Luzes acessas, janelas abertas, ar condicionado desligado, frescor da tarde entrando pelo quarto, os dois deitados, estirados na cama, no estágio do pós. Olhos pregados no teto, quietos, respiração curta, estado zen.
A vida passara rápido para os dois; cada um vivendo seu próprio tempo, experiências e vidas. Seus caminhos se entrecruzaram, porém jamais se fundiram. Estavam ali como numa despedida de uma noite morna; pesando a relação.
Não havia fumaça nem odor de fumo, apenas o cheiro forte de álcool dos muitos copos de tequila, uísque, vinho tinto e garrafas de cerveja, recendendo no ar.
Deixaram de dizer um para o outro, em noites anteriores, o fundamental, talvez por saberem que não iriam até o 3º capítulo. Tudo sempre ficava pairando nas dúvidas, nos medos em apostar, em se apossar, e deles sobreveio o tempo exato para desistir, abandonar o barco.
O ventilador ligou automaticamente, girou célere, misturando pensamentos, desfazendo vontades, trazendo os dois de volta à realidade.
Vestiram-se cerimoniosamente pela primeira vez, fecharam a porta do quarto, pagaram a conta. Adeus, boa sorte.
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
"DOCES MEMÓRIAS MUSICAIS E OUTROS ROMANCES"
"Quando entrar na vida de alguém, não entre pelo final. E se sair, deixe um caminho de flores sem espinhos, as portas sempre abertas para quem as abriu, pra você passar!"
Não é um lema, nem muito menos uma filosofia de vida, é apenas uma maneira de entender que tudo tem começo, meio, fim e reticências. Como um bom perfume que aromatiza o ambiente, e que com o passar do tempo se volatiza; assim são as relações, os amores, que deixam no ar da memória a fragrância e o frescor do bom perfume. Relembrar as ruins, é uma história sem cor, sem elo, sem atracadouro, sem porto, nem âncora; um barco sem vela que segue sem rumo ao sabor das marés.
As boas, vividas, ou até mesmo as findas, têm roteiro, tema musical, trilha sonora, daquelas de nos fazer estampar um sorriso largo no rosto, já nos primeiros acordes.
Não temos inteligência para construirmos uma máquina que nos faça viajar no tempo, e lá
revivermos os bons momentos, porém temos memória seletiva para viajarmos a determinado tempo que uma canção, o aroma de um perfume, uma paisagem, um prato, uma bebida... nos levem!
Quem foi, passou, e não deixou a porta aberta, não recebeu as flores.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
"ANGEL II"
Era só um tempo passando
uma papo sem ônus, nem bônus
Um querer ganhar e perder
Um dia indo, outro voltando
Um amanhecer, um entardecer,
noites chegando,
madrugadas infindas
Muralhas erguidas,
intransponíveis,
medos e angustias
Sorrisos, risos,
descobertas,
muralhadas rompidas,
portas abertas
Mais vindas do que idas,
A presença certa,
a acolhida
O colo, o ombro
a palavra na hora
e na medida certa
O conforto,
A lagrima dividida,
o choro, o riso, e o gozo
Deu muito,
de tudo um pouco
uma papo sem ônus, nem bônus
Um querer ganhar e perder
Um dia indo, outro voltando
Um amanhecer, um entardecer,
noites chegando,
madrugadas infindas
Muralhas erguidas,
intransponíveis,
medos e angustias
Sorrisos, risos,
descobertas,
muralhadas rompidas,
portas abertas
Mais vindas do que idas,
A presença certa,
a acolhida
O colo, o ombro
a palavra na hora
e na medida certa
O conforto,
A lagrima dividida,
o choro, o riso, e o gozo
Deu muito,
de tudo um pouco
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
"É HORA DE AGLUTINAR" - (in Um país de bundas lelês)
Nos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985, não podíamos nos manisfestar, nos agrupar, nos reunir, ter posição política, ou fazer oposição ao regime ditatorial, criticar, nem pensar !
Ocorreram excessos dos dois lados, do regime ditatorial e dos opositores.
Passados mais de 29 anos desde a restauração do estado de direito democrático, vivemos alguns períodos de incertezas. Crises e mais crises econômicas, vários e vários planos para ajustar a a economia. Chegamos a patamares de mais de 3 dígitos de inflação, e muitos ganharam com tudo isso. Bancos, empresas nacionais e multi nacionais. E o povo, o último na ponta da corda só ficou com prejuízo, como sempre. Começava então, o fenômeno da migração de brasileiros para países estrangeiros; Japão, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, EUA, Canadá dentre outros. Todos iam em busca de melhores salários e oportunidades. Não havia como confiar numa economia tão fragilizada.
Já cansados de incertezas e promessas; em fins da década de 80 elegem F.Collor de Melo para a presidência do Brasil. Com uma oratória inflamada, ufanista, social democracia e populismo, prometendo um choque na economia, na envelhecida e carcomida indústria nacional, abriu os portos para as importações de veículos, e eis que de repente, deu um duro golpe nos poupadores, especuladores e no povo em geral, confisco das contas correntes e poupança. Um governo marcado por escândalos e corrupção, chega ao fim apeado do poder.
Mais saídas pela porta de emergência. Com mais essa decepção, muitos brasileiros saíram do país em busca de trabalho e qualidade de vida. Encontraram o subemprego, e se submetendo a trabalhar como operários em linha de produção, mesmo tendo o chamado canudo universitário.
Era da social democracia "tucana", de Itamar a FHC.
Reestruturação econômica, realinhamento político, deflagração do Plano Real, venda das empresas estatais, estabilização econômica, planos para inclusão social das camadas mais pobres da população, reestruturação da previdência social. Incentivo às montadoras automobilísticas a se instalarem no país, às exportações, etc...
As maiores críticas ao governo tucano, foi a venda das estatais recebendo por elas as chamadas moedas podres, caso até hoje mal explicado, assim como os das empresas que eram estáveis. A compra de votos no congresso nacional para que projetos pudessem receber votações favoráveis. Escândalos de super faturamento, que habilmente foram varridos para debaixo do tapete. E as mudanças na área previdenciária que tiraram dos trabalhadores direitos adquiridos, perdas e achatamento salariais de aposentados até hoje não recuperadas. Política de arrocho salarial através de índices manipulados para a fixação do salário mínimo, ágio na compra e venda de veículos novos e usados, altas taxas de juros.
Com a economia equilibrada, Luís Inácio da Silva, o Lula, assume a presidência...
Próximo capítulo só amanhã !
P.S.: não sou economista, não sou biógrafo, se errei é porque a memória já não é a mesma.
Ocorreram excessos dos dois lados, do regime ditatorial e dos opositores.
Passados mais de 29 anos desde a restauração do estado de direito democrático, vivemos alguns períodos de incertezas. Crises e mais crises econômicas, vários e vários planos para ajustar a a economia. Chegamos a patamares de mais de 3 dígitos de inflação, e muitos ganharam com tudo isso. Bancos, empresas nacionais e multi nacionais. E o povo, o último na ponta da corda só ficou com prejuízo, como sempre. Começava então, o fenômeno da migração de brasileiros para países estrangeiros; Japão, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, EUA, Canadá dentre outros. Todos iam em busca de melhores salários e oportunidades. Não havia como confiar numa economia tão fragilizada.
Já cansados de incertezas e promessas; em fins da década de 80 elegem F.Collor de Melo para a presidência do Brasil. Com uma oratória inflamada, ufanista, social democracia e populismo, prometendo um choque na economia, na envelhecida e carcomida indústria nacional, abriu os portos para as importações de veículos, e eis que de repente, deu um duro golpe nos poupadores, especuladores e no povo em geral, confisco das contas correntes e poupança. Um governo marcado por escândalos e corrupção, chega ao fim apeado do poder.
Mais saídas pela porta de emergência. Com mais essa decepção, muitos brasileiros saíram do país em busca de trabalho e qualidade de vida. Encontraram o subemprego, e se submetendo a trabalhar como operários em linha de produção, mesmo tendo o chamado canudo universitário.
Era da social democracia "tucana", de Itamar a FHC.
Reestruturação econômica, realinhamento político, deflagração do Plano Real, venda das empresas estatais, estabilização econômica, planos para inclusão social das camadas mais pobres da população, reestruturação da previdência social. Incentivo às montadoras automobilísticas a se instalarem no país, às exportações, etc...
As maiores críticas ao governo tucano, foi a venda das estatais recebendo por elas as chamadas moedas podres, caso até hoje mal explicado, assim como os das empresas que eram estáveis. A compra de votos no congresso nacional para que projetos pudessem receber votações favoráveis. Escândalos de super faturamento, que habilmente foram varridos para debaixo do tapete. E as mudanças na área previdenciária que tiraram dos trabalhadores direitos adquiridos, perdas e achatamento salariais de aposentados até hoje não recuperadas. Política de arrocho salarial através de índices manipulados para a fixação do salário mínimo, ágio na compra e venda de veículos novos e usados, altas taxas de juros.
Com a economia equilibrada, Luís Inácio da Silva, o Lula, assume a presidência...
Próximo capítulo só amanhã !
P.S.: não sou economista, não sou biógrafo, se errei é porque a memória já não é a mesma.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
" Assim, assim..."
A cerveja com gosto de cinza de cigarros fumados,
noites vividas, tardes divagadas,
manhãs e noites fugidias,
daquilo que em verdade quer,
mas tem medo.
Da vida desregrada,
do dia que será tarde,
da tarde que será noite,
madrugada que vira dia.
As vontades e mentiras, criadas, projetadas, ditas;
das experiências que cobra a si,
que quer vislumbrar, tornar realidade,
um dia-a-dia,
ter uma vida que começa e termina.
Manhã, tarde, noite, um dia,
uma madrugada no meio
De pés frios,
ficar em conchinha
ouvir dizer :
tu és minha
Sem regras, horas, onde,
e quando, se inicia
ou hora que termina
Olhar nos olhos
na noite, na madrugada,
vestida, nua, mas que seja
no dia que se anuncia...
Que seja por horas,
por dias,
que seja na noite,
em que o dia termina...
noites vividas, tardes divagadas,
manhãs e noites fugidias,
daquilo que em verdade quer,
mas tem medo.
