Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
sábado, 28 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
"Abeia Oropa "
Lá no interior do Estado do Piauí, como em outras cidades pelo Brasil afora, ainda existe o sistema de escambo, da troca, da permuta, do negociar, da braganha ( barganha ) e essa forma primitiva de comércio de produtos e/ou coisas, ocorre principalmente nas feiras populares. Troca-se de tudo em dias feira - se possível fosse , até de sogra - sandálias de couro por sementes, passarinho por rádio e por aí vai. Dependendo da cidade, do lugarejo, dia de feira é o acontecimento mais esperado pela população. É onde se encontram velhos conhecidos, comerciantes, agricultores e o povo de modo geral.
Por causa do atraso da chegada do inverno, a terra estava ressequida e os pequenos agricultores, os lavradores meeiros ou pequenos donos de terra, aguardavam ansiosos a época das chuvas para iniciar o plantio. Feijão, milho e até algodão são os cultivos principais. Quem tem água de cacimba inicia antes , quem não tem ou paga a água a terceiros ou espera São José abrir as torneiras do céu. Em Caiçaras ou Caiçara é assim, lugarejo pequeno, cujos habitantes ou são posseiros ou meeiros e, tudo para eles é sacrifício, da água às sementes. Seu Romão pequeno agricultor, sertanejo calejado, rosto vincado pelo sol e pelo sal da terra, conhecedor dos segredos da natureza; não espera o que o céu prometeu. Preparou seu chão, semeou e o cultiva como uma jóia rara. Tem lá suas cabrinhas leiteiras bem vigiadas e guardadas, alguns bodes, criação de galinhas e um jumento chamado Nestor, animal esperto e companheiro de Seu Romão. É tudo o que tem, mas tudo muito bem cuidado. Dias atrás, combinou com dois amigos irem aos arredores de sua pequena propriedade, na mata perto do rio Imirim, sondar uma colmeia. Prometeu aos amigos, Fausto e Zé do Meio, dar-lhes 20% do que colhessem. Trato aceito, rumaram para o leito do rio, que serpenteia a mata.
Fausto, rapazote safo, esperto que só raposa criada em casa, já ia contabilizando o que faria com o resultado da empreitada. Zé do meio, mulato forte, pau para toda obra, seguia na frente, preocupado com a segurança de Seu Romão, seu padrinho, que vinha montado em Nestor, ora desmontava, ora montava. O chão era poeirento e pedregoso, fora os espinhos traiçoeiros. A todo minuto, Fausto perguntava :
- Tá perto ? Tá chegando ?
- Inda não, falta um bocadinho ( Respondia Zé do Meio, já impaciente )
Mais uns minutos e pronto. Numa pequena clareira, Seu Romão decreta, já apeando do animal :
- Chegamos, é aqui ! Tão vendo aqueles umbuzeiros ? Apois, é ali ! (apontando para o arvoredo e já amarrando seu fiel escudeiro Nestor num araçarizeiro)
Fausto de posse de uma foice e de um cajado já ia rumando em direção da colmeia, quando foi atalhado por Zé do Meio :
- Oxiii !! Ondé que tu vai ? E a fumaça rapaz
- Iéé, apois num isqueci ? Faça tu então ! ( diz Fausto, já se livrando do trabalho )
Seu Romão passa o isqueiro ao seu afilhado e esse inicia a fogueira. Mal começa a esfumaçar e Fausto todo afoito, pega uma lata joga os gravedos em chamas para dentro desta e segue para frente da colmeia, não dando ouvidos às reprimendas de Zé do Meio :
- Péra ainda, moço !! Num tem fumaça inda não !!
Fausto o ignora, deixa a lata no chão e com um golpe de foice, abra um rasgo no tronco podre do umbuzeiro. As abelhas enfurecidas saem zumbindo da colmeia, picando a todos. Gritaria, correria, xingamentos :
- As zoropa aí, fio de quenga !! Faça isso não , aiiiiiiiiii !! Uiiii !!
- Seu filho de rapariga !!
Ai, ai, ai, ui, ui, ui e tome correr desenbestadamente mata afora ou em qualquer direção que os livrassem dos ferrões das abelhas
- Filho de um corno !!
