quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

" UM DIA PARA SER ESQUECIDO " ( Caiu a rede )

A modernidade e a tecnologia são irmãs siamesas, andam juntas, ou quase. Em dias de chuva, quem quiser fazer uso de um celular "modernoso" - desses que só falta avisar para nós, que o saldo bancário está no vermelho - não consegue, "cai a rede", não se fala com ninguém, ninguém nos ouve, e o aparelho só chia feito panela de pressão. Enfim, lastimável !
Ontem, 11/12/13, quem foi ás compras, ou tentou fazer um saque nos bancos, caixas eletrônicos, pagar contas, receber um cobre, abastecer o veículo, comprar fraldas para o bebê, não conseguiu, a "rede" caiu, e com ela tudo o que se refere a cartões de crédito e bancários. Nada funcionou, o comércio ficou paralisado, não recebia nenhum pagamento efetuado com cartões, só em dinheiro vivinho. E hoje em dia, quem é que não possui um cartãozinho ? Pois é, estamos escravizados pela modernidade e comodidade dos cartões de plástico. Mas quando dá uma pane no "sistema", é um Deus nos acuda.
Querendo ou não, os cartões são os facilitadores do consumismo desenfreado ao qual nos submetemos, isso quando temos cacife para bancar aquilo que projetamos como sonho de consumo. Entretanto, o caos se instalou, quando o maldito sistema ruiu. Sonhos desfeitos ou adiados, paciência e tolerância zerados, calor, tensão, bafo na nuca, sovacos fétidos na cara, bafo de onça, filas intermináveis, crianças perdidas dos pais, e o "sistema fora do ar". Volta para casa; tentativa infrutífera de enviar um e-mail e, efetuar uma simples ligação telefônica. Aff... esse dia foi o Ó, o buraco da bala, o borogodó, as tranças de um rei careca !
É muito telefone vendido, e pouca rede.
Oi, tá vivo, tá claro? Tim tim, para nós !

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

" O ATIVISTA, E O BICHO SOLTO "

Alex, era um menino sensível, filho de pais separados, criado pela avó materna, morava num casarão no Brooklin, bairro classe média alta de São Paulo. Era o príncipe da casa; na infância teve todos os brinquedos que uma criança desejava. Adorava bichos. Tinha passarinhos, ramister, coelhos, cães, gatos, tartarugas, todos livres e soltos pelo quintal, e nas árvores do pomar; também tinha um aquário enorme com peixes multi coloridos, na sala da casa. Gostava de ler, era estudioso, educado e cortês. Brincava só. Tinha poucos amiguinhos. Não empinava pipas, brincar de pique-esconde nem pensar. Detestava suar, ou se sujar .
Cresceu, e já na adolescência, uns amigos do cursinho o convidaram a ir numa manifestação de caras pintadas, contra o presidente Collor de Melo. Seria na Av. Paulista. Recusou. Pensou até em ir, mas quem cuidaria de seus bichos de estimação ? Não foi.
O tempo passou. Formou-se em Veterinária, era dedicado. Seu pai montou uma clinica e um pet-shop, no mesmo bairro onde morava, sua clientela era formada pela elite do lugar e adjacências. Pertencia à sociedade protetora dos animais, onde era vice-presidente da entidade. Lutava pelos direitos dos animais.
Solteiro convicto, herdara da avó materna, a paixão pelo Corinthians, não perdia um jogo, sendo no estádio ou pela TV, pelo chá com biscoitos e pela cerveja quente. Amava dançar nas baladas ao som de Gloria Gaynor, e seu hit I Will surviver. E foi na saída dessa balada, que um grupo de amigos ativistas, o convidaram para invadir um laboratório numa cidade do interior, próxima a capital. Queriam libertar cãezinhos beagles, que segundo informações, estariam sendo usados como cobaias em experiências científicas. Aceitou de pronto.
Invadiram o tal laboratório, resgataram os animais, quebraram alguns  móveis das salas laboratoriais, equipamentos da empresa. Enfrentaram a polícia, a imprensa. Deu um quiprocó danado.
Foi nesse mesmo dia, que ele conheceu Eliseu Pinto, foi amor a primeira vista. Comemoraram juntos a libertação dos cãezinhos, e sua saída do armário, Como dizem os entendidos : soltou a franga !
Hoje vivem ele, Eliseu Pinto, dois beagles, um poodle, papagaios, peixinhos, e outros bichos, no velho casarão do Brooklin. A festa do casório vai ser temática, tudo nas cores, e referências do seu time do coração.
Uiiiii...o amor é lindo !

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

" O BODE DA DISCÓRDIA "

