Sair da casa dos trinta, é enveredar por um novo caminho, seguir em frente sem ter de olhar para trás e virar estátua de sal. Seguro de si, achando que acumulou muitas experiências de vida. Passamos a vida aprendendo. Quando bebê, a falar, andar, comer; na fase juvenil a sermos arrojados, desprendidos, corajosos para enfrentarmos as regras, os medos e as imposições. Nossos pais nos ensinam a crescer, nos preparam para o futuro que se avizinha com a fase adulta.
O hiato entre a adolescência e a fase adulta, é enorme, um oceano de dúvidas; um labirinto de anseios, questionamentos, incertezas, planos, fugas, esperas, mudanças físicas, amores, descobertas, sexo, perdas e ganhos. Então, tudo se soma, se divide, subtrai, e pouco se multiplica.
A trajetória da fase adulta se resume a poucas coisas, diante de uma nova ordem social que nada tem de novidade e , que se resume em: Formar-se, ter um bom emprego, sucesso profissional, ter independência financeira, amealhar bens, formar uma família, e seguirmos os mesmos exemplos dos nossos pais.
A única coisa que me parece intransferível, é o envelhecer. Nossos pais não nos ensinaram a envelhecer, como nos ensinaram a andar, falar, comer, crescer...
Hugo Carvana, disse certa vez:
- Fugir do envelhecimento, é esquivar-se da razoabilidade.
Olhar para trás depois dos 50, é rememorar toda uma experiência de vida, dela tirar exemplos memoráveis, mesmo que sejam apenas pequenos resquícios, fugazes lembranças, flashes episódicos risíveis, tristonhos, alegres, felizes, mas que tivemos o direito de viver e, isso não pode ser negado, nem roubado.
Envelhecer, no entendimento dos jovens, significa a espera pela morte. Mal sabem eles segurar o candelabro que ilumina os seus caminhos e, nem enxergar na escuridão do tempo que virá.
Já fomos jovens !