Da vida desregrada,
do dia que será tarde,
da tarde que será noite,
madrugada que vira dia.
As vontades e mentiras, criadas, projetadas, ditas;
das experiências que cobra a si,
que quer vislumbrar, tornar realidade,
um dia-a-dia,
ter uma vida que começa e termina.
Manhã, tarde, noite, um dia,
uma madrugada no meio
De pés frios,
ficar em conchinha
ouvir dizer :
tu és minha
Sem regras, horas, onde,
e quando, se inicia
ou hora que termina
Olhar nos olhos
na noite, na madrugada,
vestida, nua, mas que seja
no dia que se anuncia...
Que seja por horas,
por dias,
que seja na noite,
em que o dia termina...
sábado, 11 de outubro de 2014
"SOBRE AS MULHERES - DIVAGAÇÕES SOBRE O TRAVESSEIRO DE PENAS DE GANSO"
Não sou especialista nas questões femininas, nem feministas, mas mulher é um universo à parte, disso não tenho a menor dúvida!
Tentar entendê-las é para poucos, na verdade para nenhum, Inexiste alguém que consiga desvendar todos os seus mistérios, seus escaninhos, pois são absurdamente cheias de segredos, uma teia complexa, um rede de tuneis com muitas entradas, e poucas saídas, mal comparando, seriam como um labirinto, por onde caminhamos sem ter a certeza onde começa ou termina.
Certa vez ouvi de um amigo a seguinte definição:
- Cabeça de mulher, é como cartola de mágico, nunca sabemos o que pode sair dentro dela!
Não estou aqui, mal dizendo as mulheres, longe disso, eu bem as digo, louvo, adoro, amo; sou um aficionado apaixonado por mulheres e, por seu mais intimo, recôndito, ou indecoroso segredo.
Observo a mulher, não só sob um prisma pictórico, a enxergo como uma musa, e assim todas elas são para mim, uma obra de arte viva em profusa evolução.
Estão tão evoluídas, tão à nossa frente, que muitas nem precisam de nós. Infelizmente, não posso incluir uma parcela maior, porque sempre há os porém. Mas disso não cabe falar agora.
E por mais adiante que estejam, tão independentes, auto-suficientes, o fator preponderante no pensamento feminino, ainda é o parceiro ideal. Não, não aquele mantenedor, gestor, aquela figura patriarcal - apesar de que algumas sonham em ter um homem rico, que lhes faça todos os desejos materiais e se possível os sexuais, coisa de livro cinza - o que elas querem, é um homem tão moderno e evoluído quanto elas. Um raridade nos dias atuais. O cara tem de ter algumas qualidades, tais como : ser parceiro, amigo, colega, confidente, bom ouvidor, ombro amigo, conselheiro, cavalheiro, sensível, bom caráter, fiel - dentro daquilo que fica acordado entre os dois- bom amante, que saiba entendê-las e, que quando estiverem na tristeza, as abrace, na louca TPM, se fastem, quando estiverem abrasadas, que a suavidade de uma boa pegada apague seu fogo e, as leve às nuvens.
Algumas não se importam em dividir a conta do bar, restaurante, motel, hotel, mas desde que o prazer também seja bem dividido e nada egoísta.
E para finalizar, devemos entender e também deixar claro para elas, que não existe perfeição dentro e fora das relações, sejam a dois, ou na sociedade. Não se pode exigir, demais, cobrar demais, dar-se demais sem contra-partida, amar incondicionalmente e perceber que ele (o amor) se finda, e que o tempo se encarrega de dar um novo rumo à relação, sem medos dos desafios que virão, não fingir e principalmente compreender que mentir menos, pode !
Tentar entendê-las é para poucos, na verdade para nenhum, Inexiste alguém que consiga desvendar todos os seus mistérios, seus escaninhos, pois são absurdamente cheias de segredos, uma teia complexa, um rede de tuneis com muitas entradas, e poucas saídas, mal comparando, seriam como um labirinto, por onde caminhamos sem ter a certeza onde começa ou termina.
Certa vez ouvi de um amigo a seguinte definição:
- Cabeça de mulher, é como cartola de mágico, nunca sabemos o que pode sair dentro dela!
Não estou aqui, mal dizendo as mulheres, longe disso, eu bem as digo, louvo, adoro, amo; sou um aficionado apaixonado por mulheres e, por seu mais intimo, recôndito, ou indecoroso segredo.
Observo a mulher, não só sob um prisma pictórico, a enxergo como uma musa, e assim todas elas são para mim, uma obra de arte viva em profusa evolução.
Estão tão evoluídas, tão à nossa frente, que muitas nem precisam de nós. Infelizmente, não posso incluir uma parcela maior, porque sempre há os porém. Mas disso não cabe falar agora.
E por mais adiante que estejam, tão independentes, auto-suficientes, o fator preponderante no pensamento feminino, ainda é o parceiro ideal. Não, não aquele mantenedor, gestor, aquela figura patriarcal - apesar de que algumas sonham em ter um homem rico, que lhes faça todos os desejos materiais e se possível os sexuais, coisa de livro cinza - o que elas querem, é um homem tão moderno e evoluído quanto elas. Um raridade nos dias atuais. O cara tem de ter algumas qualidades, tais como : ser parceiro, amigo, colega, confidente, bom ouvidor, ombro amigo, conselheiro, cavalheiro, sensível, bom caráter, fiel - dentro daquilo que fica acordado entre os dois- bom amante, que saiba entendê-las e, que quando estiverem na tristeza, as abrace, na louca TPM, se fastem, quando estiverem abrasadas, que a suavidade de uma boa pegada apague seu fogo e, as leve às nuvens.
Algumas não se importam em dividir a conta do bar, restaurante, motel, hotel, mas desde que o prazer também seja bem dividido e nada egoísta.
E para finalizar, devemos entender e também deixar claro para elas, que não existe perfeição dentro e fora das relações, sejam a dois, ou na sociedade. Não se pode exigir, demais, cobrar demais, dar-se demais sem contra-partida, amar incondicionalmente e perceber que ele (o amor) se finda, e que o tempo se encarrega de dar um novo rumo à relação, sem medos dos desafios que virão, não fingir e principalmente compreender que mentir menos, pode !
terça-feira, 7 de outubro de 2014
"ELAS, SEMPRE ELAS"
Quem tem, tem, quem não tem vai arranjar...
Diz que é independente, e que não quer saber se serpente, quer ser pente. Desliza o belo figurino, casual, modernoso, sóbrio, esportivo, clássico; vai e vem, sapateando delicadamente na calçada de cimento; cabelos tratados, unhas bem feitas, por onde passa o perfume exala. Protótipo de mulher, mulher.
Belas, ou nem tanto, jovens, maduras, sisudas, simpáticas, atrevidas, daquelas que retribuem o olhar, olho no olho, sorriso maroto, mesmo que eu as observe por de trás das lentes escuras dos meus óculos, ainda assim, com uma leve jogada de cabelos para os lados - artifício da maioria - de soslaio, disparam uma olhadela só para confirmar. Outras param diante das vitrines, observam roupas, sapatos e acessórios expostos, e pelo reflexo dos vidros, também nos observam. Um jogo interessante que faz bem ao nosso ego, o meu e ao delas.
Freqüentemente caminho pelos calçadões, gosto de ver o vai e vem de gente apressada, o
burburinho, a loucura expressa no rosto de alguns passantes, indo ou vindo do trabalho, das filas dos bancos e lojas de departamento, de olhos colados nas telas azuis dos celulares, desligados do mundo exterior, viajando pelas redes sociais. E nessas andanças observo o caminhar das mulheres, a leveza na troca dos passos, a coordenação de mãos e braços, a postura, a altivez, a combinação de cores nas roupas, calçados e adereços; descarto os estandartes ambulantes apenas numa breve olhada. Gosto do balançar das ancas, o rebolado suave, ritmado, a harmonia entre traços, gestos e modos, isso tudo somado e convergindo para um desfilar sensual, e não sexuado, sexista proposital. Elas, as mulheres, são femininamente espetaculares. Eu as amo !
Belas, ou nem tanto, jovens, maduras, sisudas, simpáticas, atrevidas, daquelas que retribuem o olhar, olho no olho, sorriso maroto, mesmo que eu as observe por de trás das lentes escuras dos meus óculos, ainda assim, com uma leve jogada de cabelos para os lados - artifício da maioria - de soslaio, disparam uma olhadela só para confirmar. Outras param diante das vitrines, observam roupas, sapatos e acessórios expostos, e pelo reflexo dos vidros, também nos observam. Um jogo interessante que faz bem ao nosso ego, o meu e ao delas.
Freqüentemente caminho pelos calçadões, gosto de ver o vai e vem de gente apressada, o
burburinho, a loucura expressa no rosto de alguns passantes, indo ou vindo do trabalho, das filas dos bancos e lojas de departamento, de olhos colados nas telas azuis dos celulares, desligados do mundo exterior, viajando pelas redes sociais. E nessas andanças observo o caminhar das mulheres, a leveza na troca dos passos, a coordenação de mãos e braços, a postura, a altivez, a combinação de cores nas roupas, calçados e adereços; descarto os estandartes ambulantes apenas numa breve olhada. Gosto do balançar das ancas, o rebolado suave, ritmado, a harmonia entre traços, gestos e modos, isso tudo somado e convergindo para um desfilar sensual, e não sexuado, sexista proposital. Elas, as mulheres, são femininamente espetaculares. Eu as amo !
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
"INFÉRTIL"
Ressentimento:
regicídio do mais profuso
e profundo sentimento
Donde se despregam,
se esfacelam corpo e alma
O amargo fel da vingança,
que envenena, trucida
toda esperança,
matando o coração
regicídio do mais profuso
e profundo sentimento
Donde se despregam,
se esfacelam corpo e alma
O amargo fel da vingança,
que envenena, trucida
toda esperança,
matando o coração
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
"Back to back, bags and luggage or boxes"
Uma mensagem curta, direta, sem rodeios, apenas um breve aviso : O crucifixo, benzido, ungido, que te dá proteção, chega na terça-feira.
