sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"MEU HEROI NÃO TEM CAPA E NEM VOA"

Todos nós temos um herói ou heroína, eu tive vários durante minha infância; Nacional Kid, Zorro e Tonto, Zorro ( Dom Diego De La Vega ), Speed Racer, Vigilante Rodoviário, Super Man, Homem de Ferro, Tarzan, Capitão Sete e tantos e tantos outros. Mas nunca pensei em ter super poderes, só queria brincar e mais nada. Aliás brinquei muito, brincadeira que as crianças de hoje nem se quer imaginam que existiram. Mas não vou falar disso agora, deixo para uma outra oportunidade. 
Mas o herói que eu mais gostava, não voava, não tinha super poderes, tais como visão de Raio X ou desintegrador de matéria, não tinha super carrões, nem aviões à jato, não  tinha nadica de nada disso, não!  Meu herói tinha uma bicicleta Monark Alemã, prateada, aro 28,  que invariavelmente o transportava ( mesmo quando ele tomava umas poções mágicas à mais ). Era professor, doutor, curandeiro ( conhecia muito sobre o poder das plantas ), amigo, conselheiro, guia espiritual, contador de estórias e causos,  história do Brasil e geral. Era meu paladino da justiça. Às vezes o achava um grande filho..., mas era porque não entendia suas mensagens ( só as compreendi com o passar dos anos ), ele sempre tinha algo de importante para nos ensinar, digo nos, porque meus irmãos também o tiveram sempre como o nosso herói.
Aprendemos a conhecê-lo só pelo seu olhar e do franzir da testa, bastava isso para compreendermos que não era a nossa hora. Zangava-se com certas coisas, principalmente com os destinos do país; odiava qualquer forma de governo que não fosse a democracia, pessoas falsas, ladrão e traficante ( esse câncer já existia viu ! ), dentre tantas outras coisas que lhe causava verdadeira ojeriza. 
Meu herói, não era de brinquedo, era de carne e osso, sua pele era parda, um mulatinho de 1,65 m, calvo, militar de ofício, desde de os tempos da 2ª  Grande Guerra, até chegar à extinta, digna e honrada, Força Pública do Estado de São Paulo, hoje P.M. Esse meu herói, nos levava à praia, para pescar, assistia televisão conosco, tomava café e almoçava com todos nós. Como disse, meu herói não era de brinquedo ou virtual como hoje em dia, corrigia minha lições e tomava a tabuada (algo que eu detestava), ensinou-me a nadar, andar de bicicleta, construiu um carrinho de rolimã, também deu-me algumas palmadas(e como doía !), eu as mereci. Pensei que ele fosse indestrutível, que ele jamais sucumbiria; logo ele que foi tão importante para mim. Conversávamos sobre todos os assuntos, política, religião (que fé !), cinema, teatro, livros, música, sexo e drogas, enfim, sobre a vida. Buscou alfabetizar-se praticamente sozinho, já um pouco tarde;  era um pouco auto-ditada. Não amealhou bens, a não ser sua vasta cultura e que ele procurou nos passar, ao menos tentou. Meu herói é, e sempre será o meu pai. Amigo de todas as horas e de todos os tempos. Não sou, para meus filhos, 1/4 do ele foi para nós. Tento, mas sei que tenho muito para chegar a ser o ele era. O caminho é longo. 
Que saudade !!

2 comentários:

  1. Como ele era um sábio meu irmão,tudo que sei hoje devo aos ensinamentos dele.Saudades eternas Pai.....Te amooooooooooooooo.....onde quer que você esteja!Descanse em paz!!

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  2. Excelente texto,parabéns!
    Gostaria de te-lo conhecido,pra o enquadra como um dos meus heróis.

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