Xícara com café fumegante, cadeira de cana-da-índia, recosto de penas de ganso, janela aberta e voltada para a rua, a única visão eram os topos das copas das árvores, alguns prédios, e a curva no início da rua. Ficava ali horas, fumando, bebendo café, lendo um amarrotado jornal, e vez por outra levantava-se, e olhava em direção à curva da rua, como se estivesse a esperar por alguém. Punha-se em pé por alguns minutos, cigarro no canto da boca, óculos na ponta do nariz, olhando movimento de carros e pessoas, indo e vindo; meneava a cabeça como se discordasse de algo, e volta a sentar-se.
Da última vez que nos vimos, cumprimentou-nos com um breve aceno de mão. De dentro de seu apartamento saía uma música em alto volume; creio que era Frank Sinatra, cantando My Way. Tinha em uma das mãos uma garrafa de bebida, não vi copo, somente a garrafa, bebericava do gargalo. Também foi a primeira vez que eu o vi sorrindo. Não era um sujeito alto, creio deveria ter cerca de 1,80 m, corpanzil, cabelos enbranquiçados, ralos e raros, uma quase calva. O porteiro do prédio onde ele morava, me confidenciou que no passado, havia sido escritor de romances de bolso, e que desiludido, não se sabe se por amor, ou pela vida; aposentou-se e vivia recluso. Não contava mais de 60 anos. gostava de ouvir música, receber mulheres de programa, beber e ler jornais. Falava pouco, pouco saia de sua morada.
Chovia, e sua janela ainda estava aberta, passava das 11 horas da noite, quando a notícia chegou, caiu como um raio, não quis acreditar; Franz o escritor, deu cabo à vida.
O velório contava c poucas pessoas, algumas pessoas do meio literário, boêmios, uns poucos amigos e uma senhora ainda jovem , toda vestida de preto. Dizem que era uma de suas preferidas. Chorava à bandeira desfraldada, não sei era amor ou piedade.
A janela amanheceu fechada !

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Faça seu comentário, não há censura, o importante é a sua opinião para que eu possa me aprimorare levar o melhor aos leitores.