Zelão, é um cara safo;  exerce,  dentre muitas profissões, a de ferreiro; confecciona não só ferraduras, mas tudo o que se relacionar a cavalos. Doma  o animal com maestria, entende a psicologia do bicho. Usa também seus dotes de marceneiro e carpinteiro para construir charretes, carroças, veículos de tração animal, quase muito pouco vistos transitando pelas vias das cidades. Confeiteiro de mão cheia, faz bolos, doces e até salgados, que vende à domicílio. Nas horas vagas, usa seu outro dote, outro dom; o de entalhador. Faz arte em pedaços e troncos de madeira, sejam nobres ou não. Da forma e graça aos rostos entalhados, pura arte. Expõe em feiras e praças, vende sua arte. E como ele mesmo diz : Não sou eu quem as faz, fico apenas atrás da ferramenta, a peça é quem me impulsiona !
Há alguns anos atrás, morava numa comunidade barra-pesadíssima de uma cidade litorânea. Tinha uma gleba de terra, onde ergueu um chalé de madeira, para morar com a família. Ao lado da humilde moradia, funcionava a sua ferraria, Nos fundos, criava aves, porcos, bodes e cabras; e uma pequena horta, muito bem cuidada.
Na ferraria, juntava-se, toda a fauna da malandragem, além charreteiros, carroceiros, cavalariços, e curiosos. Bem falante, fazia amizade com todos que se aproximassem para um dedo de prosa. Numa ocasião, adentra à sua ferraria, um cidadão, velho conhecido seu, acompanhado de um homem alto, forte, aloirado, com um turbante branco enfeitando parte de sua cabeça; trajado de vestes africanas, colares, cordões coloridos e penduricalhos, enfeitando o pescoço até a altura do umbigo. Foi-lhe apresentado pelo velho conhecido como Pai Loló d'Angola, babalorixá de terreiro e de casa santeira. Rosto expressivo, meio bonachão, efeminado nos gestos, e nos dizeres. Foi logo perguntando se Zelão era o engenheiro de obras prontas. Todos riram, inclusive o próprio ferreiro.
Passada a galhofa, dizia estar ali em missão espiritual, pois seu amigo lhe havia dito e garantido, que só ele, Zelão, o ferreiro, poderia resolver  sua situação. Porque necessitava de um bode preto, mas preto mesmo, para oferecer a uma das suas divindades. E que o estava cobrando, a oferenda.
O mestre ferreiro, o olhou de cima a baixo com seus olhos pequenos e castanhos claros, como a medir e a absorver cada palavra do "Baba". Ficou em silêncio por alguns segundos e devolveu.
- O bicho eu tenho, mas está apartado, pois está no cio, e quer cruzar com as bichinhas, Por isso não posso, lhe servir agora. E no momento, não me interessa vende-lo.
O rosto do babalorixá, se iluminou, seu largo sorriso, resplandeceu. Batia palminhas, excitado com a possibilidade de poder saldar sua divida. Queria ver o bode de qualquer jeito. Vontade que não lhe foi concedida. Pelo já exposto, bicho apartado, etc e tal. E bota preço, e arreda preço, finalmente foi acertada a venda.
Mesmo sem nem ter visto o bicho, fechou a compra. Preço acertado, bigode no laço. Se foi, com a data do regresso já combinado, para dali três dias. O dia passou sem mais novidades. Encerrado o expediente na ferraria, o nobre artista, vai cuidar de seus animais.
Na data combinada, o babalalorixá chega em uma vistosa caminhonete e mais dois homens, também trajados em panos afros, deviam ser do seu abai tolá. Breve saudação, descem para apanhar o bode. Negro como pedra de carvão, pelo lustroso, manso, puxado por uma pequena corda por um dos homens. Lá se foi, seguiu o seu destino com seu novo dono.
Passadas algumas horas, um carroceiro em visita à ferraria, pergunta a Zelão, se não era o bode Manchinha, aquele que ele vira, na carroceria de uma camionete. Positiva a resposta, acrescenta ainda : - vendi bem, bom preço, cinco vezes mais do que valeria, senão tivesse eu, tingindo a manchinha da cabeça dele, com tinta preta para cabelos.
" Se o caminho é meu..."




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"CARTAS ESCRITAS, MAS QUE NUNCA CHEGARAM AO DESTINO"

Meninas ainda, algumas no corpo, outras nos modos, nos gestos, nos sonhos, na esperança. Deixam tudo para trás, infância, família, filhos, vida. Peregrinam por portos e cidades, noites, madrugadas; do luxo ao efêmero, da fartura à miséria interior.
Infância roubada, dignidade aviltada, sodomizadas por pais, tios, irmãos, padrastos, até mesmo pelas mães. Jogadas às ruas como algo descartável, á própria sorte. Nas ruas vendem o corpo, a alma, o espírito, por um lugar para dormir, um prato de comida, por um abrigo onde possam se esconder de si mesmas, de suas histórias, de suas frustrações.
Álcool e drogas, aliviando a dor que não se apaga, a ferida que não se cura, aberta, rasgada; cicatriz na carne, no âmago, no corpo.
Deitam-se como qualquer um, fingem prazer, mentem, enganam, e se enganam. Muitas querem lavar seus corpos e mentes. Lavar do corpo o cheiro, o fedor, de seu agressor. Aquele que roubou sua inocência, sua pureza infantil, sua meninice. Quantas dessas meninas/mulheres, não querem morrer cada dia que acordam ?
Atravessam mares, oceanos de sonhos, para venderem seus serviços no velhos continente, esperando  ali encontrar, o mesmo príncipe que vai lhe resgatar, como sonhara quando criança. Mas o sonho acaba nos bordéis de luxo, ou de terceira, nas boates  e inferninhos, escravizadas, violentadas e viciadas.
Para bem poucas, a sorte bafeja, casam-se, e enterram a sua personagem. Mas a cicatriz está ali, latente, doente, doída, doente.
Meretriz, puta, biscate, prostituta, garota de programa, rameira, são tantos os adjetivos (des)qualificativos, porém, por trás de cada um deles, existe antes, uma criança, uma menina, uma moça, uma mulher, com os mesmos sonhos que qualquer outra sonha, com as mesmas vaidades, vontades, desejos, projetos, coragem e medo.
O sonho não se acaba, definha.




 

domingo, 4 de agosto de 2013

" MORRI, E EU ESTAVA LÁ ! "

