária pouco mudou, o comércio do prazer ainda está por lá, bares pé sujo, música alta. O tempo não passa, os minutos são séculos. O dias não passam, morosos, demora a anoitecer.
Talvez tenha sido tudo moroso, como uma nau que singra o mar levando turistas em veraneio.
Idas e vindas, sem um rumo certo, sem um norte definido, sem proa, nem popa.
Um chopp black, copo suado, liquido bem gelado !
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
" UM DIA PARA SER ESQUECIDO " ( Caiu a rede )
Ontem, 11/12/13, quem foi ás compras, ou tentou fazer um saque nos bancos, caixas eletrônicos, pagar contas, receber um cobre, abastecer o veículo, comprar fraldas para o bebê, não conseguiu, a "rede" caiu, e com ela tudo o que se refere a cartões de crédito e bancários. Nada funcionou, o comércio ficou paralisado, não recebia nenhum pagamento efetuado com cartões, só em dinheiro vivinho. E hoje em dia, quem é que não possui um cartãozinho ? Pois é, estamos escravizados pela modernidade e comodidade dos cartões de plástico. Mas quando dá uma pane no "sistema", é um Deus nos acuda.
Querendo ou não, os cartões são os facilitadores do consumismo desenfreado ao qual nos submetemos, isso quando temos cacife para bancar aquilo que projetamos como sonho de consumo. Entretanto, o caos se instalou, quando o maldito sistema ruiu. Sonhos desfeitos ou adiados, paciência e tolerância zerados, calor, tensão, bafo na nuca, sovacos fétidos na cara, bafo de onça, filas intermináveis, crianças perdidas dos pais, e o "sistema fora do ar". Volta para casa; tentativa infrutífera de enviar um e-mail e, efetuar uma simples ligação telefônica. Aff... esse dia foi o Ó, o buraco da bala, o borogodó, as tranças de um rei careca !
É muito telefone vendido, e pouca rede.
Oi, tá vivo, tá claro? Tim tim, para nós !
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
" O ATIVISTA, E O BICHO SOLTO "
Cresceu, e já na adolescência, uns amigos do cursinho o convidaram a ir numa manifestação de caras pintadas, contra o presidente Collor de Melo. Seria na Av. Paulista. Recusou. Pensou até em ir, mas quem cuidaria de seus bichos de estimação ? Não foi.
O tempo passou. Formou-se em Veterinária, era dedicado. Seu pai montou uma clinica e um pet-shop, no mesmo bairro onde morava, sua clientela era formada pela elite do lugar e adjacências. Pertencia à sociedade protetora dos animais, onde era vice-presidente da entidade. Lutava pelos direitos dos animais.
Solteiro convicto, herdara da avó materna, a paixão pelo Corinthians, não perdia um jogo, sendo no estádio ou pela TV, pelo chá com biscoitos e pela cerveja quente. Amava dançar nas baladas ao som de Gloria Gaynor, e seu hit I Will surviver. E foi na saída dessa balada, que um grupo de amigos ativistas, o convidaram para invadir um laboratório numa cidade do interior, próxima a capital. Queriam libertar cãezinhos beagles, que segundo informações, estariam sendo usados como cobaias em experiências científicas. Aceitou de pronto.
Invadiram o tal laboratório, resgataram os animais, quebraram alguns móveis das salas laboratoriais, equipamentos da empresa. Enfrentaram a polícia, a imprensa. Deu um quiprocó danado.
Foi nesse mesmo dia, que ele conheceu Eliseu Pinto, foi amor a primeira vista. Comemoraram juntos a libertação dos cãezinhos, e sua saída do armário, Como dizem os entendidos : soltou a franga !
Hoje vivem ele, Eliseu Pinto, dois beagles, um poodle, papagaios, peixinhos, e outros bichos, no velho casarão do Brooklin. A festa do casório vai ser temática, tudo nas cores, e referências do seu time do coração.
Uiiiii...o amor é lindo !
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
" O BODE DA DISCÓRDIA "
Há alguns anos atrás, morava numa comunidade barra-pesadíssima de uma cidade litorânea. Tinha uma gleba de terra, onde ergueu um chalé de madeira, para morar com a família. Ao lado da humilde moradia, funcionava a sua ferraria, Nos fundos, criava aves, porcos, bodes e cabras; e uma pequena horta, muito bem cuidada.
