A noite cai, vai tingindo o céu de azul escuro, cobrindo ele com estrelas cintilantes O vento frio corre para o mar, e os barcos são só sombras distantes A noite caiu, ocultou a praia, cobriu o cais o pier sumiu, já não vejo mais Sento no banco, ouço as ondas em luta com as pedras do cais Peço mais outra,
Essencial, palavra complexa, diz tudo e nada, exprime o que pode ser de extrema importância a alguém ou coisa. Mas o que é essencial ? A saúde, o trabalho, a família, os amigos, aprender um idioma, ter bens, amizades, viajar, conhecer, estudar, uma convicção política, ter fé, não tê-la, o que na essência é essencial ? Ter liberdade, ir e vir, de pensar, agir ? O amor ? O tesão, ter alguém com quem dividir as dúvidas, angustias, as alegrias, sorrisos, tristezas, o que é essencial ? Para uns seria a soma de tudo que está escrito, logo acima. Para outros, nem tudo. Nós, seres humanos, somos complexos, queremos tudo e nada. Na verdade, queremos aquilo que nos convém, que nos deixe em uma situação confortável, somos egoístas. Ser feliz é essencial, sorrir, ser alegre, simpático (a), tudo tem quer ter uma colher do essencial, ou não !? E tudo é passageiro em nossas vidas, até nós mesmos , não é ? O essencial, mesmo, de vera, de verdade, é que nos preparemos para o essencial , e o que em essência é primordial, é saber viver. Bora viver !
Patty e Ruy, formavam um belo casal, jovens ainda, na casa dos 35 anos, bem resolvidos na vida, estavam juntos a pouco mais de 7 anos, resolveram não ter um casamento formal, com padrinhos, igreja, testemunhas, burocracia nem festa. Queriam estar juntos, e isso lhes bastava. Viajavam, iam à balada, enfim se curtiam, viviam a relação sem sobressaltos. Até que um dia, uma sexta-feira, Patty e Ruy assistiam a um filme juntos, pipoca e vinho tinto seco, para acompanhar, o filme era uma comédia romântica, água com açúcar. De repente Patty, interrompe o vídeo, deu um pause, levantou-se do sofá, jogou sua almofada predileta num canto, e postou-se em frente a um Ruy atônito, meio assustado e surpreso com a atitude intempestiva da amada. Ela descambou a falar sem parar, foram minutos que pareciam eternos. Fumava, bebia, e falava, falava sem parar. Se era para ser uma DR ( discutindo a relação ), ficou apenas no monólogo. Ruy ouviu tudo, calado, tentando colocar em ordem tudo que ouviu; não conseguia entender os por quês, ou não absorvendo as vontades, os desejos da até então esposa. Em suma, ela queria um pouco de liberdade, sair com amigas, ir e vir sem muitas responsabilidades e satisfações. Dizia estar se sentindo aprisionada, e que poderiam manter a relação nas suas condições. Ruy pediu um tempo para pensar, e entender todas as vontades da esposa. Retirou-se da sala, e foi dormir. Passou a noite pondo sua vida conjugal a limpo, queria saber onde havia errado, em que ponto falhou, o quê levou Patty a chegar a tal ponto. Não dormiu bem, lógico. Os dias se passaram, meses, e tudo corria como queria Patty, mantinha os mesmos programas com o marido, baladas, viagens, cinema, teatro, bares, e em paralelo saía com as amigas. Criou um novo circulo de amizades, ia a lugares diferentes, chegava com sol pregado no céu, deitava e dormia. Certo dia, numa das baladas conheceu um rapaz, apresentado por uma das amigas, era modelo fotográfico e praticante de fisiculturismo, alto, forte, cabelos curtos espetados à gel, semblante juvenil, sorriso fácil, conversaram e se divertiram juntos a noite toda. Seu nome era Alan, tornaram-se amigos inseparáveis das baladas, dos celulares, face, msn etc... Sexta-feira, dia de abalar, se produzir e...cair na gandaia. Mais uma vez as mesmas amigas e... Alan na parada. Bebida, dança, dança, bebida, papo, suor, álcool, combinação quase perfeita, lá pelas tantas já embriagados, Alan propõe a Patty, irem para um lugar mais exclusivo, um ambiente mais intimo. Rolou ! Patty não resistiu aos encantos do "sereio", saíram em seu carro, porque Alan não tinha um automóvel. Ela dirigiu até um motel distante de seu bairro. O sexo foi micho, o rapaz não era nada criativo, seu desempenho nada tinha a ver com seu corpanzil, seu instrumento não passava de uma mera verruga, e fez como o pato, caiu de costas e dormiu. Patty pegou no sono. Quando acordou, percebeu que estava sozinha na cama, foi ao toilete, e nada de Alan. O interfone toca, a recepcionista avisa a ela que as 12 hrs do período, já se haviam esgotadas. Confusa, mal toma uma ducha, se veste, procura pela bolsa, apanha seus pertences e sai do quarto. Na recepção apresentam-lhe a conta, R$ 500,00, fica atônita, pergunta se o seu acompanhante não havia pago, recebe uma negativa. Abre a carteira e percebe que sumiram pelo menos R$ 250,00, só ficaram as notas miúdas. Pagou com cartão de crédito, e se foi. Passava das 15:00 hs, quando chegou à sua residência. Sentia-se mal, fora tratada como uma qualquer, e ainda roubada, queria lavar-se por dentro, chorar, gritar, berrar. Abriu a porta e entrou. Para sua surpresa, a sala estava vazia, cozinha, quartos, não havia mais móveis, tudo havia desaparecido, entrou em desespero, roubaram tudo à noite passada, entraram na ausência dela e do marido e a tudo roubaram ! Andou pela casa, ao chegar na porta da dispensa, encontra um bilhete, e nele estava escrito : " Querida Patrícia, em conformidade com o exposto no documento que você assinou, e eu prontamente reconheci firma e dei legalidade, e em que você concorda que entre nós mais nada resta, e que abre mão de quaisquer bens que amealhamos nos anos em que juntos ficamos, só me resta te desejar sorte e por favor deixe sua chaves com o vizinho porque a casa eu já vendi. Se não quiser ir para casa de seus pais, quem sabe uma de suas amigas te receba ! " Não se pode subestimar as vontades alheias, não é verdade ?