O jumento coitado, urrava, berrava, dava coices, puxava a corda que o amarrava aos arbustos tentando livrar-se das abelhas. Até que a corda arrebenta e Nestor sai em desabalada carreira mata adentro !
No dia seguinte, Seu Romão e seus companheiros de aventura, ainda convalesciam das picadas, das dores e da febre que se lhes assenhorou dos corpos. Quanto ao jumento, ninguém sabe do seu paradeiro até hoje !!
Por causa do atraso da chegada do inverno, a terra estava ressequida e os pequenos agricultores, os lavradores meeiros ou pequenos donos de terra, aguardavam ansiosos a época das chuvas para iniciar o plantio. Feijão, milho e até algodão são os cultivos principais. Quem tem água de cacimba inicia antes , quem não tem ou paga a água a terceiros ou espera São José abrir as torneiras do céu. Em Caiçaras ou Caiçara é assim, lugarejo pequeno, cujos habitantes ou são posseiros ou meeiros e, tudo para eles é sacrifício, da água às sementes. Seu Romão pequeno agricultor, sertanejo calejado, rosto vincado pelo sol e pelo sal da terra, conhecedor dos segredos da natureza; não espera o que o céu prometeu. Preparou seu chão, semeou e o cultiva como uma jóia rara. Tem lá suas cabrinhas leiteiras bem vigiadas e guardadas, alguns bodes, criação de galinhas e um jumento chamado Nestor, animal esperto e companheiro de Seu Romão. É tudo o que tem, mas tudo muito bem cuidado. Dias atrás, combinou com dois amigos irem aos arredores de sua pequena propriedade, na mata perto do rio Imirim, sondar uma colmeia. Prometeu aos amigos, Fausto e Zé do Meio, dar-lhes 20% do que colhessem. Trato aceito, rumaram para o leito do rio, que serpenteia a mata.
Fausto, rapazote safo, esperto que só raposa criada em casa, já ia contabilizando o que faria com o resultado da empreitada. Zé do meio, mulato forte, pau para toda obra, seguia na frente, preocupado com a segurança de Seu Romão, seu padrinho, que vinha montado em Nestor, ora desmontava, ora montava. O chão era poeirento e pedregoso, fora os espinhos traiçoeiros. A todo minuto, Fausto perguntava :
- Tá perto ? Tá chegando ?
- Inda não, falta um bocadinho ( Respondia Zé do Meio, já impaciente )
Mais uns minutos e pronto. Numa pequena clareira, Seu Romão decreta, já apeando do animal :
- Chegamos, é aqui ! Tão vendo aqueles umbuzeiros ? Apois, é ali ! (apontando para o arvoredo e já amarrando seu fiel escudeiro Nestor num araçarizeiro)
Fausto de posse de uma foice e de um cajado já ia rumando em direção da colmeia, quando foi atalhado por Zé do Meio :
- Oxiii !! Ondé que tu vai ? E a fumaça rapaz
- Iéé, apois num isqueci ? Faça tu então ! ( diz Fausto, já se livrando do trabalho )
Seu Romão passa o isqueiro ao seu afilhado e esse inicia a fogueira. Mal começa a esfumaçar e Fausto todo afoito, pega uma lata joga os gravedos em chamas para dentro desta e segue para frente da colmeia, não dando ouvidos às reprimendas de Zé do Meio :
- Péra ainda, moço !! Num tem fumaça inda não !!
Fausto o ignora, deixa a lata no chão e com um golpe de foice, abra um rasgo no tronco podre do umbuzeiro. As abelhas enfurecidas saem zumbindo da colmeia, picando a todos. Gritaria, correria, xingamentos :
- As zoropa aí, fio de quenga !! Faça isso não , aiiiiiiiiii !! Uiiii !!
- Seu filho de rapariga !!
Ai, ai, ai, ui, ui, ui e tome correr desenbestadamente mata afora ou em qualquer direção que os livrassem dos ferrões das abelhas
- Filho de um corno !!
