Paulinho, menino vivaz, esperto e malandro feito raposa criada em casa, completara 10 anos havia
uma semana, mas o presente que pediu a seu pai, ainda não fora comprado. Todos os dias o cobrava; assim que o pai punha os pés em casa :
- Pai, cadê meu presente ?
E o pai repetia a mesma cantilena de sempre :
- Está faltando algo de sua parte no trato que fizemos, não lembra não ?
E o menino encafifava, não lembrava de nada, pois estava indo bem na aula de inglês, na escola, só boas notas, fazia sua cama todos os dias depois que acordava, não desrespeitava ninguém, ajudava a mãe e a irmã pôr a mesa do almoço e do jantar, tomava banho todos os dias sem reclamar. Que será que estava faltando...?
No outro dia resolveu falar seriamente com seu velho.
- Ôoo pai, que eu não estou fazendo direito, para você não me dar o presente de aniversário ?
- Você combinou comigo, que iria encaixotar todos os brinquedos que não quer mais, mas só aqueles que estão em condições de uso, lembra ? ( Advertiu o pai )
- Puxa é mesmo ! Eu vou fazer isso agorinha mesmo.
Passados alguns minutos, o menino volta arrastando pela sala uma caixa enorme, cheia de brinquedos, pára em frente ao pai, que está sentado na poltrona assistindo TV, e exclama :
- Pronto pai , tá tudo aí ! (apontando para a caixa )
O pai olha surpreso e admirado para aquela caixa enorme, cheia de brinquedos, bonecas da irmã de Paulinho, carrinhos e bonecos.
- Pois bem, agora vamos por essa caixa no carro e levá-la ali na casa da Dona Domênica.
Domênica era a senhora que auxiliava a mãe de Paulinho nos afazeres da casa.
Estacionaram o carro em frente a uma casa humilde, bateram à porta e aguardaram. A porta se abre, e de dentro da casa sai uma senhora com uma bebe no colo, atrás dela, umas seis crianças, das mais variadas idades, uma verdadeira escadinha. A mulher surpresa com a visita, fica paralisada.
- Boa noite Dona Domênica ? Desculpe-nos pelo adiantado da hora, mas viemos trazer algumas coisinhas para a criançada.
A mulher, refeita da repentina visita, convida-os a entrar. Paulinho arrasta a caixa atrás de si e, envereda casa adentro, já fazendo amizade com a criançada. Foi uma folia, a gurizada ficou extasiada, cercavam a caixa na maior algazarra, em minutos a caixa foi esvaziada, a felicidade estava estampada no rosto dos pequenos, todos brincavam e falavam ao mesmo tempo, típico de crianças felizes. Paulinho se entrosara com todos e também brincou com a meninada.
Dona Domênica, agradecia a toda hora, as lágrimas escorriam em seu rosto de mulher sofrida, o sorriso deixava entrever o vazio de dentes, mas o coração tomado de felicidade. Era dia das crianças !
Este blog destina-se a textos e crônicas sobre assuntos relevantes e importantes à vida do cidadão. E tem como princípio levar alegria e reflexão.
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Gostei, emocionante, mas fiquei curiosa com o presente esperado...
ResponderExcluirO presente esperado é o ensinamneto, o exemplo, a solidariedade, o dar e receber sem esperar recompensas.
ResponderExcluirquando termiei de ler percebi o presente, muito lindo Salim.
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