As chegadas são mais alegres, felizes e festivas do que as partidas. A primeira é cercada de expectativas positivas, boas energias, ansiedade, friozinho na barriga, um quase êxtase .
Quem já foi pai ou mãe de primeira viagem, sabe do que estou falando; ou aquele (a) que aguardou o regresso de um amor, de um filho, parente ou amigo, nas alas de desembarque de aeroportos e rodoviárias. É alta ansiedade ao cubo. Uma euforia incontida, até explodir em sorrisos e muitas vezes em lágrimas de felicidade.
A segunda, a partida, a ida, é dolorosa. Ensejando dúvidas quanto ao regresso, o tempo que não vai passar tão rápido quanto desejado ou planejado; mesmo que saibamos que tudo é uma questão de adaptação daqueles que aqui ficaram, e dos que partiram para novas conquistas, em busca de novos rumos, novos horizontes para a vida; novo trabalho, negócios, turismo, estudos, e até mesmo arriscando-se no incerto, na duvidosa alça da ilusão de terras estrangeiras.
Mas, a partida antes do combinado, é ainda mais surpreendente, triste, avassaladora, chocante,
irremediavelmente danosa aos nossos mais profundos e solitários sentimentos.
Perder um ente querido, um amor, um filho, colega, amigo, chapa, um mano, brother, parceiro,
sem aviso-prévio, é sacanagem.
Estivemos juntos recentemente, conversamos, bebemos, tricotamos, fofocamos, trocamos receitas, mensagens, bebemos uma, falamos mal da vida alheia, dos políticos, troçamos sobre os resultados do futebol, etc... - É assim que reagimos quando recebemos a notícia da morte/passagem de alguém querido.
Buscamos, conscientes ou inconscientemente, nessas reações, uma muleta, um suporte, um anteparo para tentar traze-los de volta à vida, resgatar os bons momentos de convivência que tivemos juntos.
Infelizmente, a cota foi preenchida, a missão chega ao fim, termina, se encerra, se finda, até mesmo pode ser que tenha sido antecipada, mas não sabemos com certeza. E a nossa única
certeza na vida, é a morte.
Ir, sem estar rodeado daqueles a quem amamos, daquela(e) a quem devotamos amor, compartilhamos horas, dias e anos, não está no script. Morrer só, consigo mesmo, é de doer.
Boa viagem Flávio Guerra !!
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
" A LENDA DA PEQUENA GUERREIRA - PARA FILHOS E PAIS "
O formato do rosto, era tal e qual, o de boneca de argila, olhos vivos, boca pequena, lábios proeminentes e grossos, os cabelos ora eram cacheados, ora cortados à altura dos ombros, pouco acima, pouco abaixo. Perninhas torneadas, mãos sempre escondidas nas costas. Os pés pequenos, completava sua delicada silhueta.
Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.
Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.
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