O jumento coitado, urrava, berrava, dava coices, puxava a corda que o amarrava aos arbustos tentando livrar-se das abelhas. Até que a corda arrebenta e Nestor sai em desabalada carreira mata adentro !
No dia seguinte, Seu Romão e seus companheiros de aventura, ainda convalesciam das picadas, das dores e da febre que se lhes assenhorou dos corpos. Quanto ao jumento, ninguém sabe do seu paradeiro até hoje !!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
" MAIS FORTE DO QUE O PENSAMENTO"
Auristênio, era um sujeito grande, alto mesmo; gaúcho tradicional, do churrasco ao chimarrão, a pele era branca, influência dos seus avós italianos, por parte de pai e alemães por parte da mãe, os cabelos eram meio alourados, os olhos duas pedras de turquesa, falava e gesticulava ao mesmo tempo, sua voz era como um trovão, tinha o sotaque bem carregado; tratava a todos como se já os conhecesse à tempos. Era uma figura carismática, camarada e solidária - jamais proferiu um não, a um favor que lhe fôra pedido - Aventurava-se por esse brasilzão, atrás do volante de seu "bruto" - era assim que tratava sua carreta - pra cima e para baixo, transportando todo tipo de carga; não negava frete, onde quer que fosse, ele abraçava o trabalho.
Certo dia, o agenciador lhe propôs que transportasse uma carga de transformadores elétricos, desses de milhões de mega-watts - é assim que se escreve , né ? - que deveria ser entregue no Estado de Minas Gerais, na cidade de Matosinhos, a carga era pesada, porém o frete era muito bom, além do mais, voltaria com uma carga de sacas de café. Acerto feito, pé nas estrada. Depois de 18 horas de viagem, a carga de transformadores foi entregue. Foi uma luta na estrada, chuva, neblina, buracos e muito cansaço. Agora é descansar um pouco e seguir até o próximo frete. Depois de um descanso de apenas duas horas, estrada novamente. A carga da volta estaria em uma fazenda cafeeira, que distava cerca de 40 kms. Um dos caminhos até a fazenda era uma estradinha vicinal; enlameada, esburacada e estreita. Todo cuidadoso, Auristênio, conduzia sem "bruto"; atolar ali seria um desastre !! Não havia socorro, guincho? Nem por decreto. Seguia devagar, ladeira após ladeira, escorrega, desliza, sobe desce. Enfim, depois de tanto sofrimento e lama, chega à fazenda.
Enquanto carregam o caminhão, o capataz da fazenda, lhe oferece banho é bóia. Banho tomado, Auristênio, toma seu lugar à mesa do restaurante, - não é todo lugar que dão esse conforto - o cardápio era leitão a pururuca, assum, arroz na banha, feijão com carne de porco, salada, farofa e uma "lambada de serpente" da terra. Esfomeado, repetiu duas vezes. O sono veio forte. Agradeceu a bóia e foi dormi na boléia da carreta. Barriga cheia, sono profundo. Por volta das 18:00 hrs, bateram à porta, a carga já estava embarcada. Conferiu carga e papelada. Agradeceu e despediu-se. Estrada novamente, desta vez o cuidado seria redobrado, a chuva havia voltado e a estrada deveria estar em pior estado de que quando chegara.
Devagar, seguia seu rumo. De repente, sentiu que o almoço não só lhe pesara no estômago, mas como também, seu efeito retardado no intestino: Glo, glo, glóóóóó !! Prrrarrr ráááá´!! A cólica veio forte e quase incontrolável, um movimento em falso e tudo estaria perdido ou contido pela cuéca e pelas calças, esparramaria seu forte odor pela boléia, quiçá as provas do lauto almoço pelo assoalho do bruto !!
Ptzzzz !! Freiou o caminhão e de um salto, correu pela mata para se aliviar. Deu tempo só de levar consigo uma lanterna para "alumiá" o caminho. Deixou a lanterna fixada a um arbusto e entregou-se às forças incontidas e incontroláveis da natureza do homem. Estava tão absorto, que nem notou o barulho que vinha da mata; pisadas compassadas, quebrando galhos secos, ora parava, ora continuava, à medida que avançava, o barulho na mata aumentava, despertando a atenção de Auristênio. Surpreso e assustado, o motorista, cessa momentâneamente o trabalho de quase parto; levanta a lanterna a altura do rosto e agachado mesmo e com a voz esganiçada, quase inaudível, solta :
- Quem vem lá ?
