domingo, 23 de março de 2014

" AMAR, A CAIXA DE PANDÔRA, ABERTA E FECHADA"

Amar: é um verbo transitivo direto. De complexa explanação, mas, muito mais por envolver sentidos do que por englobar um único e distinto sentimento. Queiram ou não, amar é uma junção de vontades, de desejos carnais e também materiais; sentimentos de união, apego, posse, físico, até mesmo de paladares. Cheiros, odores, perfumes - que conseguem remeter a um momento especial ou não - que marcam, ferem, fazem doer, deixam feridas abertas, se fecham, cicatrizam, passam, se vão, mas que porém pululam o inconsciente, alertando, remetendo vez ou outra, ao passado longínquo, até mesmo o mais  recente; indo e vindo. Perdas e danos !
Alguns dizem não amar, se furtam ao prazer do amar, do doar sua parcela, contentam-se em apenas receber egoisticamente - talvez por ter amado demais em algum tempo ido - e pensa ter exaurido a fórmula do amor que ainda têm para dar. Uns, apenas substituem ou trocam a(s) personagem(ns), doando seu amor a um determinado núcleo, plantas, livros, labor, animais, coisas, etc. em detrimento à sua vida privada, ao seu ser.
Que medo é esse ? Não crê mais? perdeu a confiança em si, ou a dúvida atroz, te afasta?
Poeticamente amo, intensamente amo, por segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, distintamente de núcleos; separando os joio e os trigos, as rebarbas, as ferpas e, sem medos, sem receios, com ou sem apelos, perdas ou ganhos, como os dedos das mãos, cada um no seu tamanho e importância. 
Amar, faz bem para a pele, para os músculos, para os ossos, para o corpo e a mente.
Queremos ouvir : eu te amo, dizer, escrever em papel, em espelho com batom, na pele com nanquim, em gestos, em palavras, mesmo que mudas, mas que sejam compreendidas, percebidas, palpáveis, impronunciáveis, mas perceptíveis. Deixar claro o desamor, afoga, sufoca, desperdiça, perde, esvai, parte, vai embora, some, apaga, ficam apenas as vagas boas e más lembranças.
Seja intenso(a), seja todo(a), entre de cabeça, ou não, no jogo do amor, é perder e ganhar. Garantias? 50%  é não, e já está garantido.
Ame. Que seja por segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses...

sexta-feira, 21 de março de 2014

" TEMPESTADES DE UM BREVE OUTONO "

Dizem uns, que o vento veio do sul, outros, os mais antigos, a noroeste. O sol era causticante, queimando o corpo, ardia como brasa; a ventania fez subir partículas de areia de praia, que batia no corpo como chicote, olhos, pele do rosto, braços e pernas, eram castigados com os golpes da areia trazida pelo vento. O céu acinzentou-se, as nuvens ficaram entumecidas, robustas; deslocando-se com rapidez, para depois cair em forma de tempestade. Forte, caudalosa, impondo medo, mas depois amainou-se, acalmou-se, refrescando o final de tarde.
O que estava escrito nas areias, pelos enamorados, o vento apagou. Os anéis, os cordões de ouro, prata e latão, o mar trouxe de volta; deixou-os na areia molhada pela chuva.
O outono chegou, as chuvas vão fechando um ciclo iniciado no verão. Agora são as folhas que caem, desnudando as árvores, expondo seus ramos, galhos retorcidos, troncos marcados por rugas, fincando frestas,  marcando o tempo, que passa inexorável.
Novas folhas, novos ramos, novos galhos, novos frutos, renovando a beleza da nossa árvore da vida. Que as dores, as lágrimas, as despedidas, os sonhos desfeitos, o amor perdido, sejam todos como as palavras escritas nas areias das praias : Breve e passageiros, que o vento os leve.
Bem vindo outono !


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