Talvez seja um estigma, uma sina, ou coisa parecida, as caixas, bagagens, sempre nos acompanham pela vida, no ir e vir, nas mudanças, cheganças, partidas; carregam boas lembranças, traços, lastros, perfumes e cheiros, memórias. Provavelmente, nem precisemos do conteúdo, mas amiúde recorremos às nossas caixas interiores, e delas retirando resquícios de outrora alegrias, risos perdidos, portentosos momentos felizes, mas que se foram no apagar dos tempos. Não como rever álbuns de fotos empoeirados, de poses quase apagadas, ou brevemente ensaiadas, que nos fazem estampar um sorriso, ou soltar um riso, que quase nunca é contido, pois o tempo passou, e aquelas figuras retratadas já não são as mesmas. Muito se foi com o tempo, o viço da pele, a mocidade, a jovialidade, os cabelos, o corpo curvilíneo, a moda nos trajes, e quando não, alguns se foram.
Diferentemente dos álbuns, as caixas resgatam em segundos, tudo que passou, o que ainda ficou,
ou o que está indo para o fundo das lembranças das memórias secretas.
Talvez seja um estigma, uma sina, ou coisa parecida, as caixas, bagagens, sempre nos acompanham pela vida, no ir e vir, nas mudanças, cheganças, partidas; carregam boas lembranças, traços, lastros, perfumes e cheiros, memórias. Provavelmente, nem precisemos do conteúdo, mas amiúde recorremos às nossas caixas interiores, e delas retirando resquícios de outrora alegrias, risos perdidos, portentosos momentos felizes, mas que se foram no apagar dos tempos. Não como rever álbuns de fotos empoeirados, de poses quase apagadas, ou brevemente ensaiadas, que nos fazem estampar um sorriso, ou soltar um riso, que quase nunca é contido, pois o tempo passou, e aquelas figuras retratadas já não são as mesmas. Muito se foi com o tempo, o viço da pele, a mocidade, a jovialidade, os cabelos, o corpo curvilíneo, a moda nos trajes, e quando não, alguns se foram.
Diferentemente dos álbuns, as caixas resgatam em segundos, tudo que passou, o que ainda ficou,
ou o que está indo para o fundo das lembranças das memórias secretas.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
"TODA MULHER SONHAR TER..."
Ainda há sonhos, ainda há os sonhares, uma chuva de rosas vermelhas, um buquê inesperado deixado na soleira da porta com um cartão anônimo; uma noite regada a champanhe, luz de velas, jantar a dois. Alguém que puxe a cadeira, abra a porta gentilmente, que leve café na cama, que reconheça os signos, os códigos de uma leve levantada de sobrancelha, que perceba as nuances que cercam os dias que antecedem a TPM, que saiba ver nos olhos um pedido, nos gestos anseios, tristezas, felicidades e alegrias. Que possa ser o ouvidor, o conselheiro, ou que simplesmente silencie nas horas de fúria. Que seja o amante ideal, que a transforme em dama no social, e uma prostituta na cama. Que não esqueça as datas, aniversário, de casamento, do noivado, primeiro encontro, primeiro beijo, primeira transa. E o que também é importante, chocolate, muito chocolate, branco, doce, amargo, meio amargo, bombons, trufas, uma taça de vinho, que nunca a presentei com aparelhos domésticos, louças, enfeites de geladeira.
E, quando forem para o motel, o qual sempre sonhou um dia ter uma noite de amor, deixe que leve de brinde a toalha, os chinelos e shampoos.
Cada uma tem um sonho, e cada uma idealiza seu grande amor, seja ele montado no cavalo branco, numa Lomborghini, Ferrari, SUV branca. Que a leve numa tour por Paris, Nova Iorque, Londres, Alpes Suíços, e que no verão passem num chalé a beira mar.
Mas que nunca as impeçam de sonhar, de idealizar !
E, quando forem para o motel, o qual sempre sonhou um dia ter uma noite de amor, deixe que leve de brinde a toalha, os chinelos e shampoos.
Cada uma tem um sonho, e cada uma idealiza seu grande amor, seja ele montado no cavalo branco, numa Lomborghini, Ferrari, SUV branca. Que a leve numa tour por Paris, Nova Iorque, Londres, Alpes Suíços, e que no verão passem num chalé a beira mar.
Mas que nunca as impeçam de sonhar, de idealizar !
terça-feira, 19 de agosto de 2014
"back to back"
Um dia atípico, tarde modorrenta, e início de noite sem sabores, sem os mesmos aromas, ainda que o mesmo doce perfume; uma noite de dúvidas, dívidas interiores, cobranças. Ventos frios, gélidos, arrepios não causados por tesão ou amor sem sentido, talvez vislumbrando, antecipando o sal amargo, um trago abusado de álcool sem a mesma energia antiga, causada por uma confissão fora de hora, dessabor em saber que não tem a mesma importância que já teve um dia.
Proposital ou não, enterrou o que ainda latejava, vivificava insistentemente, mas que morreu no dia.
E o dia virou noite, a noite madrugou em sonhos ruins, em percepções tristes, insensíveis.
A noite das descobertas, de comemorar uma data, de renovar as esperanças renascidas como Fênix, naquela tarde-noite-madrugada-dia.
Vou enterrando o que sinto a cada dia !
Proposital ou não, enterrou o que ainda latejava, vivificava insistentemente, mas que morreu no dia.
E o dia virou noite, a noite madrugou em sonhos ruins, em percepções tristes, insensíveis.
A noite das descobertas, de comemorar uma data, de renovar as esperanças renascidas como Fênix, naquela tarde-noite-madrugada-dia.
Vou enterrando o que sinto a cada dia !
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
"ENSAIO SOBRE CHINELOS...PARTE II - O começo do fim"
Camisa, blazer e chinelos esquecidos, não são o bilhete de regresso; o presente guardado e não entregue por falta de data, embalado numa caixa com estampas coloridas em relevo, envolto num
golden bag, tem destinatário, endereço certos, mas não o mesma aura de quando é entregue em mãos; não faz brilhar os olhos, não arranca sorrisos francos, às vezes tímidos, não leva o calor de um abraço apertado, um querer eternizar o momento selado com um beijo. Fica só a frieza de um papel assinado, um canhoto acusando o recebimento. A memória veloz voltando no tempo onde a despedida era breve, sabendo de um novo reencontro sem data definida. A expectativa não é a mesma, pois sabe que não mais haverá um possível retorno. O presente recebido carregado de passado, vai ter o aroma do mesmo perfume, atiçando memórias olfativas. Talvez viajar aos bons dias, às risadas, os olhares, os toques, carícias...
Um dia quem sabe o presente enfeitará o corpo, então sorrirá no apagar da noite no começo de um novo dia.
domingo, 27 de julho de 2014
"A MORTE, E A QUASE MORTE DA SENHORA CONFIANÇA"
Não nasce por si só, necessário se faz saber escolher o terreno, arar a terra conquistada na labuta, prepara-la, aduba-la, trabalhar arduamente, entregar-se totalmente; saber interpretar os sinais do tempo para poder semear. Semeado o campo, zelar para que as sementes plantadas não fiquem vulneráveis às intempéries, aos pássaros e às ervas daninhas. Da boa terra, a boa semente, há de ser ter uma colheita generosa, bons frutos.
Exemplo de reciprocidade ? Dar e receber ?
Exemplo de reciprocidade ? Dar e receber ?
Não sei se vou me fazer entender traçando esse paralelo entre a semeadura e a confiança.
Confiança, uma palavra tão em desuso nos tempos atuais, onde quase todos são fúteis, transgressores, transitivos, efêmeros, voláteis; nas ações, assim como nas relações interpessoais, sociais, e nas de convivência sentimental/amorosa. Valores vão sofrendo reveses; há ainda as mudanças comportamentais que afetam intrinsecamente a ética. Nem se confia, nem disposição encontramos para conquista-la. Estamos vivenciando um fenômeno social e moral, no que diz respeito à ética. Seria uma crise moral ou de costumes ?
Afirmar com convicção que o indivíduo é confiável, seria inocência, purismo, ingenuidade, ou uma demonstração de elevada virtude ?
Os depósitos que fazemos nessa conta, requer a contra partida, os frutos que colhemos hoje da árvore da confiança, antes foram as sementes que plantamos no campo.
Colher o que se plantou.
Confio, ainda que em mim não confiem !
Afirmar com convicção que o indivíduo é confiável, seria inocência, purismo, ingenuidade, ou uma demonstração de elevada virtude ?
Os depósitos que fazemos nessa conta, requer a contra partida, os frutos que colhemos hoje da árvore da confiança, antes foram as sementes que plantamos no campo.
Colher o que se plantou.
Confio, ainda que em mim não confiem !
sexta-feira, 18 de julho de 2014
" BUCHADA DE BODE NA CASA DE SERENO"
A rua era um areal só, quando ventava levantava um poeirão, sujando tudo, impregnando os rostos suados e as roupas no varal. Dizem que quase não chovia na cidade há pelo menos 2 anos, e a pouca chuva que caía, mal chegava a 15 mm por ano; o ar era rarefeito, pesado, poluído, as nuvens ao sul, eram avermelhadas, as mais próximas da serra eram enegrecidas, culpa da aciaria, uma siderúrgica estatal implantada nos áureos tempos da ditadura Vargas. O sol de verão era inclemente, batendo fácil 43 graus à sombra. O pequeno canal que cortava a rua, estava mais seco que língua de papagaio de puteiro, o odor que dele saía era insuportável.
Crianças brincavam, corriam de um lado para o outro, mal sem importavam com o calor.
Dona Sebá, uma senhora de traços nordestinos, mulata, de pouco mais de 60 anos, rosto vincado pela passagem do tempo, e pelos muitos partos, pequena, de corpo roliço, pernas arqueadas, com seu inseparável pano de prato numa das mãos, ia e vinha ao portão. Estava ansiosa. Todo dezembro era isso : agonia, ansiedade pela vinda dos parentes que moravam na capital. Para ela era um acontecimento, alegrava-se, ria solto, feliz, de deixar ver sua boca vazia de dentes, e de fazer ouvir sua gargalhada engraçada.
A parentela chegou ao cair da noite. Exaustos, suados mais que tampa de chaleira, esgotados pela viagem de trem, e famintos. Banharam-se, mataram a fome; reunidos na cozinha, todos falavam ao mesmo tempo, assuntos na faltaram.
