Vivia rodeada de amiguinhos, todos a amavam. Simpática, solícita e solidária; era uma menina muito carinhosa. Tratava a todos com palavras meigas, e sempre com carinho, um brilho nos olhos e um lindo sorriso estampado na boca. Pela vida foi assim.
Cresceu, tornou-se adulta, levou para a vida o que sempre fora desde da infância na sua pequena
aldeia. Sempre cercada por crianças, a quais devotava imenso amor e respeito, foi ensinar-lhes o que aprendeu com os anciãos, seus grandes mestres. Passando às crianças, os segredos da grande
floresta, das curvas dos rios, a entender os cantos, assobios e alaridos dos pássaros e animais, da caça, da pesca, do artesanato, a respeitarem o sol, a lua, a chuva com seus raios e trovões e tudo que o Grande Pai criou.
Seus dias passavam numa felicidade só. Até que um dia, um guerreiro de nome Malcumé, de uma aldeia vizinha, começou a frequentar a mesma oca onde pequenos de sua aldeia conviviam. Era preguiçoso, não tinha vontade de aprender, respondão, mal criado, era uma influência negativa para os pequenos. Certo dia, a pequena-grande-mestra Naniara, descobriu que o feioso guerreiro, distribuía entre alguns dos pequenos aprendizes, uma cuia com o caldo de um cipó proibido. Os aprendizes ficavam indolentes, lentos no aprendizado, e sem vontade de comer. Preocupada com a sorte dos pequenos, Naniara foi ter com o cacique da aldeia; contou-lhe tudo o que vinha acontecendo. O grande chefe decidiu expulsar Malcumé da aldeia. Assim foi feito.
Malcumé, sentiu-se ofendido, jurou vingança.
Escondido na floresta, fazia grunhidos imitando onças e outros animais ferozes, para assustar
a pequena-grande-mestra; espalhou entre os quatro ventos que tiraria a vida de Naniara. Seus dias tornaram-se um pouco tristes, seu sorriso era raro, seu olhar havia ficado opaco.
Vendo seu sofrimento e sua dor, por não mais poder ensinar como antes, O grande Pai, condoído, enviou uma grande tempestade, com muitos raios e trovões. Todos os habitantes das aldeias, ensimesmados e temerosos com a fúria das chuvas, e sem entender a ira de seu deus, prostraram-se em sua ocas, e de lá não saíram.
Ouviam-se gritos durante a tempestade, eram gritos de desafio. Poucos se atreveram a pôr a cabeça para fora, mas os que se atreveram viram que no alto de uma colina, um clarão alumiava a noite chuvosa, além dos raios e trovões. Era Malcumé, erguendo e descendo seu facão, na tentativa infrutífera de cortar o espaço, a chuva e maldizendo o Grande-Pai, foi quando ouviu-se
um grande troar, um facho de luz azul riscou o espaço, cortou o céu, e iluminou toda a floresta,
a chuva parou, e um grande raio desceu sobre Malcumé. Como chegou se foi.
A noite se fez dia, o sol voltou a brilhar, os pássaros gorjeavam, a floresta ficou ainda mais encantada. Naniara, voltou a sorrir, seus olhos antes marejados, tornou a brilhar.
De Malcumé não se tem notícias.

Muito bom. ..tem muitos Malcumes q precisam de raios q o façam desaparecer desse mundo. .
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