Deixei meus chinelos atrás da porta, o blazer de veludo cotêle cinza e a camisa roxa no armário. Não sei se esqueci alguma coisa a mais; mas quem sabe volte outro dia ou uma casualidade, um reencontro furtivo e nada premeditado possa acontecer. Dialogar com as sombras, isso não vai resolver.
De vez em quando, deixo rolar "Esquinas", vou fumando um ou outro cigarro, batendo as cinzas, engolindo um "nacional de boa procedência", rindo sozinho, escrevendo sobre temas do dia a dia,
crônicas da vida. Algumas pontuadas de humor, acidez, crítica mordaz, outras desinteressantes; umas falando de amor e paz, de idas e vindas, encontros, desencontros, reencontro, perdas, mar e terra. A memória ainda funciona, mesmo que às vezes me traia.
As horas vão passando, como um vento de outono, forte, rápido e quando me dou conto, os dias se foram, um após o outro.
"Esquinas" está terminando, vou ouvir Stan Getz, o balanço é outro, ritmo mais lento, suingado, como fazer amor em noite de chuva.
Os chinelos, deixa por aí mesmo, já não vão ser arrastados pela casa.

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