Lá no interior do Estado do Piauí, como em outras cidades pelo Brasil afora, ainda existe o sistema de escambo, da troca, da permuta, do negociar, da braganha ( barganha ) e essa forma primitiva de comércio de produtos e/ou coisas, ocorre principalmente nas feiras populares. Troca-se de tudo em dias feira - se possível fosse , até de sogra - sandálias de couro por sementes, passarinho por rádio e por aí vai. Dependendo da cidade, do lugarejo, dia de feira é o acontecimento mais esperado pela população. É onde se encontram velhos conhecidos, comerciantes, agricultores e o povo de modo geral.
Por causa do atraso da chegada do inverno, a terra estava ressequida e os pequenos agricultores, os lavradores meeiros ou pequenos donos de terra, aguardavam ansiosos a época das chuvas para iniciar o plantio. Feijão, milho e até algodão são os cultivos principais. Quem tem água de cacimba inicia antes , quem não tem ou paga a água a terceiros ou espera São José abrir as torneiras do céu. Em Caiçaras ou Caiçara é assim, lugarejo pequeno, cujos habitantes ou são posseiros ou meeiros e, tudo para eles é sacrifício, da água às sementes. Seu Romão pequeno agricultor, sertanejo calejado, rosto vincado pelo sol e pelo sal da terra, conhecedor dos segredos da natureza; não espera o que o céu prometeu. Preparou seu chão, semeou e o cultiva como uma jóia rara. Tem lá suas cabrinhas leiteiras bem vigiadas e guardadas, alguns bodes, criação de galinhas e um jumento chamado Nestor, animal esperto e companheiro de Seu Romão. É tudo o que tem, mas tudo muito bem cuidado. Dias atrás, combinou com dois amigos irem aos arredores de sua pequena propriedade, na mata perto do rio Imirim, sondar uma colmeia. Prometeu aos amigos, Fausto e Zé do Meio, dar-lhes 20% do que colhessem. Trato aceito, rumaram para o leito do rio, que serpenteia a mata.
Fausto, rapazote safo, esperto que só raposa criada em casa, já ia contabilizando o que faria com o resultado da empreitada. Zé do meio, mulato forte, pau para toda obra, seguia na frente, preocupado com a segurança de Seu Romão, seu padrinho, que vinha montado em Nestor, ora desmontava, ora montava. O chão era poeirento e pedregoso, fora os espinhos traiçoeiros. A todo minuto, Fausto perguntava :
- Tá perto ? Tá chegando ?
- Inda não, falta um bocadinho ( Respondia Zé do Meio, já impaciente )
Mais uns minutos e pronto. Numa pequena clareira, Seu Romão decreta, já apeando do animal :
- Chegamos, é aqui ! Tão vendo aqueles umbuzeiros ? Apois, é ali ! (apontando para o arvoredo e já amarrando seu fiel escudeiro Nestor num araçarizeiro)
Fausto de posse de uma foice e de um cajado já ia rumando em direção da colmeia, quando foi atalhado por Zé do Meio :
- Oxiii !! Ondé que tu vai ? E a fumaça rapaz
- Iéé, apois num isqueci ? Faça tu então ! ( diz Fausto, já se livrando do trabalho )
Seu Romão passa o isqueiro ao seu afilhado e esse inicia a fogueira. Mal começa a esfumaçar e Fausto todo afoito, pega uma lata joga os gravedos em chamas para dentro desta e segue para frente da colmeia, não dando ouvidos às reprimendas de Zé do Meio :
- Péra ainda, moço !! Num tem fumaça inda não !!
Fausto o ignora, deixa a lata no chão e com um golpe de foice, abra um rasgo no tronco podre do umbuzeiro. As abelhas enfurecidas saem zumbindo da colmeia, picando a todos. Gritaria, correria, xingamentos :
- As zoropa aí, fio de quenga !! Faça isso não , aiiiiiiiiii !! Uiiii !!
- Seu filho de rapariga !!
Ai, ai, ai, ui, ui, ui e tome correr desenbestadamente mata afora ou em qualquer direção que os livrassem dos ferrões das abelhas
- Filho de um corno !!
O jumento coitado, urrava, berrava, dava coices, puxava a corda que o amarrava aos arbustos tentando livrar-se das abelhas. Até que a corda arrebenta e Nestor sai em desabalada carreira mata adentro !
No dia seguinte, Seu Romão e seus companheiros de aventura, ainda convalesciam das picadas, das dores e da febre que se lhes assenhorou dos corpos. Quanto ao jumento, ninguém sabe do seu paradeiro até hoje !!
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.

essa historia eu conheço, é de um cabra da cabeça grande que se aventura a cortar cabelos..kkkkk
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