Não sei muito bem como aconteceu, mas estava lá, não sei o dia, ano, nem muito menos como, ou onde. Gente a dar com pau. Homens, mulheres, jovens, crianças, idosos. Amigos, parentes, conhecidos, outros nem tanto. Mas eu estava lá.
Chororô, orações discretas, conversas, risos, gargalhas, "causos", anedotas; uns relembravam algumas das minhas aventuras, desventuras, as várias fases da minha louca vida.
Num canto ou em outro, uns falavam bem, outros desciam a lenha, destilavam pilhérias, mas na verdade era só inveja. Quantos desses não haveriam querer viver tudo que vivi. Os lugares por onde andei, viajei, estive, morei. Alguns até diziam que eu tinha sido um perdedor. Eu estava lá...
Ao fundo, num jardim de inverno, improvisaram um pagode. Sambas que eu gostava, de gente da velha e da nova safra. Aos poucos foi  juntando gente, à medida que o tempo passava, crescia o número de visitantes. Fila para condolências, abraços, afagos, tapinhas nas costas, dos meus filhos, netos, irmãos, cunhados e sobrinhos, até de primos. Minha velha mãe, estava passada, numa cadeira assentada, meio que perdida, aturdida, sem entender ainda nada. Efeito dos calmantes, na certa.
As ex-esposas, iam chegando; rostos inchados, não sei se de risos, causadas pela alegria da minha partida, ou de choro chorado, das boas lembranças vividas, divididas, dos tempos já distantes. Mal se olhavam. Chegavam também as ex- noivas, namoradas, amantes, os "casos". Se aproximavam do caixão, umas oravam, outras faziam o sinal da cruz em respeito ao defunto - que era eu - algumas vertiam lágrimas sinceras, outras vieram só para ver se era verdade mesmo. Um abraço aqui, um aperto de mão ali, nos amigos, na parentada enlutada,  iam se postando e se juntando aos demais. E eu estava ali.
Risadaria no salão ao lado, logo contida por um psiu, olha respeito. O cheiro do marafo, impregnava o ar, tequila, uísque, cerveja e rum, servidos na mesma bandeja do café preto e forte. Era de meu gosto. Não iriam me desapontar.
As horas passavam. O sol pregado no céu, nuvens desenhando figuras, calorão, do jeito que eu gostava. Passarinhos livres e soltos na natureza, gorjeavam, cantos que até aquele fatídico dia, jamais soube identificar a raça. Tudo parecia conspirar a meu favor.
Coroas e mais coroas de flores, de amigos, conhecidos, parentes e desafetos, sempre gostei de flores, não seria agora que iria mudar.
Suando em bicas, entra o padre, todo aprumado em seus quase 90 anos. Meu pai de santo; um amigo muçulmano, convidou um mulá para participar da missa de corpo presente, também vieram um rabino, um pastor e um guru. Sempre defendi e união das religiões, um culto ecumênico seria o mais acertado.
Aos poucos, o som de um samba foi invadindo o velório. Minha doce e amada esposa, agora viúva, fez um pedido aos músicos que haviam organizado o pagode, para  que tocassem Timoneiro, defendida por Paulinho da Viola :
" Enquanto mais remo, mais rezo, pra nunca mais se acabar, essa viagem que faz o mar em torno do mar. Meu velho um dia falou, com jeito de avisar : Olha ! O  mar não tem cabelos, que  a gente possa agarrar.. Não sou eu quem me navega. quem me navega é o mar...é ele que carrega, como se fosse levar..."
Puta que pariuuuu !! Acordeiiii...era um sonhooo !


domingo, 28 de julho de 2013

" ELAS SABEM O QUE QUEREM, SÓ FAZEM JOGO DE CENA ! "

Elas dizem não querer. Não querem que sejamos melosos, doces demais, pegajosos; nos querem meio azedos,  meio rudes, não querem ouvir te amo a toda hora, mas gostam de sentirem-se amadas. Querem não querendo, desejando não querer. Flores, sorrisos, bilhetinhos, mensagens no espelho embaçado; que liguemos no meio da noite para perguntar como estão, se comeram, se estão com frio ou calor. Querem o amor abrutalhado, pegado, com ou sem dor. Unha na carne, boca sôfrega, mordidas nos lábios, cheiros no pescoço, barriga, virilha e na zona do prazer e do amor. Língua molhada, ponta afiada, percorrendo o corpo suado, molhado, dando prazer, lambendo a flor.
Mulher é bicho esquisito, nos querem proscritos, dependentes, distantes e perto, longe e em lugar incerto; mas na hora do grito, gemido, suspiro, gargalhar e riso, gozo e tremido, somos o bicho mais gostoso, mais cheiroso e mais bonito que Deus inventou !
Oh.. bicho bom que é a mulher !

domingo, 7 de julho de 2013

" O CABRA QUE DIZIA QUE CURAVA GAY "

Às vezes fico ensimesmado, incrédulo, com as certos assuntos que leio, testemunho, vejo na TV, ouço no rádio, ou outras mídias ( palavrinha esquisita essa ), mas se estão lá, é porque alguém as escreveu,  senão presenciou, viu ou testemunhou, correu atrás da informação e a transformou o fato em notícia.
Por esses dias, as notícias mais repercutidas, foram sobre os avanços e retrocessos sobre o tal de plebiscito ( que aqui para nós, simples mortais votantes, não vai resolver xongas nenhuma ), a outra era sobre a Cura Gay, que também mexeu para frente e para trás (sem nenhuma alusão ),
avançou e retrocedeu ( sempre na calada ).
Cura Gay ? - Sempre me pergunto, por quê um nobre deputado perde seu precioso tempo ( o nosso também, incluindo aí nosso precioso dinheiro) a apregoar que vai curar alguém que escolheu ser diferente ? E a resposta vem prontinha na minha mufa ( cabeça ). Lá nos idos dos anos em que se amarrava cachorro com linguiça, dizia o seguinte :
- Quem não tem competência, não se habilita !
E de incompetentes, o senado federal e a câmara de deputados estão cheios. Gentes sem a menor expressão ou importância, não vou generalizar, mas que tem, tem. Passar uma legislatura toda a propagar que vai curar gays, é de uma relevância sem parâmetros. Esse cidadão, além de ser até bem pouco tempo uma incógnita, mais um, no universo de outros palhaços; é preconceituoso, rasteiro, como seus pares, e pelo que sabe dele, usa do nome de Deus, para arrancar dinheiro de humildes seguidores de abraçaram a sua ( dele ) mesma religião ( Fato provado e comprovado ).
Todos temos o direito de ir e vir, fazer nossas escolhas, etc e tal. Não me importo com que  as pessoas façam com seu corpo, com seus gostos, ou com a sua razão de viver. Se gosta de gatinhos, passarinhos, cachorrinhos, pintinhos, de meninos e meninas, de se vestir com folha de bananeira, para mim o que vale é que sejamos felizes.
Agora, fazer de uma religião, motivação para achincalhar quem não professa a mesma fé, é de doer. Vejo nas redes sociais, determinadas facções ( é isso mesmo ) que se dizem cristãs, empunhar estandartes de somente a sua religião é que vai salvar a humanidade. Se esquecem, ou não têm discernimento de que a nossa Carta Magna, nos dá o direito, além de ir e vir, de escolher e de ter uma religião; de professarmos uma fé ou não.
Será que essas pessoas teriam essa mesma liberdade em outros países ?
Será que querem transformar o Brasil em uma Irlanda, ou dividido entre cristãos e não cristãos ?
Penso que Deus e seu filho Jesus, não criaram nenhuma religião, nem muito menos são exclusividade de alguns.
Deixa quem gosta, gostar, e sejamos felizes.
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

