Subiu as escadas dos três pavimentos como que em peregrinação, em promessa; resoluta, venceu cada andar sem nem ao menos ofegar. Sua figura contrastava com as luzes ocres, quase apagadas que iluminavam a escadaria do edifício. Ainda respeitava o luto, cores enegrecidas nas vestimentas, saia, meias, botas, blusa e um sobretudo da mesma cor, pretos como seus cabelos longos e lisos. A maquiagem sóbria, deixava seu rosto bonito, mais iluminado.
Abriu a pesada porta, por alguns segundos ficou paralisada, fitou todo o ambiente. Alguns passos e adentrou à sala; livros repousando na mesa de centro, copos, cinzeiro abarrotado de guimbas de cigarros, velhos LP's espalhados pelo chão, no ar pairava o forte cheiro de fumo, cerveja e uísque, cortinas semifechadas, dava um aspecto de penumbra à sala. Descerrou as cortinas, abriu as janelas, deixou oxigenar o velho apartamento.
Descalçou as botas, as meias, despiu-se displicentemente, vagou pelos cômodos como se quisera encontrar ou ressuscitar o morto.
Encheu um copo com uísque à cowboy, ligou o velho toca-discos, escolheu um disco de Jobim, deixou que o som de Wave tomasse toda a sala, alto e suave, prostrou-se no sofá puído, e se deixou levar pela música.
Jamais havia confessado seu amor ao velho escritor, mesmo nas horas mais cálidas, nos jantares, nas noites de furor insano de sexo e bebida.
Chorava, as lágrimas de Layla, desciam por seu belo rosto, como água de cachoeira, soluçava e se penitenciava por não haver dito : Eu te amo
Adormeceu bêbada, nua em pele e sentimentos.
A noite caiu, fria, gélida e com ventos.
Os mortos não voltaram
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
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Amo esse estilo.Parabéns, Salim.
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