Na ferraria, juntava-se, toda a fauna da malandragem, além charreteiros, carroceiros, cavalariços, e curiosos. Bem falante, fazia amizade com todos que se aproximassem para um dedo de prosa. Numa ocasião, adentra à sua ferraria, um cidadão, velho conhecido seu, acompanhado de um homem alto, forte, aloirado, com um turbante branco enfeitando parte de sua cabeça; trajado de vestes africanas, colares, cordões coloridos e penduricalhos, enfeitando o pescoço até a altura do umbigo. Foi-lhe apresentado pelo velho conhecido como Pai Loló d'Angola, babalorixá de terreiro e de casa santeira. Rosto expressivo, meio bonachão, efeminado nos gestos, e nos dizeres. Foi logo perguntando se Zelão era o engenheiro de obras prontas. Todos riram, inclusive o próprio ferreiro.
Passada a galhofa, dizia estar ali em missão espiritual, pois seu amigo lhe havia dito e garantido, que só ele, Zelão, o ferreiro, poderia resolver sua situação. Porque necessitava de um bode preto, mas preto mesmo, para oferecer a uma das suas divindades. E que o estava cobrando, a oferenda.
O mestre ferreiro, o olhou de cima a baixo com seus olhos pequenos e castanhos claros, como a medir e a absorver cada palavra do "Baba". Ficou em silêncio por alguns segundos e devolveu.
- O bicho eu tenho, mas está apartado, pois está no cio, e quer cruzar com as bichinhas, Por isso não posso, lhe servir agora. E no momento, não me interessa vende-lo.
O rosto do babalorixá, se iluminou, seu largo sorriso, resplandeceu. Batia palminhas, excitado com a possibilidade de poder saldar sua divida. Queria ver o bode de qualquer jeito. Vontade que não lhe foi concedida. Pelo já exposto, bicho apartado, etc e tal. E bota preço, e arreda preço, finalmente foi acertada a venda.
Mesmo sem nem ter visto o bicho, fechou a compra. Preço acertado, bigode no laço. Se foi, com a data do regresso já combinado, para dali três dias. O dia passou sem mais novidades. Encerrado o expediente na ferraria, o nobre artista, vai cuidar de seus animais.
Na data combinada, o babalalorixá chega em uma vistosa caminhonete e mais dois homens, também trajados em panos afros, deviam ser do seu abai tolá. Breve saudação, descem para apanhar o bode. Negro como pedra de carvão, pelo lustroso, manso, puxado por uma pequena corda por um dos homens. Lá se foi, seguiu o seu destino com seu novo dono.
Passadas algumas horas, um carroceiro em visita à ferraria, pergunta a Zelão, se não era o bode Manchinha, aquele que ele vira, na carroceria de uma camionete. Positiva a resposta, acrescenta ainda : - vendi bem, bom preço, cinco vezes mais do que valeria, senão tivesse eu, tingindo a manchinha da cabeça dele, com tinta preta para cabelos.
" Se o caminho é meu..."
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
"CARTAS ESCRITAS, MAS QUE NUNCA CHEGARAM AO DESTINO"
Infância roubada, dignidade aviltada, sodomizadas por pais, tios, irmãos, padrastos, até mesmo pelas mães. Jogadas às ruas como algo descartável, á própria sorte. Nas ruas vendem o corpo, a alma, o espírito, por um lugar para dormir, um prato de comida, por um abrigo onde possam se esconder de si mesmas, de suas histórias, de suas frustrações.
Álcool e drogas, aliviando a dor que não se apaga, a ferida que não se cura, aberta, rasgada; cicatriz na carne, no âmago, no corpo.
Deitam-se como qualquer um, fingem prazer, mentem, enganam, e se enganam. Muitas querem lavar seus corpos e mentes. Lavar do corpo o cheiro, o fedor, de seu agressor. Aquele que roubou sua inocência, sua pureza infantil, sua meninice. Quantas dessas meninas/mulheres, não querem morrer cada dia que acordam ?
Atravessam mares, oceanos de sonhos, para venderem seus serviços no velhos continente, esperando ali encontrar, o mesmo príncipe que vai lhe resgatar, como sonhara quando criança. Mas o sonho acaba nos bordéis de luxo, ou de terceira, nas boates e inferninhos, escravizadas, violentadas e viciadas.
