sexta-feira, 20 de junho de 2014

"PARTIU FORA DA HORA COMBINADA"

As chegadas são mais alegres, felizes e festivas do que as partidas. A primeira é cercada de expectativas positivas, boas energias, ansiedade, friozinho na barriga, um quase êxtase .
Quem já foi pai ou mãe de primeira viagem, sabe do que estou falando;  ou aquele (a) que aguardou  o regresso de um amor, de um filho, parente ou amigo, nas alas de desembarque de aeroportos e rodoviárias. É alta ansiedade ao cubo. Uma euforia incontida, até explodir em sorrisos e muitas vezes em lágrimas de felicidade.
A segunda, a partida, a ida, é dolorosa. Ensejando dúvidas quanto ao regresso, o tempo que não vai passar tão rápido quanto desejado ou planejado; mesmo que saibamos que tudo é uma questão de adaptação daqueles que aqui ficaram, e dos que partiram para novas conquistas, em busca de novos rumos, novos horizontes para a vida; novo trabalho, negócios, turismo, estudos, e até mesmo arriscando-se no incerto, na duvidosa alça da ilusão de terras estrangeiras.
Mas, a partida antes do combinado, é ainda mais surpreendente, triste, avassaladora, chocante,
irremediavelmente danosa aos nossos mais profundos e solitários sentimentos.
Perder um ente querido, um amor, um filho, colega, amigo, chapa, um mano, brother, parceiro,
sem aviso-prévio, é sacanagem.
Estivemos juntos recentemente, conversamos, bebemos, tricotamos, fofocamos, trocamos receitas, mensagens, bebemos uma, falamos mal da vida alheia, dos políticos, troçamos sobre os resultados do futebol, etc...  - É assim que reagimos quando recebemos a notícia da morte/passagem de alguém querido.
Buscamos, conscientes ou inconscientemente, nessas reações, uma muleta, um suporte, um anteparo para tentar traze-los de volta à vida, resgatar os bons momentos de convivência que tivemos juntos.
Infelizmente, a cota foi preenchida, a missão chega ao fim, termina, se encerra, se finda, até mesmo pode ser que tenha sido antecipada, mas não sabemos com certeza. E a nossa única
certeza na vida, é a morte.
Ir, sem estar rodeado daqueles a quem amamos, daquela(e) a quem devotamos amor, compartilhamos horas, dias e anos, não está no script. Morrer só, consigo mesmo, é de doer.
Boa viagem Flávio Guerra !!




 

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