O aroma do café invade a casa, Seo Sereno preparou, pôs a mesa : Tapioca doce e salgada, cuscuz, mandioca cozida, pão de ló, suco de graviola, leite, queijo coalho, bolo de fubá, pão de sal e goiabada cascão. Uma a um, hospedes e moradores da casa foram se chegando.
Seo Sereno e seu meu irmão Bio, sorviam uma xícara de café, e pitavam um cigarro de fumo de Viçosa, enquanto iam afiando as facas que iriam sangrar o bode. Pediram para que as portas de acesso ao quintal fossem trancadas, e que as crianças fossem mantidas na rua; não queriam ouvir "xororô".
Do couro saia as correias, o couro do bode estava lavado e estendido na cerca, virado para o sol, a carne cortada, os miúdos separados. Natal sem carne de bode na casa de dona Sebá, não é Natal.
Cirurgicamente os miúdos eram cortados em cubos, lavados, e postos na peneira. Na cozinha, as mulheres cortavam e picavam cebola, alho, salsa, coentro, pimenta de cheiro, entoando cantigas das velhas lavadeiras do São Francisco.
O panelão de 40 litros trepidava no fogão a lenha, as carnes cozinhavam, borbulhas soltavam o perfume dos temperos no ar: cominho, pimenta do reino em grão e moída, colorau dando cor às carnes. Na outra menor, estava o corredor do bicho (cervical), pouca água para receber o arroz cozido de final. No braseiro à carvão, estavam sendo assadas as carnes com osso. No fogão da cozinha, a buchada. O cheiro era forte, caldo escuro envolvendo bucho e miúdos, feito na banha de porco e da sangria do bode. Comida para os fortes !
Meio dia, sol à pino, cachaça de alambique, licor de jurubeba, vinho tinto suave e seco, passando de mão em mão, as cervejas trincando de tão geladas que estavam. Vozerio, cantorias, risadaria,
algazarra, a cozinha era pequena para tanta gente. Espalharam-se pela casa. Os mais velhos à mesa, os pequenos na mesa da sala, ou se ajeitando pelo chão, os mais jovens e afoitos, foram para os quartos disponíveis.
A buchada foi servida. Quem aguenta se agarra, quem não gosta, come arroz com batata.
Dezoito horas, parada para oração de agradecimento.
Retomada, e tome "canjebrina", carne de bode assada, cozida, com arroz, feijão com quiabo, e a famosa buchada.
O calor e a carne forte, fez vítimas, no banheiro o tráfego era intenso.
" Candeeiro se apagou, o sanfoneiro cochilou..."
Para João Ubaldo Ribeiro, que se foi fora da hora combinada.
E viva o povo brasileiro !
quinta-feira, 17 de julho de 2014
"AS CRIANÇAS E AS SUAS PERGUNTAS"
Fazer uma criança entender os "por quês" do envelhecer, não é tarefa fácil, até mesmo para nós adultos a missão é árdua, Dependendo da idade da criaturinha então...só Deus na causa !
Criança é perguntadeira; dos 5 aos 7 anos é quando se lhe desabrocha o interesse em saber como funciona o pequeno universo ao seu redor. Tenho filhos ainda pequenos, netos, sobrinho-neto, e vez ou outra me encostam na parede com perguntas capciosas, quase sempre enredadas
nas brincadeiras da vez.
Não faz muito tempo, meu sobrinho-neto me fez a seguinte pergunta :
- Ô tio ! Avião voa mas não bate asas, né! Porque ?
- Por que céu não tem cabelo onde ele possa se segurar ! (respondi)
Nascemos e vamos nos desenvolvendo de acordo com que nos ensinam, vamos assimilando, aprendendo, crescendo e acumulando lições e exemplos. Aprendemos a engatinhar, falar, andar - não necessariamente nessa ordem - à medida que crescemos, evoluímos, passando por todas as fazes, bebês, criança, pré-adolescentes, adolescência, adulta, maturidade, envelhecemos, nos tornamos idosos, sempre acumulando lições, sendo exemplos, e aí finda-se o ciclo.
Na verdade nós crescemos, evoluímos, ou só nos preparamos para nos tornarmos velhos ?
Aí está uma pergunta de criança !
Criança é perguntadeira; dos 5 aos 7 anos é quando se lhe desabrocha o interesse em saber como funciona o pequeno universo ao seu redor. Tenho filhos ainda pequenos, netos, sobrinho-neto, e vez ou outra me encostam na parede com perguntas capciosas, quase sempre enredadas
nas brincadeiras da vez.
Não faz muito tempo, meu sobrinho-neto me fez a seguinte pergunta :
- Ô tio ! Avião voa mas não bate asas, né! Porque ?
- Por que céu não tem cabelo onde ele possa se segurar ! (respondi)
Nascemos e vamos nos desenvolvendo de acordo com que nos ensinam, vamos assimilando, aprendendo, crescendo e acumulando lições e exemplos. Aprendemos a engatinhar, falar, andar - não necessariamente nessa ordem - à medida que crescemos, evoluímos, passando por todas as fazes, bebês, criança, pré-adolescentes, adolescência, adulta, maturidade, envelhecemos, nos tornamos idosos, sempre acumulando lições, sendo exemplos, e aí finda-se o ciclo.
Na verdade nós crescemos, evoluímos, ou só nos preparamos para nos tornarmos velhos ?
Aí está uma pergunta de criança !
terça-feira, 1 de julho de 2014
" JANELA INDISCRETA III - PONTO FINAL "
Subiu as escadas dos três pavimentos como que em peregrinação, em promessa; resoluta, venceu cada andar sem nem ao menos ofegar. Sua figura contrastava com as luzes ocres, quase apagadas que iluminavam a escadaria do edifício. Ainda respeitava o luto, cores enegrecidas nas vestimentas, saia, meias, botas, blusa e um sobretudo da mesma cor, pretos como seus cabelos longos e lisos. A maquiagem sóbria, deixava seu rosto bonito, mais iluminado.
Abriu a pesada porta, por alguns segundos ficou paralisada, fitou todo o ambiente. Alguns passos e adentrou à sala; livros repousando na mesa de centro, copos, cinzeiro abarrotado de guimbas de cigarros, velhos LP's espalhados pelo chão, no ar pairava o forte cheiro de fumo, cerveja e uísque, cortinas semifechadas, dava um aspecto de penumbra à sala. Descerrou as cortinas, abriu as janelas, deixou oxigenar o velho apartamento.
Descalçou as botas, as meias, despiu-se displicentemente, vagou pelos cômodos como se quisera encontrar ou ressuscitar o morto.
Encheu um copo com uísque à cowboy, ligou o velho toca-discos, escolheu um disco de Jobim, deixou que o som de Wave tomasse toda a sala, alto e suave, prostrou-se no sofá puído, e se deixou levar pela música.
Jamais havia confessado seu amor ao velho escritor, mesmo nas horas mais cálidas, nos jantares, nas noites de furor insano de sexo e bebida.
Chorava, as lágrimas de Layla, desciam por seu belo rosto, como água de cachoeira, soluçava e se penitenciava por não haver dito : Eu te amo
Adormeceu bêbada, nua em pele e sentimentos.
A noite caiu, fria, gélida e com ventos.
Os mortos não voltaram
Abriu a pesada porta, por alguns segundos ficou paralisada, fitou todo o ambiente. Alguns passos e adentrou à sala; livros repousando na mesa de centro, copos, cinzeiro abarrotado de guimbas de cigarros, velhos LP's espalhados pelo chão, no ar pairava o forte cheiro de fumo, cerveja e uísque, cortinas semifechadas, dava um aspecto de penumbra à sala. Descerrou as cortinas, abriu as janelas, deixou oxigenar o velho apartamento.
Descalçou as botas, as meias, despiu-se displicentemente, vagou pelos cômodos como se quisera encontrar ou ressuscitar o morto.
Encheu um copo com uísque à cowboy, ligou o velho toca-discos, escolheu um disco de Jobim, deixou que o som de Wave tomasse toda a sala, alto e suave, prostrou-se no sofá puído, e se deixou levar pela música.
Jamais havia confessado seu amor ao velho escritor, mesmo nas horas mais cálidas, nos jantares, nas noites de furor insano de sexo e bebida.
Chorava, as lágrimas de Layla, desciam por seu belo rosto, como água de cachoeira, soluçava e se penitenciava por não haver dito : Eu te amo
Adormeceu bêbada, nua em pele e sentimentos.
A noite caiu, fria, gélida e com ventos.
Os mortos não voltaram
sexta-feira, 20 de junho de 2014
"PARTIU FORA DA HORA COMBINADA"
As chegadas são mais alegres, felizes e festivas do que as partidas. A primeira é cercada de expectativas positivas, boas energias, ansiedade, friozinho na barriga, um quase êxtase .
Quem já foi pai ou mãe de primeira viagem, sabe do que estou falando; ou aquele (a) que aguardou o regresso de um amor, de um filho, parente ou amigo, nas alas de desembarque de aeroportos e rodoviárias. É alta ansiedade ao cubo. Uma euforia incontida, até explodir em sorrisos e muitas vezes em lágrimas de felicidade.
A segunda, a partida, a ida, é dolorosa. Ensejando dúvidas quanto ao regresso, o tempo que não vai passar tão rápido quanto desejado ou planejado; mesmo que saibamos que tudo é uma questão de adaptação daqueles que aqui ficaram, e dos que partiram para novas conquistas, em busca de novos rumos, novos horizontes para a vida; novo trabalho, negócios, turismo, estudos, e até mesmo arriscando-se no incerto, na duvidosa alça da ilusão de terras estrangeiras.
Mas, a partida antes do combinado, é ainda mais surpreendente, triste, avassaladora, chocante,
irremediavelmente danosa aos nossos mais profundos e solitários sentimentos.
Perder um ente querido, um amor, um filho, colega, amigo, chapa, um mano, brother, parceiro,
sem aviso-prévio, é sacanagem.