Para bem poucas, a sorte bafeja, casam-se, e enterram a sua personagem. Mas a cicatriz está ali, latente, doente, doída, doente.
Meretriz, puta, biscate, prostituta, garota de programa, rameira, são tantos os adjetivos (des)qualificativos, porém, por trás de cada um deles, existe antes, uma criança, uma menina, uma moça, uma mulher, com os mesmos sonhos que qualquer outra sonha, com as mesmas vaidades, vontades, desejos, projetos, coragem e medo.
O sonho não se acaba, definha.
domingo, 4 de agosto de 2013
" MORRI, E EU ESTAVA LÁ ! "
Chororô, orações discretas, conversas, risos, gargalhas, "causos", anedotas; uns relembravam algumas das minhas aventuras, desventuras, as várias fases da minha louca vida.
Num canto ou em outro, uns falavam bem, outros desciam a lenha, destilavam pilhérias, mas na verdade era só inveja. Quantos desses não haveriam querer viver tudo que vivi. Os lugares por onde andei, viajei, estive, morei. Alguns até diziam que eu tinha sido um perdedor. Eu estava lá...
Ao fundo, num jardim de inverno, improvisaram um pagode. Sambas que eu gostava, de gente da velha e da nova safra. Aos poucos foi juntando gente, à medida que o tempo passava, crescia o número de visitantes. Fila para condolências, abraços, afagos, tapinhas nas costas, dos meus filhos, netos, irmãos, cunhados e sobrinhos, até de primos. Minha velha mãe, estava passada, numa cadeira assentada, meio que perdida, aturdida, sem entender ainda nada. Efeito dos calmantes, na certa.
As ex-esposas, iam chegando; rostos inchados, não sei se de risos, causadas pela alegria da minha partida, ou de choro chorado, das boas lembranças vividas, divididas, dos tempos já distantes. Mal se olhavam. Chegavam também as ex- noivas, namoradas, amantes, os "casos". Se aproximavam do caixão, umas oravam, outras faziam o sinal da cruz em respeito ao defunto - que era eu - algumas vertiam lágrimas sinceras, outras vieram só para ver se era verdade mesmo. Um abraço aqui, um aperto de mão ali, nos amigos, na parentada enlutada, iam se postando e se juntando aos demais. E eu estava ali.
Risadaria no salão ao lado, logo contida por um psiu, olha respeito. O cheiro do marafo, impregnava o ar, tequila, uísque, cerveja e rum, servidos na mesma bandeja do café preto e forte. Era de meu gosto. Não iriam me desapontar.
As horas passavam. O sol pregado no céu, nuvens desenhando figuras, calorão, do jeito que eu gostava. Passarinhos livres e soltos na natureza, gorjeavam, cantos que até aquele fatídico dia, jamais soube identificar a raça. Tudo parecia conspirar a meu favor.
Coroas e mais coroas de flores, de amigos, conhecidos, parentes e desafetos, sempre gostei de flores, não seria agora que iria mudar.
Suando em bicas, entra o padre, todo aprumado em seus quase 90 anos. Meu pai de santo; um amigo muçulmano, convidou um mulá para participar da missa de corpo presente, também vieram um rabino, um pastor e um guru. Sempre defendi e união das religiões, um culto ecumênico seria o mais acertado.
Aos poucos, o som de um samba foi invadindo o velório. Minha doce e amada esposa, agora viúva, fez um pedido aos músicos que haviam organizado o pagode, para que tocassem Timoneiro, defendida por Paulinho da Viola :
" Enquanto mais remo, mais rezo, pra nunca mais se acabar, essa viagem que faz o mar em torno do mar. Meu velho um dia falou, com jeito de avisar : Olha ! O mar não tem cabelos, que a gente possa agarrar.. Não sou eu quem me navega. quem me navega é o mar...é ele que carrega, como se fosse levar..."
Puta que pariuuuu !! Acordeiiii...era um sonhooo !
domingo, 28 de julho de 2013
" ELAS SABEM O QUE QUEREM, SÓ FAZEM JOGO DE CENA ! "
Mulher é bicho esquisito, nos querem proscritos, dependentes, distantes e perto, longe e em lugar incerto; mas na hora do grito, gemido, suspiro, gargalhar e riso, gozo e tremido, somos o bicho mais gostoso, mais cheiroso e mais bonito que Deus inventou !
Oh.. bicho bom que é a mulher !