Do outro lado , mais assustado ainda com a cena - pois deu-se com um ser atarracado, braços longos, com a cabeça soltando uma luz branca, quase não deixando à vista mais nada - uma voz de homem irrompe num quase grito :
- Sou eu !! Benevides Sobral, brasileiro, casado, mateiro de profissão, venho em paz , câmbio !!!
Por sua vez, o motorista, refeito do susto, replica :
- Auristênio, gaúcho, motorista !! Cagando !!!!
Certo dia, o agenciador lhe propôs que transportasse uma carga de transformadores elétricos, desses de milhões de mega-watts - é assim que se escreve , né ? - que deveria ser entregue no Estado de Minas Gerais, na cidade de Matosinhos, a carga era pesada, porém o frete era muito bom, além do mais, voltaria com uma carga de sacas de café. Acerto feito, pé nas estrada. Depois de 18 horas de viagem, a carga de transformadores foi entregue. Foi uma luta na estrada, chuva, neblina, buracos e muito cansaço. Agora é descansar um pouco e seguir até o próximo frete. Depois de um descanso de apenas duas horas, estrada novamente. A carga da volta estaria em uma fazenda cafeeira, que distava cerca de 40 kms. Um dos caminhos até a fazenda era uma estradinha vicinal; enlameada, esburacada e estreita. Todo cuidadoso, Auristênio, conduzia sem "bruto"; atolar ali seria um desastre !! Não havia socorro, guincho? Nem por decreto. Seguia devagar, ladeira após ladeira, escorrega, desliza, sobe desce. Enfim, depois de tanto sofrimento e lama, chega à fazenda.
Enquanto carregam o caminhão, o capataz da fazenda, lhe oferece banho é bóia. Banho tomado, Auristênio, toma seu lugar à mesa do restaurante, - não é todo lugar que dão esse conforto - o cardápio era leitão a pururuca, assum, arroz na banha, feijão com carne de porco, salada, farofa e uma "lambada de serpente" da terra. Esfomeado, repetiu duas vezes. O sono veio forte. Agradeceu a bóia e foi dormi na boléia da carreta. Barriga cheia, sono profundo. Por volta das 18:00 hrs, bateram à porta, a carga já estava embarcada. Conferiu carga e papelada. Agradeceu e despediu-se. Estrada novamente, desta vez o cuidado seria redobrado, a chuva havia voltado e a estrada deveria estar em pior estado de que quando chegara.
Devagar, seguia seu rumo. De repente, sentiu que o almoço não só lhe pesara no estômago, mas como também, seu efeito retardado no intestino: Glo, glo, glóóóóó !! Prrrarrr ráááá´!! A cólica veio forte e quase incontrolável, um movimento em falso e tudo estaria perdido ou contido pela cuéca e pelas calças, esparramaria seu forte odor pela boléia, quiçá as provas do lauto almoço pelo assoalho do bruto !!
Ptzzzz !! Freiou o caminhão e de um salto, correu pela mata para se aliviar. Deu tempo só de levar consigo uma lanterna para "alumiá" o caminho. Deixou a lanterna fixada a um arbusto e entregou-se às forças incontidas e incontroláveis da natureza do homem. Estava tão absorto, que nem notou o barulho que vinha da mata; pisadas compassadas, quebrando galhos secos, ora parava, ora continuava, à medida que avançava, o barulho na mata aumentava, despertando a atenção de Auristênio. Surpreso e assustado, o motorista, cessa momentâneamente o trabalho de quase parto; levanta a lanterna a altura do rosto e agachado mesmo e com a voz esganiçada, quase inaudível, solta :
- Quem vem lá ?
Do outro lado , mais assustado ainda com a cena - pois deu-se com um ser atarracado, braços longos, com a cabeça soltando uma luz branca, quase não deixando à vista mais nada - uma voz de homem irrompe num quase grito :
- Sou eu !! Benevides Sobral, brasileiro, casado, mateiro de profissão, venho em paz , câmbio !!!
