sexta-feira, 21 de março de 2014

" TEMPESTADES DE UM BREVE OUTONO "

Dizem uns, que o vento veio do sul, outros, os mais antigos, a noroeste. O sol era causticante, queimando o corpo, ardia como brasa; a ventania fez subir partículas de areia de praia, que batia no corpo como chicote, olhos, pele do rosto, braços e pernas, eram castigados com os golpes da areia trazida pelo vento. O céu acinzentou-se, as nuvens ficaram entumecidas, robustas; deslocando-se com rapidez, para depois cair em forma de tempestade. Forte, caudalosa, impondo medo, mas depois amainou-se, acalmou-se, refrescando o final de tarde.
O que estava escrito nas areias, pelos enamorados, o vento apagou. Os anéis, os cordões de ouro, prata e latão, o mar trouxe de volta; deixou-os na areia molhada pela chuva.
O outono chegou, as chuvas vão fechando um ciclo iniciado no verão. Agora são as folhas que caem, desnudando as árvores, expondo seus ramos, galhos retorcidos, troncos marcados por rugas, fincando frestas,  marcando o tempo, que passa inexorável.
Novas folhas, novos ramos, novos galhos, novos frutos, renovando a beleza da nossa árvore da vida. Que as dores, as lágrimas, as despedidas, os sonhos desfeitos, o amor perdido, sejam todos como as palavras escritas nas areias das praias : Breve e passageiros, que o vento os leve.
Bem vindo outono !


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