Estivemos juntos recentemente, conversamos, bebemos, tricotamos, fofocamos, trocamos receitas, mensagens, bebemos uma, falamos mal da vida alheia, dos políticos, troçamos sobre os resultados do futebol, etc... - É assim que reagimos quando recebemos a notícia da morte/passagem de alguém querido.
Buscamos, conscientes ou inconscientemente, nessas reações, uma muleta, um suporte, um anteparo para tentar traze-los de volta à vida, resgatar os bons momentos de convivência que tivemos juntos.
Infelizmente, a cota foi preenchida, a missão chega ao fim, termina, se encerra, se finda, até mesmo pode ser que tenha sido antecipada, mas não sabemos com certeza. E a nossa única
certeza na vida, é a morte.
Ir, sem estar rodeado daqueles a quem amamos, daquela(e) a quem devotamos amor, compartilhamos horas, dias e anos, não está no script. Morrer só, consigo mesmo, é de doer.
Boa viagem Flávio Guerra !!
Quem já foi pai ou mãe de primeira viagem, sabe do que estou falando; ou aquele (a) que aguardou o regresso de um amor, de um filho, parente ou amigo, nas alas de desembarque de aeroportos e rodoviárias. É alta ansiedade ao cubo. Uma euforia incontida, até explodir em sorrisos e muitas vezes em lágrimas de felicidade.
A segunda, a partida, a ida, é dolorosa. Ensejando dúvidas quanto ao regresso, o tempo que não vai passar tão rápido quanto desejado ou planejado; mesmo que saibamos que tudo é uma questão de adaptação daqueles que aqui ficaram, e dos que partiram para novas conquistas, em busca de novos rumos, novos horizontes para a vida; novo trabalho, negócios, turismo, estudos, e até mesmo arriscando-se no incerto, na duvidosa alça da ilusão de terras estrangeiras.
Mas, a partida antes do combinado, é ainda mais surpreendente, triste, avassaladora, chocante,
irremediavelmente danosa aos nossos mais profundos e solitários sentimentos.
Perder um ente querido, um amor, um filho, colega, amigo, chapa, um mano, brother, parceiro,
sem aviso-prévio, é sacanagem.
Estivemos juntos recentemente, conversamos, bebemos, tricotamos, fofocamos, trocamos receitas, mensagens, bebemos uma, falamos mal da vida alheia, dos políticos, troçamos sobre os resultados do futebol, etc... - É assim que reagimos quando recebemos a notícia da morte/passagem de alguém querido.
Buscamos, conscientes ou inconscientemente, nessas reações, uma muleta, um suporte, um anteparo para tentar traze-los de volta à vida, resgatar os bons momentos de convivência que tivemos juntos.
Infelizmente, a cota foi preenchida, a missão chega ao fim, termina, se encerra, se finda, até mesmo pode ser que tenha sido antecipada, mas não sabemos com certeza. E a nossa única
certeza na vida, é a morte.
Ir, sem estar rodeado daqueles a quem amamos, daquela(e) a quem devotamos amor, compartilhamos horas, dias e anos, não está no script. Morrer só, consigo mesmo, é de doer.
Boa viagem Flávio Guerra !!
sexta-feira, 6 de junho de 2014
" A LENDA DA PEQUENA GUERREIRA - PARA FILHOS E PAIS "
O formato do rosto, era tal e qual, o de boneca de argila, olhos vivos, boca pequena, lábios proeminentes e grossos, os cabelos ora eram cacheados, ora cortados à altura dos ombros, pouco acima, pouco abaixo. Perninhas torneadas, mãos sempre escondidas nas costas. Os pés pequenos, completava sua delicada silhueta.
Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.
Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.
terça-feira, 27 de maio de 2014
" DA TEORIA À PRÁTICA : O homem ideal sob a ótica das mulheres "
O planeta terra, é indiscutivelmente das mulheres; são a maioria da população, ativa e inativa. Estão nas mais diversas e distintas áreas do mercado do trabalho, atuando e exercendo funções de destaque em condições semelhantes à dos homens, porém, ainda com salários inferiores. Um ranço antigo, mas ainda vigente em pleno século XXI. Não por isso, que elas deixam de se inserir cada vez mais na sociedade, antes eminentemente masculina, hoje, pouco mais homogeneizada e, menos intolerante. Enfim, a mulher foi à luta e conquistou seu espaço, seu trono. Um salto grandioso, iniciado fortemente no final dos anos 50 do século passado, para se consolidar nos dias atuais. São maioria, nos mais variados segmentos, indo da saúde a educação, nos bancos escolares, nas universidades, nas grandes empresas, só para ficar por aqui. O espaço é delas.
Hoje, mais bem informadas e formadas, conquistam a sua independência financeira; muitas ainda
tendo o ônus de ser a chefe de família - sem desmerecimento algum - por assumir de vez a responsabilidade de criar, gerir, sustentar os filhos de casamento(s) desfeito(s).
Senhora de si e dos seus quereres, a mulher moderna e antenada com o seu tempo - na faixa dos 25 aos 55 anos, sem querer ser excludente - viaja mais, sai mais, frequenta bares, shows e boates, se diverte mais, se insere mais na sociedade, é mais participativa.
Dentro desse contexto, partindo do princípio de que hoje, a mulher é mais independente financeiramente, ela pode escolher, à ser escolhida. Sem recalques. Porém, com toda essa evolução e conquistas, ela ainda espera pelo seu homem ideal. Não o perfeito, o príncipe encantado, porque esse não existe - segundo as próprias dizem - Entretanto, buscam no homem idealizado, o amor recíproco, o amigo, parceiro, companheiro; um ser carinhoso, gentil, protetor, ouvidor, conhecedor de seus anseios, das razões das suas dores, lágrimas e tristezas. Pacientes nas suas crises de TPM, que saibam compreender esse estágio passageiro, perceber os códigos em seus olhares quando a menstruação se avizinha, e o seu desejo aumenta ou diminui. Almejam, o ser sensível, porém másculo, com uma boa pitada de pegada, olhar atrevido, uma colher de pele de lobo, uma raspa de canalhice, pitadinhas de homem das cavernas (sempre nas horas apropriadas) uma colher de aventura, sabedoria para conhecer, saber explorar e desvendar o terreno. Misturar tudo com cuidado, mexer ora suavemente, ora com força e tenacidade; parando nos momentos certos, continuando até todos os ingredientes se homogeneizarem. Deixar descansar, sem desandar a mistura.
E nessa busca, elas exigem principalmente, que sejam autênticos, sem falsa modéstia, sem meias verdades, que seus sentimentos sejam respeitados. Fidelidade, cumplicidade, e que o sexo seja o complemento, não a razão.
Nem todas se encaixam na descrição acima, mas vou respeitar as diferenças.
Hoje, mais bem informadas e formadas, conquistam a sua independência financeira; muitas ainda
tendo o ônus de ser a chefe de família - sem desmerecimento algum - por assumir de vez a responsabilidade de criar, gerir, sustentar os filhos de casamento(s) desfeito(s).
Senhora de si e dos seus quereres, a mulher moderna e antenada com o seu tempo - na faixa dos 25 aos 55 anos, sem querer ser excludente - viaja mais, sai mais, frequenta bares, shows e boates, se diverte mais, se insere mais na sociedade, é mais participativa.
Dentro desse contexto, partindo do princípio de que hoje, a mulher é mais independente financeiramente, ela pode escolher, à ser escolhida. Sem recalques. Porém, com toda essa evolução e conquistas, ela ainda espera pelo seu homem ideal. Não o perfeito, o príncipe encantado, porque esse não existe - segundo as próprias dizem - Entretanto, buscam no homem idealizado, o amor recíproco, o amigo, parceiro, companheiro; um ser carinhoso, gentil, protetor, ouvidor, conhecedor de seus anseios, das razões das suas dores, lágrimas e tristezas. Pacientes nas suas crises de TPM, que saibam compreender esse estágio passageiro, perceber os códigos em seus olhares quando a menstruação se avizinha, e o seu desejo aumenta ou diminui. Almejam, o ser sensível, porém másculo, com uma boa pitada de pegada, olhar atrevido, uma colher de pele de lobo, uma raspa de canalhice, pitadinhas de homem das cavernas (sempre nas horas apropriadas) uma colher de aventura, sabedoria para conhecer, saber explorar e desvendar o terreno. Misturar tudo com cuidado, mexer ora suavemente, ora com força e tenacidade; parando nos momentos certos, continuando até todos os ingredientes se homogeneizarem. Deixar descansar, sem desandar a mistura.
E nessa busca, elas exigem principalmente, que sejam autênticos, sem falsa modéstia, sem meias verdades, que seus sentimentos sejam respeitados. Fidelidade, cumplicidade, e que o sexo seja o complemento, não a razão.
Nem todas se encaixam na descrição acima, mas vou respeitar as diferenças.
terça-feira, 20 de maio de 2014
" A ROCHA, O LIMO E O LIMBO "
Muito de nós se esvai
Se escapa, se vai no tempo...
O que era porto seguro
torna-se pedra
ponta de pedregulho
coberto de limo
Se escapa, se vai no tempo...
O que era porto seguro
torna-se pedra
ponta de pedregulho
coberto de limo
Onde não se pode agarrar,
segurar, porque deixamos ir
Sem criar laços, nós, raízes,
nada tão profundo
Que venha calar,
deixar um silencio, travar as palavras,
aquietar os sons,
amordaçar os sentimentos,
matar o orgulho
Enganar a si
Moldar-se ao cinzel dos ventos
Que sopra, lavrando as rochas,
lavrando as pedras,
lascando pedaços ínfimos...
segunda-feira, 19 de maio de 2014
" MINHA PRIMEIRA LIÇÃO : A pipa e eu "
Vento pouco, sol miúdo, acanhado, céu azul límpido, nuvens breves e passageiras, formando aqui e acolá, ora figuras de animais, ora chumaços de algodão. As árvores perdendo as folhas, o chão da rua e das calçadas, forradas de folhagens secas que crepitavam quando pisadas. Caminhando sobre esse tapete de folhas mortas, crianças iam e vinham, ás vezes correndo de costas, de um lado para outro, empunhando um carretel de linha, fazendo suas pipas ganharem o céu.