Por sua vez, o motorista, refeito do susto, replica :
- Auristênio, gaúcho, motorista !! Cagando !!!!
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O FORRÓ DE "SEO" NICANOR
Sábado é um dia especial, é o dia que marca o fim de uma semana de trabalho árduo; principalmente para trabalhadores da construção civil, empregados domésticos, comerciários, ambulantes, etc... é um dia a se comemorar. Sábado também é o dia da "paga", dia de receber o vale semanal, o dinheiro que vai botar um sorriso na cara do trabalhador. É o dia em que Marinaldo, mais espera, mais deseja. Pernambucano de Quipapá, semi-árido de Pernambuco; Marinaldo veio tentar a sorte na cidade grande; escolheu São Paulo, pelas oportunidades que cidade oferece àqueles que têm vontade e coragem de vencer. Não tendo nenhuma formação escolar, nem mesmo profíssional, Marinaldo logo que chegou, não demorou a arranjar emprego, queria trabalhar para ajudar seus pais, que ficaram na distante e saudosa Quipapá. Seu primeiro emprego foi de servente de pedreiro na construção civil. Penou feito mula de padre nos primeiros meses, não aguentava o frio de São Paulo, a saudade da terra e dos pais. Mas aos poucos foi se adaptando. A obra era no bairro de Alto da Lapa, zona oeste , um edifício de padrão AA. Estava na construção do edifício, desde as primeiras fundações. Já haviam passados três anos e meio da sua chegada. No próprio emprego se alfabetizou e não parou mais, fez o ensino médio e também cursos profissionalizantes. Danado esse menino! Hoje já é contra-mestre, tem um salário razoável, mora na periferia em casa popular e continua ajudando os pais - que nunca quiseram vir nem para visitá-lo, dizem que têm medo da violência - Cabra manhoso esse Marinaldo, nem pensa em se casar, quer mesmo é viver a solteiriçe, curtir a vida e ... zoar no forró !!
Depois do expediente do meio expediente de sábado, já com a paga, na carteira , Marinaldo vai ao barbeiro, ajeita barba e cabelo. Toma o ônibus e viaja hora e meia para chegar à sua casa. Passa no bar do Lagoa, toma um coice de mula e uma cerveja gelada, bate papo com os amigos, joga uma partida de dominó e depois vai pra casa.
Depois do cochilo- que ninguém é de ferro - Marinaldo, toma um banho, passa uma água de cheiro, veste sua melhor roupa e segue pro lugar que mais gosta de estar aos sábados : O Forró de "seo" Nicanor. É lá que ele se diverte. E como ele mesmo diz :
- O cabra tem que ficar mais bonito e colorido do que abajur de puteiro, cheiroso feito "fio" de barbeiro e joiado quinem cigano. Pumódi da muié notá !
E lá vai Marinaldo, todo faceiro, pro forró
O salão é grande , porém acanhado, não tem o glamour das grandes casas de espetáculo, mas o povo quer é se divertir, molhar a camisa, arrastar o pé, chacoalhar a moranga, assustar o fígado e ... namorar. Quem liga pra luxo é jurado de desfile de escola de samba. E tome forrozar ! Marinaldo todo suado, feito pão doce de padaria, encosta no bar e pede uma gelada. Olha pro lado e avista uma morena, estatura mediana, cabelos pretos, unhas pintadas de vermelho, lábios carnudos, figura difícil de não ser notada. trocam olhares. Marinaldo se enche de coragem e vai até a morena :
- Olá, sou Marinaldo, aceita uma cervejinha ?
- Gosto não ! Mas aceito um pepper ( retruca a brejeira morena, batendo as pestanas mais que olho de cego )
- O Ciço !! Dá um pepper aí !! ( Pede para o balconista do bar do forró )
Voltando-se para a morena, retoma o diálogo
- Então...nunca vi você por aqui, é sua 1ª vez na casa ? Como é mesmo seu nome ?