" CORAÇÃO EM DESALINHO "

Diria não morrer
mas viver com você
Do amanhecer
ao anoitecer

Mesmo que temas
que esse medo
sobreviva
do nascer dia
ao anoitecer

Que tu finjas
que insistas
em querer não querer
O coração balança
em querer querer

Que se divida
em dias
em horas
na suave
saudade que te assola

Teu coração não mente

Que teus pés estejam firmes no chão
São as horas, os dias
que guiam ainda -
mesmo que não queira -
teu coração









quarta-feira, 1 de maio de 2013

" POR CIMA DAS MINAS DE CRISTAIS, HAVIA UM JARDIM DE AMOR SEM FIM "

Um homem , uma mulher, jovens ainda, conheceram-se; afinidades, mesmas vontades, anseios, dúvidas, medos, descobertas, aprendizados. Apaixonaram-se, aprenderam a se amar, a se doar, se dar, trocar; viver tudo em tão pouco tempo e intensamente, cada segundo, minuto, horas, dias, meses...uma vida em semanas. Conheciam-se pelo olhar, pelo sorriso, por um toque, uma frase incompleta. Todos os dias era verão, dias lindos, interminaveis tardes de sol, noites estreladas formando figuras e signos no céu plácido na imensidão azul. Dias floridos, em que a única certeza era de poder viver esse amor,  profusa e tão profundamente como viveriam todos os poetas de amor e guerra. Cravando frases em árvores, juras nas areias da praia, moldando sonhos, firmando promessas.
Somando as vontades, as buscas, ser apenas o que eram, dois seres como um jardim em flor, colorindo a vida, distribuindo graça e cor.
Um amor lindo, sonhado, vivido, tão intenso, cúmplice, amigo, parceiro, solidário, completo e infindo.
Se conheceram e se fizeram homem e mulher, se ensinaram, se deram e,  se completavam. Um amor onde se juntavam, se somavam , se uniam e um só, se tornaram.
Quis a vida encurtar a história, podar a graça como navalha cega, restando incertezas e lágrimas. Noites, dias, semanas, meses e anos de procuras, de buscar rumos, norte, seguir em frente, viver a busca em buscas interiores, existenciais, físicas, mentais e espirituais. Perdas e ganhos, espaço e tempo, tempo de despertar, abrir o baú e jogar tudo na mesa e acertar velhas e imortais incertezas. Deixar assim ficar e nunca mais chorar.
"Não quero as pedras de cristais, quero as pedras brutas, aquelas que não deixaram brilhar ! "

segunda-feira, 15 de abril de 2013

" DIA GLORIOSO "

Queria ver o sol
por baixo das cobertas
Ver se tem estrelas
por trás das janelas
do seu interior

Queria saber de tantas coisas
incertas
Jogar o barco no mar,
acender as velas...

Queria ver o brilho da noite
por dentro das cobertas
Saber como secar os pingos da chuva
que molham as vidraças da janela

Queria ter o poder, 
de adoçar a salgada água do mar,
das lágrimas que vi você deixar rolar

sexta-feira, 12 de abril de 2013

" A VIDA SEGUIU "

O carro ficou estacionado a três quadras, lugar seguro, perto da praia, acesso fácil para qualquer lugar, caso fosse necessário uma saída rápida. 
Secura na boca, aperto no coração, mal estar, caminhar os quase quatrocentos metros parecia uma eternidade, cada metro vencido significava kilometros. Pouco falou ao telefone, tudo cifrado, cochichado, percebi angústia e medo nas poucas palavras, mas o pouco que pude entender, deixou-me com muito medo. Cheguei.
Dei a volta por trás da portaria principal, entrei pelo acesso da garagem, parei na portaria secundária; falei rapidamente com o porteiro.
- O "homi" teve aí hoje pela manhã. ( Diz ele ) - Mas sem novidade, veio com uns dois "gorilas" que nunca vi !
- Morenos e altos ? ( Perguntou eu )
- Sim, esses mesmos. Um ficou lá fora na principal, o outro subiu com o "homi". Descerem depois de uns 40 minutos. Mas sem novidade ( Arremata )
Deixei duas notas de galo ( cinquenta reais ), na mão dele. Pedi para acionar a campainha do interfone, assim que notasse algo de diferente. Subi no elevador, os 7 andares foram vencidos morosamente, muito mais do que jamais notei . Ansiedade mata !
Bati à porta de serviço, dois breves toques, e um terceiro mais forte.
Liá abre a porta, apenas uma fresta, entro tudo às escuras, acendo a luz da cozinha. Seu rosto e olhos estão inchados, marcas de quem chorou muito. Nos abraçamos longamente, nada dissemos um ao outro, senti suas lágrimas escorrem no meu pescoço, grossas e copiosas. Nos refizemos. Apaguei a luz, fomos para a sala. Abajur acesso, pouca luz. Entre mais lágrimas e soluços, ela foi me relatando tudo. Quase não prestei atenção. Nunca a tinha visto chorar, seu rosto sempre com um sorriso estampado, vivaz, alegre, bonito, nessa noite era de uma menina assustada e com muito medo, por nós, pela nossas vidas.
Disse-me,  que não tinha assumido nossa relação, para Júnior,  que tudo não passava de fofoca, de mentiras, de acusações infundadas, de calúnia. Eu continuava a olhar em seus olhos fixamente, e a ouvir a tudo. Imaginando a barra que passou, a pressão que sofreu, emocional e,  poderia ter sido física também. Em segundos, viajei até o dia que nos conhecemos.
Fui incumbido a buscá-la num apart-hotel em Santos,  com breve descrição física e o endereço. Cheguei no horário acertado, manobrei o carro, estacionei. Mal atravessei o estacionamento e dei de cara com ela na recepção. Morena, cabelos encaracolados ainda molhados, blusa preta, saia em tons florais, sapatos saltos médios, que lhe dava um porte maior que seus 1,68 m, um cordão grosso de ouro no pescoço, com uma medalhinha de Nossa Senhora, pendurada. Irresistíveis olhos castanhos e o sorriso largo.
- Você é o...o Turco ? ( Pergunta ela )
Sorri, aquiescendo com a cabeça.
Era a nova amante do patrão. Minha tarefa : Alugar um apartamento, onde ela quisesse, acertar tudo, inclusive providenciar móveis e fazer a mudança. Foram duas semanas juntos, da manhã ao anoitecer.
Discreta, não perguntava muito. Só se, ela, não estava atrapalhando minha vida social, ou levando problemas para a namorada. Respondi, qual delas ? Rimos muito.
Numa sexta-feira à noite meu celular toca, um número desconhecido, atendi. Era ela.
- Que você vai fazer hoje ?
Pensei alguns segundos...
- Nada, por quê ?
- Vamos sair juntos ? Tem problema para você ? Quero me divertir, dançar, sei lá, ver gente !
Começo do fim.
Desse dia em diante, as coisas tomaram um rumo que eu não queria. Me tornei, amante da amante.
De volta à sala, ao abajur e à realidade.
Ela me olhava, eu estava absorto, voltando do passado recente. Estava vestida com uma camisa que eu havia esquecido em seu apartamento. Linda, cabelos presos, os olhos voltaram a brilhar, nos levantamos, nos beijamos. Boca carnuda, línguas desesperadas... cheiros, perfumes se misturando, desabotoei cada botão da camisa  que ela vestia, desesperadamente rasguei sua calcinha preta,  ao mesmo tempo que ela, me livrava das minhas; senti seu corpo, seu sexo quente, fizemos um amor louco no chão. O sono veio forte, apagamos.
Acordamos com a campainha  do interfone tocando. Lépidos, despertamos. Ela atendeu. Voltou tão rápida quanto foi à cozinha atender a chamada. Era o porteiro. Vesti a calça, enfiei os pés no sapato, peguei a carteira, celular e a camisa. Dei-lhe o último beijo, e desci as escadas da saída de emergência, venci cada andar como se fosse um fundista. Já na garagem, pulei o muro dos fundos, caí no estacionamento do prédio vizinho. Sai sorrateiro pela portaria.
Nunca mais nos vimos. Nunca houve um : eu te amo. A vida seguiu.