Perto da esquina, um homem segurava uma pipa, braços esticados, tentando mantê-la acima de sua cabeça, embaraçava-se com a rabiola da pipa, pondo-a ora à sua frente, ora às suas costas. Um menino de uns nove anos, dava-lhe instruções :
- Agora levanta mais ela, pai. Mais alto, mais, assim. Agora não se mexe. Solta, pai, pode soltar !
E o homem obedecendo, soltava a pipa, que insistia em não voar. Repetiram a mesma operação inúmeras vezes; até que a pipa ganhou altura. Era colorida; vermelha, verde e branca. O menino corria pela rua, bochechas vermelhas, cabelos curtos, carinha de satisfação e alegria. A pipa foi ganhando o espaço. Subiu, cortando o céu. A linha fazia uma barriga no ar.
O pai veio caminhando lentamente, se aproximou do menino, pôs seu braço direito sobre o seu ombro, olhou para o céu, mão esquerda protegendo os olhos, e ficou olhando a pipa fazer manobras no ar. E assim permaneceu por alguns minutos, como que hipnotizado.
Volta-se para o filho e pergunta :
- Já posso empinar, filho ?
E do alto dos seus noves anos, e sem tirar os olhos do céu, sentencia :
- Ainda não. O senhor nem aprendeu direito a segurar a pipa !
Perto da esquina, um homem segurava uma pipa, braços esticados, tentando mantê-la acima de sua cabeça, embaraçava-se com a rabiola da pipa, pondo-a ora à sua frente, ora às suas costas. Um menino de uns nove anos, dava-lhe instruções :
- Agora levanta mais ela, pai. Mais alto, mais, assim. Agora não se mexe. Solta, pai, pode soltar !
E o homem obedecendo, soltava a pipa, que insistia em não voar. Repetiram a mesma operação inúmeras vezes; até que a pipa ganhou altura. Era colorida; vermelha, verde e branca. O menino corria pela rua, bochechas vermelhas, cabelos curtos, carinha de satisfação e alegria. A pipa foi ganhando o espaço. Subiu, cortando o céu. A linha fazia uma barriga no ar.
O pai veio caminhando lentamente, se aproximou do menino, pôs seu braço direito sobre o seu ombro, olhou para o céu, mão esquerda protegendo os olhos, e ficou olhando a pipa fazer manobras no ar. E assim permaneceu por alguns minutos, como que hipnotizado.
Volta-se para o filho e pergunta :
- Já posso empinar, filho ?
E do alto dos seus noves anos, e sem tirar os olhos do céu, sentencia :
- Ainda não. O senhor nem aprendeu direito a segurar a pipa !
quinta-feira, 15 de maio de 2014
" DAS PALAVRAS QUE PODIA TER DITO E CALOU-SE "
Seu maior temor, era sair da vida, sem conhece-la, sem vê-la, sem saber o nada do seu todo. Podia ouvi-la, mas não senti-la, toca-la; cego da imagem física, restava-lhe o consolo das fotografias expostas em telas frias, algumas coloridas, captando seu sorriso de Monalisa. Enigmática, fleumática, uma aura ser desvendada, tida, possuída, compreendida, porém, conservando seus segredos mais íntimos. Quase inexpugnável, inatingível, tal qual o pico mais alto da grande montanha. Assim se travestia, concebeu uma personagem. Sensível, delicada como a mais rara flor. Queria apenas o verdadeiro amor. Não o passageiro, o que agoniza e morre; não amor com dor. Desejava ela, o amor semeado, plantado, com raiz, frutos e flor. Algo colorido, o que arranca sorrisos, risos, suspiros, felicidades, prazer, aroma e sabor.
Dele, o maior temor ainda é cegar-se, sair da vida sem sentir seu respirar, tocar sua pele, seu rosto, saber qual o gosto do beijo que jamais recebeu. E arrependido, por tê-la perdido, procura voltar no tempo, se agarrar no vento que já passou.
A profusa vontade de real de vê-la, é o antídoto à imagem quase holográfica criada em sua mente,
ou nas máquinas insensíveis, que não gravam, não captam os sentimentos, os aromas, os cheiros, perfumes, o toque na pele, a energia, a sinergia que gera, que enlaça, produz, reproduz, conduz os seres a uma dimensão superior.
E assim como a um anjo, ele não a percebeu...perdeu ?
Dele, o maior temor ainda é cegar-se, sair da vida sem sentir seu respirar, tocar sua pele, seu rosto, saber qual o gosto do beijo que jamais recebeu. E arrependido, por tê-la perdido, procura voltar no tempo, se agarrar no vento que já passou.
A profusa vontade de real de vê-la, é o antídoto à imagem quase holográfica criada em sua mente,
ou nas máquinas insensíveis, que não gravam, não captam os sentimentos, os aromas, os cheiros, perfumes, o toque na pele, a energia, a sinergia que gera, que enlaça, produz, reproduz, conduz os seres a uma dimensão superior.
E assim como a um anjo, ele não a percebeu...perdeu ?
domingo, 11 de maio de 2014
" LEVE "
Descia a rua em movimentos leves
Não ventava
brisa, nenhuma
Parou o tempo
Da primavera ao verão
Quiçá, para não incomodar
o seu passar
Deixando um aroma leve,
um bom perfume no ar
O olhar, um encanto
E assim passou
Foi caminhando leve e solta
Sem se ater, nem fazer conta
Esvoaçando os cabelos
dando ritmo às ancas
Um bailar fortuito
um pisar cadenciado
O sorriso arguto
Mãos regendo uma orquestra imaginária
Compassados passos
Balançando as ancas
Vai e vem cadenciado
Ombros largos
Sorriso estampado no rosto...
Não ventava
brisa, nenhuma
Parou o tempo
Da primavera ao verão
Quiçá, para não incomodar
o seu passar
Deixando um aroma leve,
um bom perfume no ar
O olhar, um encanto
E assim passou
Foi caminhando leve e solta
Sem se ater, nem fazer conta
Esvoaçando os cabelos
dando ritmo às ancas
Um bailar fortuito
um pisar cadenciado
O sorriso arguto
Mãos regendo uma orquestra imaginária
Compassados passos
Balançando as ancas
Vai e vem cadenciado
Ombros largos
Sorriso estampado no rosto...
sexta-feira, 9 de maio de 2014
" O SEGREDO "
Preparando o jiló, pouco condimento
cozido em água morna,
que deixei descansando por 24 horas
Fazer um gargarejo,
dar ao corpo, um fino traquejo
Enfeita-lo com a melhor vestimenta
Nos pés, um lustroso pisante
No corpo, o melhor perfume,
ficar bonito, ou próximo disso
Caminhar pisando em nuvens,
que é pra onde me leva, a branca Janete
Sacudir a moranga, ouvindo jazz,
bossa-nova,
ou samba de raiz
Sem nem me importar com o que a Dilma diz
Fazer uma prova de amor,
um contrato de fé,
selar com um beijo
Esperar a madrugada passar
O sol raiar, terminar o nosso dia
no Remenber Café
Dizer a ela, que quero dormir e acordar
vendo seu sorriso
E que não prometo os céus
nem o infinito
Mas que vou fazer seus dias, tardes e noites
mais bonitos
E que posso não ser o poeta Vinícius
Mas que letra de samba, poesia e amor,
eu faço e, que é nosso segredo
e não se fala mais nisso
cozido em água morna,
que deixei descansando por 24 horas
Fazer um gargarejo,
dar ao corpo, um fino traquejo
Enfeita-lo com a melhor vestimenta
Nos pés, um lustroso pisante
No corpo, o melhor perfume,
ficar bonito, ou próximo disso
Caminhar pisando em nuvens,
que é pra onde me leva, a branca Janete
Sacudir a moranga, ouvindo jazz,
bossa-nova,
ou samba de raiz
Sem nem me importar com o que a Dilma diz
Fazer uma prova de amor,
um contrato de fé,
selar com um beijo
Esperar a madrugada passar
O sol raiar, terminar o nosso dia
no Remenber Café
Dizer a ela, que quero dormir e acordar
vendo seu sorriso
E que não prometo os céus
nem o infinito
Mas que vou fazer seus dias, tardes e noites
mais bonitos
E que posso não ser o poeta Vinícius
Mas que letra de samba, poesia e amor,
eu faço e, que é nosso segredo
e não se fala mais nisso
sexta-feira, 2 de maio de 2014
" ENSAIO SOBRE CHINELOS, ARMÁRIOS E COISAS ESQUECIDAS"
Deixei meus chinelos atrás da porta, o blazer de veludo cotêle cinza e a camisa roxa no armário. Não sei se esqueci alguma coisa a mais; mas quem sabe volte outro dia ou uma casualidade, um reencontro furtivo e nada premeditado possa acontecer. Dialogar com as sombras, isso não vai resolver.
De vez em quando, deixo rolar "Esquinas", vou fumando um ou outro cigarro, batendo as cinzas, engolindo um "nacional de boa procedência", rindo sozinho, escrevendo sobre temas do dia a dia,
crônicas da vida. Algumas pontuadas de humor, acidez, crítica mordaz, outras desinteressantes; umas falando de amor e paz, de idas e vindas, encontros, desencontros, reencontro, perdas, mar e terra. A memória ainda funciona, mesmo que às vezes me traia.
As horas vão passando, como um vento de outono, forte, rápido e quando me dou conto, os dias se foram, um após o outro.
"Esquinas" está terminando, vou ouvir Stan Getz, o balanço é outro, ritmo mais lento, suingado, como fazer amor em noite de chuva.
Os chinelos, deixa por aí mesmo, já não vão ser arrastados pela casa.
De vez em quando, deixo rolar "Esquinas", vou fumando um ou outro cigarro, batendo as cinzas, engolindo um "nacional de boa procedência", rindo sozinho, escrevendo sobre temas do dia a dia,
crônicas da vida. Algumas pontuadas de humor, acidez, crítica mordaz, outras desinteressantes; umas falando de amor e paz, de idas e vindas, encontros, desencontros, reencontro, perdas, mar e terra. A memória ainda funciona, mesmo que às vezes me traia.
As horas vão passando, como um vento de outono, forte, rápido e quando me dou conto, os dias se foram, um após o outro.
