Luzes acessas, janelas abertas, ar condicionado desligado, frescor da tarde entrando pelo quarto, os dois deitados, estirados na cama, no estágio do pós. Olhos pregados no teto, quietos, respiração curta, estado zen.
A vida passara rápido para os dois; cada um vivendo seu próprio tempo, experiências e vidas. Seus caminhos se entrecruzaram, porém jamais se fundiram. Estavam ali como numa despedida de uma noite morna; pesando a relação.
Não havia fumaça nem odor de fumo, apenas o cheiro forte de álcool dos muitos copos de tequila, uísque, vinho tinto e garrafas de cerveja, recendendo no ar.
Deixaram de dizer um para o outro, em noites anteriores, o fundamental, talvez por saberem que não iriam até o 3º capítulo. Tudo sempre ficava pairando nas dúvidas, nos medos em apostar, em se apossar, e deles sobreveio o tempo exato para desistir, abandonar o barco.
O ventilador ligou automaticamente, girou célere, misturando pensamentos, desfazendo vontades, trazendo os dois de volta à realidade.
Vestiram-se cerimoniosamente pela primeira vez, fecharam a porta do quarto, pagaram a conta. Adeus, boa sorte.

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