quinta-feira, 11 de abril de 2013

" ABRIL EM NOSSAS VIDAS "

Abril chegou inteiro,
aos poucos, hora por hora...
Abril chegou inteiro,
em traços..

Veio o outono,
trazendo novos ventos,
derrubar folhas...

Não, não um abril despedaçado.
cada dia viver seus pedaços, seus traços,
a cada dia sua calmaria,
alegria renovada, dia a dia...
Vida linda !

Salim Slavinscki - Direitos reservados



segunda-feira, 8 de abril de 2013

" PARA QUANDO VOCÊ VOLTAR "

Não sei, se vais mudar a cor da pele
Voltar com as mesmas manhas
e manias
Me por em check...
Se vais ficar com as mesmas,
que deixastes na ida

Só sei que, o que  vai mudar,
é vento daqui e as brisas de lá
O sol que abrasa o corpo,
revitaliza e energiza a vida.

O mar, o céu, as areias,
o clima, a paz,  vida...







quarta-feira, 3 de abril de 2013

" VENDEDOR DE ILUSÃO "

Passavam todos por ali, era o caminho de muitos; apressadamente, quase que correndo, trôpegos, escravos dos ponteiros e das horas, mal notavam a beleza do lugar, árvores frondosas, frutíferas, amenizando o calor, abrigando dos pingos da chuva, desviando o vento dos dias frios. Sombra no calor do verão. Os bancos ainda de madeira, envernizados, contrastando com as trepadeiras, e o jardim em flor. Os passarinhos, das mais variadas espécimes, cores, cantos; davam uma sonoridade alegre e sensação de paz de espírito. Tudo mais parecia uma orquestra, essas que os poetas traduzem em palavras e , usam e abusam das metáforas.
Casais de mãos dadas, idosos, crianças correndo, brincando na sua pureza infantil, pipoqueiros, o homem do realejo, o vendedor de balões, quebra-queixo... e o vendedor de ilusões.
Toda praça, em todo lugar do mundo, tem seu vendedor de ilusão. Cantam canções, velhas e novas, alegres e tristes, de amor e de paz, em troca de umas moedas atiradas no estojo de seu instrumento.
Hora do almoço, é assim, assim mesmo, em todos os lugares do mundo !
É como sentir saudade de quem já se foi, ou está longe, distante, sem rumo, ou impedido de ver e ser visto. Aproveite sua estada na pracinha da vida !
Beijo grande !


Todos os direitos reservados - Salim Slavinscki  (Abril 2013 )

segunda-feira, 25 de março de 2013

" Revisitar "

A chave ainda abre as emoções
Destrava as sensações
Deixa entrever caminhos
Percorrer os já idos
Voltar aos passos do futuro,
rever, revisitar os sentimentos possíveis
e os imagináveis...

Escancarar, desnudar,
por a nu anseios e medos
Desfraldar a liberdade interior,
embandeirar as vontades,
viver, sentir, se expor

A chave ainda abre as sensações
Destrava as emoções,
apresenta caminhos !













sábado, 2 de março de 2013

" FADINHA DO DENTE - UM CONTO PARA CRIANÇAS E ADULTOS "