- É não...é a 2ª vez que venho..meu nome é Aurinice, mas pode me chamar de Nicinha ( toda cheia de dengo )
Marinaldo aproveita a deixa e a convida para dançar. Os dois não se largaram mais. Forrozaram a noite toda, era um chamego só. Abraçadinhos saíram do baile, já amanhecia o dia, o sol brilhava no céu e abrasava o coração e as intenções do peão. Pararam em uma padaria para beber a saideira. Já se sentindo dono da situação e da morena, Marinaldo faz um convite para Nicinha :
- Que tal a gente ir lá pra casa ouvir um forrózinho e prosear um pouco ? a gente vai se conhecendo...
Mal termina o que vai dizer e a morena corta
- Posso não, moro mais minha tia, num posso dormir fora não..
Marinaldo atalha
- Mas nós num vamo durmir não , vamo ficar acordadinhos conversando, vamo lá "neguinha" - fala Marinaldo , cheio de amor para dar -
- Mas a gente nem se conhece direito, posso não ! ( Fala Nicinha demonstrando pouca convicção )
-Ahh, bora lá,
Pensativa e olhando para o chão, Nicinha concorda
- Mas não posso passar das oito tá ? Posso pedir um favor ?
- Peça minha princesa ? - Já dando um cheiro no cangote da morena -
- Tu compra umas cervejas pra tu e uma dose de pepper pra mim ?
- Teu pedido é uma ordem.
Instalados na sala, a conversa corria solta, falavam das coisa de suas terras, de suas vidas, bebericavam, lá pelas tantas, Nicinha pede para ir ao banheiro.
- É ali ó - apontando para uma porta no corredor da casa.
- Posso jogar uma água no corpo, hein meu bem ? ( Jogando charme )
Marinaldo pensou : Tá fisgada, é hoje.
- O meu coração, pode sim, lá tem uma toalha novinha; pode usar.
- Então vamos brindar - já com um copo de pepper na mão e oferecendo para Marinaldo beber um trago.
Bebeu tudo de um gole só, limpou o canto da boca com a mão e tascou um beijo de cinema na morena.
- Oxi homem !! Perainda, xeu tomar um banhinho, é já que volto - sai pelo corredor em direção ao banheiro.
Marinaldo se ajeitou no sofá, empurrou a mesa de centro com os pés, deu uma arrumada nas almofadas e se jogou no sono dos justos. Uma sonequinha não faz mal nenhum para o guerreiro.
Acordou sobre saltado, meio sonolento, sem entender direito onde estava, aos poucos foi se assenhorando das lembranças...
- Rapaz cadê Nicinha ? Oxi que horas são ?
Olhou para o relógio passava das 2 da tarde
Chamou por Nicinha e nada...foi ao banheiro e nada
- Oxi cadê a mulher ? Voltou para a sala e notou que a TV e o tocador de CD's , não estavam no rack, vestiu as calças apressadamente, procurou a carteira e nada...
Nem carteira, nem dinheiro, nem TV, muito menos o tocador de CD's e, nem Nicinha.
Na mesa de centro um bilhete onde se lia :
- Boa noite Cinderela !!!
Depois do expediente do meio expediente de sábado, já com a paga, na carteira , Marinaldo vai ao barbeiro, ajeita barba e cabelo. Toma o ônibus e viaja hora e meia para chegar à sua casa. Passa no bar do Lagoa, toma um coice de mula e uma cerveja gelada, bate papo com os amigos, joga uma partida de dominó e depois vai pra casa.
Depois do cochilo- que ninguém é de ferro - Marinaldo, toma um banho, passa uma água de cheiro, veste sua melhor roupa e segue pro lugar que mais gosta de estar aos sábados : O Forró de "seo" Nicanor. É lá que ele se diverte. E como ele mesmo diz :
- O cabra tem que ficar mais bonito e colorido do que abajur de puteiro, cheiroso feito "fio" de barbeiro e joiado quinem cigano. Pumódi da muié notá !
