sexta-feira, 15 de abril de 2016

O TOURO MANIFESTANTE

O TOURO MANIFESTANTE

A desconfiança se fez verdade, contendo a ira, a vontade de cometer um desatino, lhe corroia. Escondido atrás do galinheiro, entre bananeiras e uma amoreira, atento a quem entraria pelo portão da chácara, mal controla a respiração, o suor cobria-lhe o rosto,  umidecia o corpo sarado, o coração quase saindo pela boca, batendo mais forte do que bumbo de infantaria em dia de desfile cívico.
O portão é aberto, com cuidado e evitando fazer barulho, um vulto vai tomando forma à medida que avança pelo terreno coberto de grama bem cuidada e aparada. Fausto, do seu posto de observação, se agita, o sangue ferve em suas veias. Espera por longos e quase infindáveis 15 minutos para sair do esconderijo.
Caminha pé ante pé até a porta principal da casa sede. A porta está destrancada, entra. Na mesa de centro da sala de estar,  copos com restos de uísque, duas pontas de cigarros recém apagados, uma delas manchada de batom vermelho. Foi tomado por uma dor atroz, tremores nas mãos, era o ódio lhe dominando. Sacou a arma e invadiu o quarto.  À meia luz,  flagra sua esposa nua, sendo montada por seu comprade Clésio Ricardo. Susto, gritaria, pedidos de calma, não é o que você está pensando, vamos conversar...um tiro espoca, atinge a cabeceira da cama.
O casal amante, treme dos pés à cabeça. Fausto,  aponta a arma para a cabeça do Ricardão e brada :
- Seu filho de uma puta,  vais morrer!
Com tanta camisa pra usar,  pegou logo a amarela da seleção brasileira?
Eu ia usar na manifestação do dia 17/04 na Paulista!
Ninguém morreu, a discussão terminou virando debate sobre o impeachment e onde deixariam estacionado o SUV. Tudo para manter as aparências.

Salim Slavinscki
15/04/2016

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