Estava eu, a procurar entre livros, caixinhas, em gavetas, envelopes amarelados pelo tempo, um documento, um papel timbrado, e me deparei um com uma pequena caixinha, dessas que guardamos anéis, alianças, não um pequeno porta-jóias, caixinha mesmo, decorada em papel aveludado azul marinho, adornada de um cordão dourado, de não mais de 6 x 6 cm e 4 cm de altura. Não me recordava da existência dessa singela peça. E, para minha surpresa, quando ao abrí-la, me de deparei com uns pares de dentinhos de leite, pequeninos, ainda branquinhos, minúsculos. Peguei-os com delicadeza, um a um; sentei-me à beira da cama, e viajei no tempo. Só o que me lembro é que são dos meus filhos, não sei, não consigo identificar, a qual deles cada dentinho pertence.
Quando meu filho mais velho, estava trocando a dentição, meio assustado, e ressabiado, veio até mim, apontando com o dedinho, a boca, e entre palavras quase incompreencíveis, dizia que um de seus dentinhos estava "mole". Pedi que abrisse a boca, enquanto examinava com todo cuidadoso, ele me perguntou se eu iria arrancá-lo, sua carinha de pavor, me deixou ainda mais cuidadoso. Disse-lhe, para acalmar-se, e que eu pediria ajuda da Fadinha do dente, e que ela não deixaria que o dentinho dele, lhe causasse dor nenhuma. Ficou olhando para mim, entre incrédulo e desconfiado, esperando o que pudesse acontecer daquele momento em diante.
Com um pedaço de linha, lacei o dentinho. Num zás, ele saiu, nada de dor, nem sangramento. Tirei o dentinho do laço, mostrei-lhe, ele ficou todo admirado, com sua coragem, e também pela história da fadinha. Perguntou-me onde estava a fadinha. Disse-lhe, que ela se transformou em um laço mágico, que abraçou seu dentinho com carinho, e arrancou ele da sua boquinha.
- Pai o que o senhor vai fazer com esse dentinho ?  ( Perguntou ele )
- Vou limpá-lo, e levar num ourives, para ele fazer um adorno para eu pendurar no meu cordão de ouro ! ( Respondi ) No que ele retrucou :
- Pai, que é ourives ? O que é adorno ?
Naquele dia, respondí-lhe tantas perguntas, que já nem lembro mais.
Hoje, diante dos pares de dentinhos, lembrei de cada filho, da história da Fadinha do dente, que contei para cada um deles. Da falta que eles me fazem, por que cresceram tão rápido ? 
Para mim cada um deles, menino ou menino, continuam sendo aquelas crianças pequeninas, mesmo me dando netos, tendo cada um deles sua própria vida, seguem seus caminhos.
Será que meu filho conta essa histórinha  da fadinha, para meus netos?


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

" ROSA MORENA "

Na varanda, 
perfume, alor, cheiro,
frio, vento...

Pela casa, delicado andar,
passo sobre passo...
calmo caminhar...

Olhar furtivo,
desprendido,

As mãos unidas,
jeito de mulher-menina,
a meiguice, a manha,
a sanha

O medo,
desejo, o beijo,
o selo a juntar

Gemidos, suspiros,
sabores, sonhos,
os passos, os laços

Um mar,
uma lua,
um cantar,
o sol, sonhar

Bem vinda,
menina
menina















segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

" SORRIA, VOCÊ SERÁ FELIZ ! "

Ser feliz ? Quantos já se fizeram a mesma pergunta ?
Quem já achou a resposta? Quantos ainda não?
E o que é ser feliz ?
Para mim, é um estado de espírito, uma condição mutável, porém em gozo, não há parâmetros comparáveis.
Pode-se ser feliz nas mais distintas situações. Um sorriso recebido, uma palavra doce, um elogio, flores recebidas, um olhar, um beijo, um carinho, enamorar-se, um estímulo, um abraço, aperto de mão, gravides, nascimento, amor filial, amor retribuído, uma viagem, uma chegada, partida, idas, vindas, um amor na sua forma quase infinda, mãos nas mãos, cheiro, alor, perfume, enfim...são várias as formas de sentir-se feliz. Experimente ! Doses pequenas... é recomendado !

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

" PRÁ TUDO SE ACABAR NA 4ª FEIRA "

Calor, mormaço, ar rarefeito, suor, gente a dar com um o pau; o salão de baile mais parecia um cupinzeiro, empurra-empurra, aperto, fila no caixa, fila do bar, fila para mijar, pizão no pé, bafo no cangote. O baile carnavalesco do Grêmio Recreativo Esportivo Flor do Parque, mais conhecido como Lonjão, era concorrido; apinhava de gente. Era como nos bons tempos, nada de axé, funk batidão, só marcha carnavalesca mesmo.
Terça-feira gorda, último dia, todo mundo querendo sarrear, farrear, brincar, dançar, pular, se divertir, encher a cara, ficar, beijar muito! Carnaval é isso, soltar as amarras. Paulão, marombeiro, e torneiro mecânico, solteirão, queria se dar bem, já era a 3ª noite que ia ao baile, e o máximo que conseguiu foi dar uns selinhos e mais nada. A maré não estava para peixe. Tomou todas, cerveja, uísque, vinho, cachaça, vodca, a cabeça estava cheia. 3 horas da madrugada e nada. Foi até o bar pegar mais uma cerveja, fila quilométrica. E o salão fervendo !
Já na fila, à sua frente uma morena alta, cabelos negros, corpão de fazer padre largar a batina e pastor protestante largar o rebanho. Paulão animou-se, e para entabular uma conversa, toca o braço da morena, ela vira-se e Paulão sem perder tempo castiga :
- Ô minha deusa, pode me informar se estou na fila certa, essa é das bebidas ?
Sorrindo com o galanteio e atrevimento de Paulão, devolve :
- É sim meu rei !
- Olhaaaa (fingindo admiração ) Você não é daqui , né ?
- Sou nãoooo ! Sou da Bahia de São Salvador, vim  especialmente para acompanhar umas amigas, e conhecer o lugar. Mas nos perdemos de vista. E com esse calorão, só mesmo uma cerveja para refrescar.
O papo rolou solto por 10 minutos.
Seu nome era Estela, estava a pouco tempo em São Paulo, veio tentar a vida na capital. Paulão a convidou para dividir a mesa com ele, proposta prontamente aceita.
Alah la ô..ôoo ..ôooo... mas que calor ôooo...ôoo...atravessamos o deserto do Saara...
A marchinha comendo solta, e os dois já bem íntimos, se esbaldavam. Pois é, como diz o velho deitado, que de pé cansa : A noite só acaba quando termina
Beberam, dançaram, suaram, se beijaram,  se amassaram, e o baile terminando. 
Pareciam dois pombinhos, cheios de amor para dar. Saíram abraçadinhos em direção ao estacionamento. Paulão solicito, abre a porta do carro, cavalheiro que só ele. Direto para o motel Star Silver, onde seu prazer brilha.
Chaves da suíte nas mãos, escurinho, beijos calientes, amassos, cheirinho no pescoço. Paulão vai desfraldando a morena, tira a mini-blusa, e tome beijos, tira o sutiã, amassos, pele colada. A moça pede um tempinho para banhar-se. Paulão prefere encher a jacuzzi, banho de espuma, para ficar em ponto de bala. A moça sai do banho enrolada na toalha, apaga a luz central, deixa só a luz da cabeceira acessa no ambiente. O galã cheio de amor para dar, cai para cima da morena, rolam na cama king-size, a moça fica de bruços. Paulão fica doido com o tamanho da buzanfã da mina, e ainda por cima, tatuado o escudo do seu time de coração, o "curintcha", é muita alegria ! Carnaval, mulherão, rabão, bebidinhas, motelzinho, tudo o que mais queria. E cai pra cima. Mão passeando no corpão  da morena, de repente enche a mão nos países baixos e encontra um sacolé que mais parecia um pé de mesa !
- Mas o que que é issooooo...porraaaa !? ( esbraveja )
A morena cheia de dengo diz :
- Não se assuste meu reiiii, issso aqui é obra da natureza, venha que te prometo o céuuuu ! ( E o negócio apontado para Paulão )
Vaiiiiii curintchááááá !