"Esquinas" está terminando, vou ouvir Stan Getz, o balanço é outro, ritmo mais lento, suingado, como fazer amor em noite de chuva.
Os chinelos, deixa por aí mesmo, já não vão ser arrastados pela casa.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
" O RIO, A CHUVA E O MAR "
O rio desce caudaloso, ora manso, mudando de cor e temperança, seja em curvas ou retas, chuvas, verões ou invernos, primaveras, ou outonos, por paisagens as mais diversas; nada impede seu rumo ao encontro com o mar. Não há nada que o represe, ele sempre há de encontrar o seu caminho, criando atalhos, desvios, sempre seguindo seu rumo. A chuva cai do céu, se soma ao volume das águas do rio, crescem juntos, seguem a viagem, por quilômetros incansáveis.
Finda a viagem, se misturam ao mar, águas e águas. O sol causticante, evapora as águas, que sobem aos céus, se condensam, formam novas nuvens, robustas, desenhando nos céus imagens, que logo se precipitam em forma de chuva, caindo na terra, molhando o solo, escorrendo, e indo ao encontro do rio, para dali um novo recomeço, uma nova viagem.
Dedico essa a uma amiga que tem mar no nome, e que entende que sou como ele; acolho as águas dos rios, das chuvas, das tempestades, e sigo na vida, sigo o curso..
Finda a viagem, se misturam ao mar, águas e águas. O sol causticante, evapora as águas, que sobem aos céus, se condensam, formam novas nuvens, robustas, desenhando nos céus imagens, que logo se precipitam em forma de chuva, caindo na terra, molhando o solo, escorrendo, e indo ao encontro do rio, para dali um novo recomeço, uma nova viagem.
Dedico essa a uma amiga que tem mar no nome, e que entende que sou como ele; acolho as águas dos rios, das chuvas, das tempestades, e sigo na vida, sigo o curso..
domingo, 23 de março de 2014
" AMAR, A CAIXA DE PANDÔRA, ABERTA E FECHADA"
Amar: é um verbo transitivo direto. De complexa explanação, mas, muito mais por envolver sentidos do que por englobar um único e distinto sentimento. Queiram ou não, amar é uma junção de vontades, de desejos carnais e também materiais; sentimentos de união, apego, posse, físico, até mesmo de paladares. Cheiros, odores, perfumes - que conseguem remeter a um momento especial ou não - que marcam, ferem, fazem doer, deixam feridas abertas, se fecham, cicatrizam, passam, se vão, mas que porém pululam o inconsciente, alertando, remetendo vez ou outra, ao passado longínquo, até mesmo o mais recente; indo e vindo. Perdas e danos !
Alguns dizem não amar, se furtam ao prazer do amar, do doar sua parcela, contentam-se em apenas receber egoisticamente - talvez por ter amado demais em algum tempo ido - e pensa ter exaurido a fórmula do amor que ainda têm para dar. Uns, apenas substituem ou trocam a(s) personagem(ns), doando seu amor a um determinado núcleo, plantas, livros, labor, animais, coisas, etc. em detrimento à sua vida privada, ao seu ser.Que medo é esse ? Não crê mais? perdeu a confiança em si, ou a dúvida atroz, te afasta?
Poeticamente amo, intensamente amo, por segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, distintamente de núcleos; separando os joio e os trigos, as rebarbas, as ferpas e, sem medos, sem receios, com ou sem apelos, perdas ou ganhos, como os dedos das mãos, cada um no seu tamanho e importância.
Amar, faz bem para a pele, para os músculos, para os ossos, para o corpo e a mente.
Queremos ouvir : eu te amo, dizer, escrever em papel, em espelho com batom, na pele com nanquim, em gestos, em palavras, mesmo que mudas, mas que sejam compreendidas, percebidas, palpáveis, impronunciáveis, mas perceptíveis. Deixar claro o desamor, afoga, sufoca, desperdiça, perde, esvai, parte, vai embora, some, apaga, ficam apenas as vagas boas e más lembranças.
Seja intenso(a), seja todo(a), entre de cabeça, ou não, no jogo do amor, é perder e ganhar. Garantias? 50% é não, e já está garantido.
Seja intenso(a), seja todo(a), entre de cabeça, ou não, no jogo do amor, é perder e ganhar. Garantias? 50% é não, e já está garantido.
Ame. Que seja por segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses...
sexta-feira, 21 de março de 2014
" TEMPESTADES DE UM BREVE OUTONO "
Dizem uns, que o vento veio do sul, outros, os mais antigos, a noroeste. O sol era causticante, queimando o corpo, ardia como brasa; a ventania fez subir partículas de areia de praia, que batia no corpo como chicote, olhos, pele do rosto, braços e pernas, eram castigados com os golpes da areia trazida pelo vento. O céu acinzentou-se, as nuvens ficaram entumecidas, robustas; deslocando-se com rapidez, para depois cair em forma de tempestade. Forte, caudalosa, impondo medo, mas depois amainou-se, acalmou-se, refrescando o final de tarde.
O que estava escrito nas areias, pelos enamorados, o vento apagou. Os anéis, os cordões de ouro, prata e latão, o mar trouxe de volta; deixou-os na areia molhada pela chuva.
O outono chegou, as chuvas vão fechando um ciclo iniciado no verão. Agora são as folhas que caem, desnudando as árvores, expondo seus ramos, galhos retorcidos, troncos marcados por rugas, fincando frestas, marcando o tempo, que passa inexorável.
Novas folhas, novos ramos, novos galhos, novos frutos, renovando a beleza da nossa árvore da vida. Que as dores, as lágrimas, as despedidas, os sonhos desfeitos, o amor perdido, sejam todos como as palavras escritas nas areias das praias : Breve e passageiros, que o vento os leve.
Bem vindo outono !
O que estava escrito nas areias, pelos enamorados, o vento apagou. Os anéis, os cordões de ouro, prata e latão, o mar trouxe de volta; deixou-os na areia molhada pela chuva.
O outono chegou, as chuvas vão fechando um ciclo iniciado no verão. Agora são as folhas que caem, desnudando as árvores, expondo seus ramos, galhos retorcidos, troncos marcados por rugas, fincando frestas, marcando o tempo, que passa inexorável.
Novas folhas, novos ramos, novos galhos, novos frutos, renovando a beleza da nossa árvore da vida. Que as dores, as lágrimas, as despedidas, os sonhos desfeitos, o amor perdido, sejam todos como as palavras escritas nas areias das praias : Breve e passageiros, que o vento os leve.
Bem vindo outono !
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
" MENINAS E MENINOS, EM EBOLIÇÃO "
Auto sustentável, au-to sus-ten-tá-vel ! Me enrolo pra pronunciar essa palavra, é quase um trava língua. Auto sustentabilidade, auto suficiência, andam muito em moda, assim como o "zona de conforto", tudo em nome da preservação ambiental ou do lugar comum - quando não se acha respostas para algumas questões.
E essa tal de auto sustentabilidade e auto suficiência, também são motes para as inter-relações pessoais. É sério, não é brincadeira, não ! Vida toma rumos numa velocidade tamanha que me surpreende. Parece-me que a sociedade se dividiu em duas castas, os homens e as mulheres. Daí vocês vão responder que desde a criação, sempre foi assim. Eles de um lado, elas do outro. Concordo. Mas hoje, isso é via de regra, eles estagnados, sem evoluir no sentido de ter uma relação mais duradoura, perene, ou vão em busca do aspecto físico, da beleza plástica, da vaidade, onde o que conta é a apenas o alívio do prazer físico e passageiro sem aprofundamento, e vice-versa.
Enquanto as mulheres vão trilhando o caminho que os homens abandonaram há 30 anos atrás, ou seja, investindo em si, estudando, se inserindo no mercado de trabalho, se capacitando cada vez mais, alcançando a sua independência não só financeira, mas social e pessoal. De meras espectadoras, tornaram-se a personagem principal.
Hoje as mulheres deram um passinho á frente dos homens; pois numa sociedade moderna como a que vivemos, competitiva, excessivamente consumista, elas são o Ás do baralho.
Mas tudo isso, toda essa evolução, deixou tanto um, quanto o outro, mais egoístas, um tiquinho individualistas. Como se fossem adversários, ou apenas mantenedores de uma parceira com tempo pré-determinado para acabar, as relações não se aprofundam. Muito mais pelas regras que cada um se impõe, tais como liberdade de ir e vir, de escolhas, de estilo de vida; enfim, cada um quer apenas viver aquilo que buscou, que amealhou, que conquistou, que o fruto do árduo trabalho lhe proporcionou, "sem estresse" !
Nossa sociedade se americanizou.
Ou se enquadra, ou será enquadrado, ele e ela !
I can get no, satisfacion !!!
E essa tal de auto sustentabilidade e auto suficiência, também são motes para as inter-relações pessoais. É sério, não é brincadeira, não ! Vida toma rumos numa velocidade tamanha que me surpreende. Parece-me que a sociedade se dividiu em duas castas, os homens e as mulheres. Daí vocês vão responder que desde a criação, sempre foi assim. Eles de um lado, elas do outro. Concordo. Mas hoje, isso é via de regra, eles estagnados, sem evoluir no sentido de ter uma relação mais duradoura, perene, ou vão em busca do aspecto físico, da beleza plástica, da vaidade, onde o que conta é a apenas o alívio do prazer físico e passageiro sem aprofundamento, e vice-versa.
Enquanto as mulheres vão trilhando o caminho que os homens abandonaram há 30 anos atrás, ou seja, investindo em si, estudando, se inserindo no mercado de trabalho, se capacitando cada vez mais, alcançando a sua independência não só financeira, mas social e pessoal. De meras espectadoras, tornaram-se a personagem principal.
Hoje as mulheres deram um passinho á frente dos homens; pois numa sociedade moderna como a que vivemos, competitiva, excessivamente consumista, elas são o Ás do baralho.
Mas tudo isso, toda essa evolução, deixou tanto um, quanto o outro, mais egoístas, um tiquinho individualistas. Como se fossem adversários, ou apenas mantenedores de uma parceira com tempo pré-determinado para acabar, as relações não se aprofundam. Muito mais pelas regras que cada um se impõe, tais como liberdade de ir e vir, de escolhas, de estilo de vida; enfim, cada um quer apenas viver aquilo que buscou, que amealhou, que conquistou, que o fruto do árduo trabalho lhe proporcionou, "sem estresse" !
