sexta-feira, 29 de agosto de 2014

"TODA MULHER SONHAR TER..."

Ainda há sonhos, ainda há os sonhares, uma chuva de rosas vermelhas, um buquê inesperado deixado na soleira da porta com um cartão anônimo; uma noite regada a champanhe, luz de velas,  jantar a dois. Alguém  que puxe a cadeira, abra a porta gentilmente, que leve café na cama, que reconheça os signos, os códigos de uma leve levantada de sobrancelha, que perceba as nuances que cercam os dias que antecedem a TPM, que saiba ver nos olhos um pedido, nos gestos anseios, tristezas, felicidades e alegrias. Que possa ser o ouvidor, o conselheiro, ou que simplesmente silencie nas horas de fúria. Que seja o amante ideal, que a transforme em dama no social, e uma prostituta na cama. Que não esqueça as datas, aniversário, de casamento, do noivado, primeiro encontro, primeiro beijo, primeira transa. E o que também é importante, chocolate, muito chocolate, branco, doce, amargo, meio amargo, bombons, trufas, uma taça de vinho, que nunca a presentei com aparelhos domésticos, louças, enfeites de geladeira.
E, quando forem para o motel, o qual sempre sonhou um dia ter uma noite de amor, deixe que leve de brinde a toalha, os chinelos e shampoos.
Cada uma tem um sonho, e cada uma idealiza seu grande amor, seja ele montado no cavalo branco, numa Lomborghini, Ferrari, SUV branca. Que a leve numa tour por Paris, Nova Iorque, Londres, Alpes Suíços, e que no verão passem num chalé a beira mar.
Mas que nunca as impeçam de sonhar, de idealizar !

terça-feira, 19 de agosto de 2014

"back to back"

Um dia atípico, tarde modorrenta, e início de noite sem sabores, sem os mesmos aromas, ainda que o mesmo doce perfume; uma noite de dúvidas, dívidas interiores, cobranças. Ventos frios, gélidos, arrepios não causados por tesão ou amor sem sentido, talvez vislumbrando, antecipando o sal amargo, um trago abusado de álcool sem a mesma energia antiga, causada por uma confissão fora de hora, dessabor em saber que não tem a mesma importância que já teve um dia.
Proposital ou não, enterrou o que ainda latejava, vivificava insistentemente, mas que morreu no dia.
E o dia virou noite, a noite madrugou em sonhos ruins, em percepções tristes, insensíveis.
A noite das descobertas, de comemorar uma data, de renovar as esperanças renascidas como Fênix, naquela tarde-noite-madrugada-dia.
Vou enterrando o que sinto a cada dia !



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"ENSAIO SOBRE CHINELOS...PARTE II - O começo do fim"

Camisa, blazer e chinelos esquecidos, não são o bilhete de regresso; o presente guardado e não entregue por falta de data, embalado numa caixa com estampas coloridas em relevo, envolto num 
golden bag, tem destinatário, endereço certos, mas não o mesma aura de quando é entregue em mãos; não faz brilhar os olhos, não arranca sorrisos francos, às vezes tímidos, não leva o calor de um abraço apertado, um querer eternizar o momento selado com um beijo. Fica só a frieza de um papel assinado, um canhoto acusando o recebimento. A memória veloz voltando no tempo onde a despedida era breve, sabendo de um novo reencontro sem data definida. A expectativa não é a mesma, pois sabe que não mais haverá um possível retorno. O presente recebido carregado de passado, vai ter o aroma do mesmo perfume, atiçando memórias olfativas. Talvez viajar aos bons dias, às risadas, os olhares, os toques, carícias...
Um dia quem sabe o presente enfeitará o corpo, então sorrirá no apagar da noite no começo de um novo dia.
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