sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

" TRÁZ MAIS UM BLACK E A CONTA "

O dia nascera nublado, abafado, modorrento; prenúncio de chuva.
O coletivo seguia comendo asfalto, lenta e vagarosamente, trânsito caótico na cidade que se acha o umbigo do mundo. Passando pela avenida da praia, seus prédios ora modernosos, ora perdidos nas décadas de 40 e 50, agora ruas estreitas,  depois canais poluídos dividindo as avenidas. O céu parece querer desabar. A ansiedade é grande. Confere as horas, liga mais uma vez, e avisa que poderá vir uma grande chuvarada. Ponto final. Percebe que pegou o ônibus errado. Atravessa a rua, e embarca no Circular 61 - Porto - Terminal de passageiros. No caminho vai pensando, no que poderia ter dado certo, que caminho tomar, no que fazer desse dia em diante. Incertezas. Incerto também era o reencontro. Sem saber onde seria o embarque dos passageiros, liga novamente, mais dúvidas e incertezas; ligação falhando, bateria sem carga. Finalmente o encontro/despedida. Vindo mansamente, o mesmo andar, o mesmo sorriso, o beijo bom, poucas palavras. Cada um segue seu caminho. Um embarca e viaja, o outro desembarca no cotidiano.
O itinerário mudou, o calor abafado não. O céu resolveu abrir suas torneiras. A chuva é fina, os passageiros outros, o odor das ruas e do caís impregnam as narinas. A zona portuária pouco mudou, o comércio do prazer ainda está por lá, bares pé sujo, música alta. O tempo não passa, os minutos são séculos. O dias não passam, morosos, demora a anoitecer.
Talvez tenha sido tudo moroso, como uma nau que singra o mar levando turistas em veraneio.
Idas e vindas, sem um rumo certo, sem um norte definido, sem proa, nem popa.
Um chopp black, copo suado, liquido bem gelado !

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