Nossa sociedade se americanizou.
Ou se enquadra, ou será enquadrado, ele e ela !
I can get no, satisfacion !!!
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
" MUITO PRAZER, MEU NOME É ZÉ...."
Vestia preto, calça, camisa, blazer; sapatos também pretos, reluzentes, caprichosamente
engraxados. Mesmo com a noite caindo, os óculos, de lentes e armação pretas, lhe escondiam os olhos. Cobrindo sua cabeça, um autêntico chapéu Panamá, palha fina. Na lapela, um cravo vermelho. Descia a ladeira como que dançando, gingando o corpo, como se fora a qualquer hora aplicar um golpe de capoeira no ar, os braços longos como os de um mestre sala. Na mão direita, um anel grosso de ouro, e uma pedra de rubi encravada. Na esquerda, um anel de ouro branco, cravejado de esmeraldas, encimado por duas letras estilizadas, onde se lia : BG - Bacharel de gafieira.
Noite escura, apenas a luz da lua iluminava aquela figura negra e esguia. Semblante sério, altivo, caminhava sem pressa; os cães da rua, calaram, cabisbaixos como se prestassem reverência. Silêncio na noite.
De frente ao número 107 da rua dos Lírios, ele para. Casa simples, mas de bom acabamento. Luz fraca do alpendre acesa. Bate palmas firmemente. Barulho de fechadura; aos poucos as porta vai sendo aberta. De dentro, uma voz pequena e masculina, pergunta quem é.
A voz grossa feito uma troada de trovão, provoca arrepios no gato cinzento que dormitava na soleira da porta.
- Quero ter com Benício Santos, é ele ?
- Sim, é .
Entre surpreso e amedrontado, um homem de estatura mediana, sem camisa, vestindo calça marrom, cinto carcomido afivelado na cintura, e um par de tamancos lhe calçando os pés, caminha até o portão, fazendo tóc, tóc, tóc, a cada passo que dava. Vislumbra a figura do homem negro, de quase 2 metros, todo vestido de preto. Treme-se todo.
- Meu nome é José Pilintra, mas pode me chamar de "Seo" Zé Pilintra. Venho para lhe dar um aviso - sua voz era firme e forte - se tornares a fazer sofrer mal tratos, tua mulher e filhos, darei fim aos teus dias na terra. O homenzinho viu que de dentro da lentes escuras dos óculos, daquele homenzarrão, saíam duas xispas de fogo .
Suas mãos e pernas tremiam como vara verde, a garganta ficou seca, tal qual língua de papagaio, não conseguia emitir uma só palavra, um único som, nem mesmo balbuciou, emudeceu-se. Olhos esbugalhados pelo pavor, suor lhe tomando a face. Só fitava as xispas nos olhos de Seo Zé.
- Entendeu o que eu disse ? E sem nem ao menos esperar a resposta, mandou Benício se retirar.
Os tamancos ficaram pelo quintal. Nem olhou para trás.
Manhã seguinte. Ao sair para mais um dia de labuta, Benício se depara com um cravo vermelho pendurado no portão. Não era um sonho.
Hoje frequenta a igreja, dá banho nos cachorros, leva as crianças na escola, ajuda a esposa a preparar a janta. Nunca mais bebeu.
engraxados. Mesmo com a noite caindo, os óculos, de lentes e armação pretas, lhe escondiam os olhos. Cobrindo sua cabeça, um autêntico chapéu Panamá, palha fina. Na lapela, um cravo vermelho. Descia a ladeira como que dançando, gingando o corpo, como se fora a qualquer hora aplicar um golpe de capoeira no ar, os braços longos como os de um mestre sala. Na mão direita, um anel grosso de ouro, e uma pedra de rubi encravada. Na esquerda, um anel de ouro branco, cravejado de esmeraldas, encimado por duas letras estilizadas, onde se lia : BG - Bacharel de gafieira.
Noite escura, apenas a luz da lua iluminava aquela figura negra e esguia. Semblante sério, altivo, caminhava sem pressa; os cães da rua, calaram, cabisbaixos como se prestassem reverência. Silêncio na noite.
De frente ao número 107 da rua dos Lírios, ele para. Casa simples, mas de bom acabamento. Luz fraca do alpendre acesa. Bate palmas firmemente. Barulho de fechadura; aos poucos as porta vai sendo aberta. De dentro, uma voz pequena e masculina, pergunta quem é.
A voz grossa feito uma troada de trovão, provoca arrepios no gato cinzento que dormitava na soleira da porta.
- Quero ter com Benício Santos, é ele ?
- Sim, é .
Entre surpreso e amedrontado, um homem de estatura mediana, sem camisa, vestindo calça marrom, cinto carcomido afivelado na cintura, e um par de tamancos lhe calçando os pés, caminha até o portão, fazendo tóc, tóc, tóc, a cada passo que dava. Vislumbra a figura do homem negro, de quase 2 metros, todo vestido de preto. Treme-se todo.
- Meu nome é José Pilintra, mas pode me chamar de "Seo" Zé Pilintra. Venho para lhe dar um aviso - sua voz era firme e forte - se tornares a fazer sofrer mal tratos, tua mulher e filhos, darei fim aos teus dias na terra. O homenzinho viu que de dentro da lentes escuras dos óculos, daquele homenzarrão, saíam duas xispas de fogo .
Suas mãos e pernas tremiam como vara verde, a garganta ficou seca, tal qual língua de papagaio, não conseguia emitir uma só palavra, um único som, nem mesmo balbuciou, emudeceu-se. Olhos esbugalhados pelo pavor, suor lhe tomando a face. Só fitava as xispas nos olhos de Seo Zé.
- Entendeu o que eu disse ? E sem nem ao menos esperar a resposta, mandou Benício se retirar.
Os tamancos ficaram pelo quintal. Nem olhou para trás.
Manhã seguinte. Ao sair para mais um dia de labuta, Benício se depara com um cravo vermelho pendurado no portão. Não era um sonho.
Hoje frequenta a igreja, dá banho nos cachorros, leva as crianças na escola, ajuda a esposa a preparar a janta. Nunca mais bebeu.
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR "
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR ": Acomodou-se na cadeira de praia, bebeu um gole de café, acendeu um cigarro, olhar perdido no céu, como quem procura estrelas distantes. Vent...
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR "
SALIM SLAVINSCKI: " MEMÓRIAS DE UM SONHADOR ": Acomodou-se na cadeira de praia, bebeu um gole de café, acendeu um cigarro, olhar perdido no céu, como quem procura estrelas distantes. Vent...
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
" TRÁZ MAIS UM BLACK E A CONTA "
O dia nascera nublado, abafado, modorrento; prenúncio de chuva.
O coletivo seguia comendo asfalto, lenta e vagarosamente, trânsito caótico na cidade que se acha o umbigo do mundo. Passando pela avenida da praia, seus prédios ora modernosos, ora perdidos nas décadas de 40 e 50, agora ruas estreitas, depois canais poluídos dividindo as avenidas. O céu parece querer desabar. A ansiedade é grande. Confere as horas, liga mais uma vez, e avisa que poderá vir uma grande chuvarada. Ponto final. Percebe que pegou o ônibus errado. Atravessa a rua, e embarca no Circular 61 - Porto - Terminal de passageiros. No caminho vai pensando, no que poderia ter dado certo, que caminho tomar, no que fazer desse dia em diante. Incertezas. Incerto também era o reencontro. Sem saber onde seria o embarque dos passageiros, liga novamente, mais dúvidas e incertezas; ligação falhando, bateria sem carga. Finalmente o encontro/despedida. Vindo mansamente, o mesmo andar, o mesmo sorriso, o beijo bom, poucas palavras. Cada um segue seu caminho. Um embarca e viaja, o outro desembarca no cotidiano.
O itinerário mudou, o calor abafado não. O céu resolveu abrir suas torneiras. A chuva é fina, os passageiros outros, o odor das ruas e do caís impregnam as narinas. A zona portuária pouco mudou, o comércio do prazer ainda está por lá, bares pé sujo, música alta. O tempo não passa, os minutos são séculos. O dias não passam, morosos, demora a anoitecer.
Talvez tenha sido tudo moroso, como uma nau que singra o mar levando turistas em veraneio.
Idas e vindas, sem um rumo certo, sem um norte definido, sem proa, nem popa.
Um chopp black, copo suado, liquido bem gelado !
O coletivo seguia comendo asfalto, lenta e vagarosamente, trânsito caótico na cidade que se acha o umbigo do mundo. Passando pela avenida da praia, seus prédios ora modernosos, ora perdidos nas décadas de 40 e 50, agora ruas estreitas, depois canais poluídos dividindo as avenidas. O céu parece querer desabar. A ansiedade é grande. Confere as horas, liga mais uma vez, e avisa que poderá vir uma grande chuvarada. Ponto final. Percebe que pegou o ônibus errado. Atravessa a rua, e embarca no Circular 61 - Porto - Terminal de passageiros. No caminho vai pensando, no que poderia ter dado certo, que caminho tomar, no que fazer desse dia em diante. Incertezas. Incerto também era o reencontro. Sem saber onde seria o embarque dos passageiros, liga novamente, mais dúvidas e incertezas; ligação falhando, bateria sem carga. Finalmente o encontro/despedida. Vindo mansamente, o mesmo andar, o mesmo sorriso, o beijo bom, poucas palavras. Cada um segue seu caminho. Um embarca e viaja, o outro desembarca no cotidiano.
O itinerário mudou, o calor abafado não. O céu resolveu abrir suas torneiras. A chuva é fina, os passageiros outros, o odor das ruas e do caís impregnam as narinas. A zona portuária pouco mudou, o comércio do prazer ainda está por lá, bares pé sujo, música alta. O tempo não passa, os minutos são séculos. O dias não passam, morosos, demora a anoitecer.
Talvez tenha sido tudo moroso, como uma nau que singra o mar levando turistas em veraneio.
Idas e vindas, sem um rumo certo, sem um norte definido, sem proa, nem popa.
Um chopp black, copo suado, liquido bem gelado !
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