Xícara com café fumegante, cadeira de cana-da-índia, recosto de penas de ganso, janela aberta e voltada para a rua, a única visão eram os topos das copas das árvores, alguns prédios, e a curva no início da rua. Ficava ali horas, fumando, bebendo café, lendo um amarrotado jornal, e vez por outra levantava-se, e olhava em direção à curva da rua, como se estivesse a esperar por alguém. Punha-se em pé por alguns minutos, cigarro no canto da boca, óculos na ponta do nariz, olhando movimento de carros e pessoas, indo e vindo; meneava a cabeça como se discordasse de algo, e volta a sentar-se. Da última vez que nos vimos, cumprimentou-nos com um breve aceno de mão. De dentro de seu apartamento saía uma música em alto volume; creio que era Frank Sinatra, cantando My Way. Tinha em uma das mãos uma garrafa de bebida, não vi copo, somente a garrafa, bebericava do gargalo. Também foi a primeira vez que eu o vi sorrindo. Não era um sujeito alto, creio deveria ter cerca de 1,80 m, corpanzil, cabelos enbranquiçados, ralos e raros, uma quase calva. O porteiro do prédio onde ele morava, me confidenciou que no passado, havia sido escritor de romances de bolso, e que desiludido, não se sabe se por amor, ou pela vida; aposentou-se e vivia recluso. Não contava mais de 60 anos. gostava de ouvir música, receber mulheres de programa, beber e ler jornais. Falava pouco, pouco saia de sua morada. Chovia, e sua janela ainda estava aberta, passava das 11 horas da noite, quando a notícia chegou, caiu como um raio, não quis acreditar; Franz o escritor, deu cabo à vida. O velório contava c poucas pessoas, algumas pessoas do meio literário, boêmios, uns poucos amigos e uma senhora ainda jovem , toda vestida de preto. Dizem que era uma de suas preferidas. Chorava à bandeira desfraldada, não sei era amor ou piedade. A janela amanheceu fechada !
"Manda quem pode, obedece quem tem juízo ! " Essa máxima é um tanto quanto autoritária, descabida, porém serve para alguma coisa. Como sou um ser libertário, não nasci para obedecer ordens, regras, fazer concessões, entender a vida, pela ótica de certas regras e conveniências. Aceito, mas não diluo, não consigo engolir muito bem; mas se existem, é porque as fizeram, senão a vida seria uma bagunça, então vou absorvendo como quem bebe chá de losna, é ruim, mas serve para combater algum mal. Minha vida é um eterno recomeço, já nem sinto mais as pancadas, o couro ficou duro, grosso, penso que nem mais couro é, deve ser como aquela carapaça que envolve o rinoceronte, dura ! Ganhar e perder faz parte. Acredita que eu nem jogar baralho, sinuca, porrinha ( jogo de palitos ), dominó, game, etc... eu sei ? Prefiro as coisas do coração, dá mais emoção, mais tesão de viver, de sentir; as coisas de ilusão, feito o jogo, o amor também tem. É como andar sobre o fio da navalha, se vacilar, dança. Outra coisa, o tempo vai passando, os anos vão chegando e partindo, mas nada muda, só muda os personagens, amor é assim; bom de viver, que seja eterno enquanto dure. Quero morrer acreditando no amor. Você deve estar pensando que sou louco, maluco, que deu piti, que nada ! Se eu não acreditar, se eu não amar, a vida para mim não vai ter graça. Sou dono de mim, do meu coração, da minha liberdade, das minhas vontades, dos meus desejos ! Um conselho : Tenha coragem !
A gente se encaixa, se perde e se acha, se encontra Nos perdemos, nos colamos, dormimos e acordamos Se encaixa, e acha que passa, quando o dia amanhece Você se desespera, quando a estrada termina, e a realidade te trás de volta O tempo passa, a gente se encaixa, se cola, deita e rola O dia cai, a tarde vem, a noite que passa, você quer não querendo e fica com medo... Quer, mas pode, pode mas não quer e o tempo passa e tudo termina e tudo começa como uma roda viva !