E lá vai Marinaldo, todo faceiro, pro forró
O salão é grande , porém acanhado, não tem o glamour das grandes casas de espetáculo, mas o povo quer é se divertir, molhar a camisa, arrastar o pé, chacoalhar a moranga, assustar o fígado e ... namorar. Quem liga pra luxo é jurado de desfile de escola de samba. E tome forrozar ! Marinaldo todo suado, feito pão doce de padaria, encosta no bar e pede uma gelada. Olha pro lado e avista uma morena, estatura mediana, cabelos pretos, unhas pintadas de vermelho, lábios carnudos, figura difícil de não ser notada. trocam olhares. Marinaldo se enche de coragem e vai até a morena :
- Olá, sou Marinaldo, aceita uma cervejinha ?
- Gosto não ! Mas aceito um pepper ( retruca a brejeira morena, batendo as pestanas mais que olho de cego )
- O Ciço !! Dá um pepper aí !! ( Pede para o balconista do bar do forró )
Voltando-se para a morena, retoma o diálogo
- Então...nunca vi você por aqui, é sua 1ª vez na casa ? Como é mesmo seu nome ?
- É não...é a 2ª vez que venho..meu nome é Aurinice, mas pode me chamar de Nicinha ( toda cheia de dengo )
Marinaldo aproveita a deixa e a convida para dançar. Os dois não se largaram mais. Forrozaram a noite toda, era um chamego só. Abraçadinhos saíram do baile, já amanhecia o dia, o sol brilhava no céu e abrasava o coração e as intenções do peão. Pararam em uma padaria para beber a saideira. Já se sentindo dono da situação e da morena, Marinaldo faz um convite para Nicinha :
- Que tal a gente ir lá pra casa ouvir um forrózinho e prosear um pouco ? a gente vai se conhecendo...
Mal termina o que vai dizer e a morena corta
- Posso não, moro mais minha tia, num posso dormir fora não..
Marinaldo atalha
- Mas nós num vamo durmir não , vamo ficar acordadinhos conversando, vamo lá "neguinha" - fala Marinaldo , cheio de amor para dar -
- Mas a gente nem se conhece direito, posso não ! ( Fala Nicinha demonstrando pouca convicção )
-Ahh, bora lá,
Pensativa e olhando para o chão, Nicinha concorda
- Mas não posso passar das oito tá ? Posso pedir um favor ?
- Peça minha princesa ? - Já dando um cheiro no cangote da morena -
- Tu compra umas cervejas pra tu e uma dose de pepper pra mim ?
- Teu pedido é uma ordem.
Instalados na sala, a conversa corria solta, falavam das coisa de suas terras, de suas vidas, bebericavam, lá pelas tantas, Nicinha pede para ir ao banheiro.
- É ali ó - apontando para uma porta no corredor da casa.
- Posso jogar uma água no corpo, hein meu bem ? ( Jogando charme )
Marinaldo pensou : Tá fisgada, é hoje.
- O meu coração, pode sim, lá tem uma toalha novinha; pode usar.
- Então vamos brindar - já com um copo de pepper na mão e oferecendo para Marinaldo beber um trago.
Bebeu tudo de um gole só, limpou o canto da boca com a mão e tascou um beijo de cinema na morena.
- Oxi homem !! Perainda, xeu tomar um banhinho, é já que volto - sai pelo corredor em direção ao banheiro.
Marinaldo se ajeitou no sofá, empurrou a mesa de centro com os pés, deu uma arrumada nas almofadas e se jogou no sono dos justos. Uma sonequinha não faz mal nenhum para o guerreiro.
Acordou sobre saltado, meio sonolento, sem entender direito onde estava, aos poucos foi se assenhorando das lembranças...
- Rapaz cadê Nicinha ? Oxi que horas são ?
Olhou para o relógio passava das 2 da tarde
Chamou por Nicinha e nada...foi ao banheiro e nada
- Oxi cadê a mulher ? Voltou para a sala e notou que a TV e o tocador de CD's , não estavam no rack, vestiu as calças apressadamente, procurou a carteira e nada...
Nem carteira, nem dinheiro, nem TV, muito menos o tocador de CD's e, nem Nicinha.
Na mesa de centro um bilhete onde se lia :
- Boa noite Cinderela !!!
Assinar:
Comentários (Atom)