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

" MAREOU "

A noite cai,
vai tingindo o céu de azul escuro,
cobrindo ele com estrelas cintilantes

O vento frio corre para o mar,
e os barcos são só sombras distantes

A noite caiu, ocultou a praia,
cobriu o cais
o pier sumiu,
já não vejo mais

Sento no banco,
ouço as ondas em luta com as pedras do cais

Peço mais outra,
engulo e sigo em paz !









 


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

" O SABER ESSENCIAL "

Essencial, palavra complexa, diz tudo e nada, exprime o que pode ser de extrema importância a alguém ou coisa. Mas o que é essencial ? A saúde, o trabalho, a família, os amigos, aprender um idioma, ter bens, amizades, viajar, conhecer, estudar,  uma convicção política, ter fé, não tê-la, o que na essência é essencial ?  Ter liberdade, ir e vir, de pensar, agir ? O amor ? O tesão, ter alguém com quem dividir as dúvidas, angustias, as alegrias, sorrisos, tristezas, o que é essencial  ?
Para uns seria a soma de tudo que está escrito, logo acima. Para outros, nem tudo. Nós, seres humanos, somos complexos, queremos tudo e nada. Na verdade, queremos aquilo que nos convém, que nos deixe em uma situação confortável, somos egoístas.
Ser feliz é essencial, sorrir, ser alegre, simpático (a), tudo tem quer ter uma colher do essencial, ou não !?
E tudo é passageiro em nossas vidas, até nós mesmos , não é ?
O essencial, mesmo, de vera, de verdade, é  que nos preparemos para o essencial , e o que em essência é primordial, é saber viver.
Bora viver !


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

" LIBERDADE TEM PREÇO, VIU ? "

Patty e Ruy, formavam um belo casal, jovens ainda, na casa dos 35 anos, bem resolvidos na vida, estavam juntos a pouco mais de 7 anos, resolveram não ter um casamento formal, com padrinhos, igreja, testemunhas, burocracia nem festa. Queriam estar juntos, e isso lhes bastava. Viajavam, iam à balada, enfim se curtiam, viviam a relação sem sobressaltos. Até que um dia, uma sexta-feira, Patty e Ruy assistiam a um filme juntos, pipoca e vinho tinto seco, para acompanhar, o filme era uma comédia romântica, água com açúcar. De repente Patty, interrompe o vídeo, deu um pause, levantou-se do sofá, jogou sua almofada predileta num canto, e postou-se em frente a um Ruy atônito, meio assustado e surpreso com a atitude intempestiva da amada. Ela descambou a falar sem parar, foram minutos que pareciam eternos. Fumava, bebia, e falava, falava sem parar.
Se era para ser uma DR ( discutindo a relação ), ficou apenas no monólogo. Ruy ouviu tudo, calado, tentando colocar em ordem tudo que ouviu; não conseguia entender os por quês, ou não absorvendo as vontades, os desejos da até então esposa. Em suma, ela queria um pouco de liberdade, sair com amigas, ir e vir sem muitas responsabilidades e satisfações. Dizia estar se sentindo aprisionada, e que poderiam manter a relação nas suas condições. Ruy pediu um tempo para pensar, e entender todas as vontades da esposa. Retirou-se da sala, e foi dormir.
Passou a noite pondo sua vida conjugal a limpo, queria saber onde havia errado, em que ponto falhou, o quê levou Patty a chegar a tal ponto. Não dormiu bem, lógico.
Os dias se passaram, meses, e tudo corria como queria Patty, mantinha os mesmos programas com o marido, baladas, viagens, cinema, teatro, bares, e em paralelo saía com as amigas. Criou um novo circulo de amizades, ia a lugares diferentes, chegava com sol pregado no céu, deitava e dormia.
Certo dia, numa das baladas conheceu um rapaz, apresentado por uma das amigas, era modelo fotográfico e praticante de fisiculturismo, alto, forte, cabelos curtos espetados à gel, semblante juvenil, sorriso fácil, conversaram e se divertiram juntos a noite toda. Seu nome era Alan, tornaram-se amigos inseparáveis das baladas, dos celulares, face, msn etc...
Sexta-feira, dia de abalar, se produzir e...cair na gandaia. Mais uma vez as mesmas amigas e... Alan na parada. Bebida, dança, dança, bebida, papo, suor, álcool, combinação quase perfeita, lá pelas tantas já embriagados, Alan propõe a Patty, irem para um lugar mais exclusivo, um ambiente mais intimo. Rolou ! Patty não resistiu aos encantos do "sereio", saíram em seu carro, porque Alan não tinha um automóvel. Ela dirigiu até um motel distante de seu bairro. O sexo foi micho, o rapaz não era nada criativo, seu desempenho nada tinha a ver com seu corpanzil, seu instrumento não passava de uma mera verruga, e fez como o pato, caiu de costas e dormiu. Patty pegou no sono. Quando acordou, percebeu que estava sozinha na cama, foi ao toilete, e nada de Alan. O interfone toca, a recepcionista avisa a ela que as 12 hrs do período, já se haviam esgotadas. Confusa, mal toma uma ducha, se veste, procura pela bolsa, apanha seus pertences e sai do quarto. Na recepção apresentam-lhe a conta, R$ 500,00, fica atônita, pergunta se o seu acompanhante não havia pago, recebe uma negativa. Abre a carteira e percebe que sumiram pelo menos R$ 250,00, só ficaram as notas miúdas. Pagou com cartão de crédito, e se foi.
Passava das 15:00 hs, quando chegou à sua residência. Sentia-se mal, fora tratada como uma qualquer, e ainda roubada, queria lavar-se por dentro, chorar, gritar, berrar. Abriu a porta e entrou. Para sua surpresa, a sala estava vazia, cozinha, quartos, não havia mais móveis, tudo havia desaparecido, entrou em desespero, roubaram tudo à noite passada, entraram na ausência dela e do marido e a tudo roubaram ! Andou pela casa, ao chegar na porta da dispensa, encontra um bilhete, e nele estava escrito :
" Querida Patrícia, em conformidade com o exposto no documento que você assinou, e eu prontamente reconheci firma e dei legalidade, e em que você concorda que entre nós mais nada resta, e que abre mão de quaisquer bens que amealhamos nos anos em que juntos ficamos, só me resta te desejar sorte e por favor deixe sua chaves com o vizinho porque a casa eu já vendi. Se não quiser ir para casa de seus pais, quem sabe uma de suas amigas te receba ! "

Não se pode subestimar as vontades alheias, não é verdade ?





terça-feira, 8 de janeiro de 2013

" JANELA INDISCRETA - Nº 2 "

Xícara com café fumegante, cadeira de cana-da-índia, recosto de penas de ganso, janela aberta e voltada para a rua, a única visão eram os topos das copas das árvores, alguns prédios, e a curva no início da rua. Ficava ali horas, fumando, bebendo café, lendo um amarrotado jornal, e vez por outra levantava-se,  e olhava em direção à curva da rua, como se estivesse a esperar por alguém. Punha-se em pé por alguns minutos, cigarro no canto da boca,  óculos na ponta do nariz, olhando movimento de carros e pessoas, indo e vindo; meneava a cabeça como se discordasse de algo, e volta a sentar-se.
Da última vez que nos vimos, cumprimentou-nos com um breve aceno de mão. De dentro de seu apartamento saía uma música em alto volume; creio que era Frank Sinatra, cantando My Way. Tinha em uma das mãos uma garrafa de bebida, não vi copo, somente a garrafa, bebericava do gargalo. Também foi a primeira vez que eu o vi sorrindo. Não era um sujeito alto, creio deveria ter cerca de 1,80 m, corpanzil, cabelos  enbranquiçados, ralos e raros, uma quase calva. O porteiro do prédio onde ele morava, me confidenciou que no passado, havia sido escritor de romances de bolso, e que desiludido, não se sabe se por amor, ou pela vida; aposentou-se e vivia recluso. Não contava mais de 60 anos. gostava de ouvir música, receber mulheres de programa, beber e ler jornais. Falava pouco, pouco saia de sua morada.
Chovia, e sua janela ainda estava aberta, passava das 11 horas da noite, quando a notícia chegou, caiu como um raio, não quis acreditar; Franz o escritor, deu cabo à vida.
O velório contava c poucas pessoas, algumas pessoas do meio literário, boêmios, uns poucos amigos e uma senhora ainda jovem , toda vestida de preto. Dizem que era uma de suas preferidas. Chorava à bandeira desfraldada, não sei era amor ou piedade.
A janela amanheceu fechada !

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

" A PORTA ESTÁ ABERTA, SE QUISER VOLTAR ..."

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo ! "

Essa máxima é um tanto quanto autoritária, descabida, porém serve para alguma coisa. Como sou um ser libertário, não nasci para obedecer ordens, regras, fazer concessões, entender a vida, pela ótica de certas regras e conveniências. Aceito, mas não diluo, não consigo engolir muito bem; mas se existem, é porque as fizeram, senão a vida seria uma bagunça, então vou absorvendo como quem bebe chá de losna, é ruim, mas serve para combater algum mal.
Minha vida é um eterno recomeço, já nem sinto mais as pancadas, o couro ficou duro, grosso, penso que nem mais couro é, deve ser como aquela carapaça que envolve o rinoceronte, dura !
Ganhar e perder faz parte. Acredita que eu nem jogar baralho, sinuca, porrinha ( jogo de palitos ), dominó, game, etc... eu sei ? Prefiro as coisas do coração, dá mais emoção, mais tesão de viver, de sentir; as coisas de ilusão, feito o jogo, o amor também tem. É como andar sobre o fio da navalha, se vacilar, dança.
Outra coisa, o tempo vai passando, os anos vão chegando e partindo, mas nada muda, só muda os personagens, amor é assim; bom de viver, que seja eterno enquanto dure.
Quero morrer acreditando no amor. Você deve estar pensando que sou louco, maluco, que deu piti, que nada ! Se eu não acreditar, se eu não amar, a vida para mim não vai ter graça.
Sou dono de mim, do meu coração, da minha liberdade, das minhas vontades, dos meus desejos !
Um conselho : Tenha coragem !

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

" PERDAS E DANOS "

A gente se encaixa,
se perde e se acha,
se encontra

Nos perdemos,
nos colamos,
dormimos e acordamos

Se encaixa,
e acha que passa,
quando o dia amanhece

Você se desespera,
quando a estrada termina,
e a realidade te trás de volta

O tempo passa,
a gente se encaixa,
se cola, deita e rola

O dia cai, a tarde vem,
a noite que passa,
você quer não querendo
e fica com medo...

Quer, mas pode,
pode mas não quer

e o tempo passa
e tudo termina
e tudo começa
como uma roda viva !

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